segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Dia 9: Kanazawa, bairros de época

Começamos o dia num horário razoável, o primeiro que fizemos foi visitar um distrito chamado Higashi Chaya, também conhecido como bairro das gueixas. Aliás, as gueixas são artistas femininas treinadas em canto, dança e música. Elas são uma forma de entretenimento para uma clientela abastada, além de realizar apresentações, também são versadas em conversação. 

Uma rua característica do período Edo

Assim que chegamos na região visitamos uma casa do período Edo, a casa tinha uma entrada com um pé direito enorme no corredor e depois cômodos se dividiam. A casa me pareceu muito bem iluminada, achei interessante que tinha um poço de água dentro. 

O enorme pé direito

À direita da entrada, a cozinha e uma sala

Foi uma boa ideia ter chegado tão cedo porque a rua principal estava bem vazia, fizemos boas fotos. Estava tão vazio que até a Pri foi entrevistada por umas crianças numa atividade escolar. A gente conseguiu visitar uma casa de chá assim que abriu, estes eram os recintos em que as gueixas se apresentavam. A casa é interessante, pequena, mas parecia confortável. Novamente, ela tinha um jardim de inverno e um poço de água.

A casa de gueixa Sima

O Jardim interior da casa de gueixa

A maneira como as gueixas cantam soa desafinado para o ouvido ocidental, é curioso como o senso estético ou artístico de alguém possa ser tão distinto a ponto de agradar a uns e incomodar a outros. 


Esse distrito tinha muitas lojas legais, uma delas era somente com objetos utilizando folhas de ouro, e, por incrível que pareça, os preços eram bem razoáveis. Compramos um gatinho com a pata levantada e a Pri ganhou brincos bem legais. Além disso a loja vendia copos com detalhes em ouro, potes lindos com semelhantes detalhes e até bolo com uma camada de ouro por cima.

Copos com detalhes dourados

Os gatinhos da sorte (maneki-neko)

Outra loja incrível que visitamos foi uma de cerâmica, havia tantas opções que ficamos perdidos, no final escolhemos um modelo incrível para incenso, com suporte e caixinha. Entramos em mais uma loja de produtos laqueados, mas no final não compramos nada. 

Variedade de cerâmicas

De lá fomos para o templo Ishiura, a coisa mais legal deste templo é que havia caminhos feitos de torii. Um destes era cheio de amarrações de fitinhas, outro levava à rua de cima. Eu errei a marcação no mapa e andamos uns 20 minutos para uma região sem muitas atrações, quando nos demos conta, voltamos e encontramos um lugar para comer. 

Optamos por curry, que é bem famoso aqui. Escolhi os sabores carne e cogumelo com bacon, a Pri escolheu frango e cogumelos com bacon. Tomei uma cerveja local muito boa.

Toriis sem fitinha

Torii com fitinha

Nossa próxima parada era o Distrito Nishi, aquele que eu havia marcado errado no mapa que citei anteriormente. Em vez de ir diretamente para o bairro, fomos para o templo Myouryuji. Esse templo tem um a história interessante, ele foi eregido pela família Maeda. Na época vigia a proibição de edificações com mais de três andares, então o templo foi construído para parecer ter apenas dois andares quando visto de fora, mas por dentro foi construído de forma a ter muitos aposentos em níveis diversos. 

Há diversas características interessantes desta construção, por exemplo, uma escada embutida numa parede falsa, uma porta de correr na qual cada lado revela uma passagem para aposentos distintos, uma caixa de doações como as que vemos nas entradas dos templos, mas com fundo falso, e diversos outros truques. Esse templo funcionava como uma segunda residência para o clã Maeda, além de servir de linha de defesa do castelo de Kanazawa. Embora a visita tenha sido toda feita em japonês, havia uma pasta com bastante informação. Eles se esforçam para atender aos turistas. 

A entrada do templo Myouryuji


Agora sim fomos visitar o distrito Nishi, este bem menor que Higashi, composto de praticamente uma rua apenas. Não havia muita gente por ali e pouca coisa para ver. Fomos caminhando para o último distrito de interesse, Nagamachi, conhecido como distrito dos samurais. Os samurais eram da classe de guerreiros e serviam como soldados de lordes feudais, quando um guerreiro destes não servia a nenhum lorde, era conhecido como ronin.

A rua do bairro Nishi

Há diversos filmes que exploram essa temática, meu preferido é Yojimbo, de Akira Kurosawa. Aliás, esse filme é tão bom que uma versão não autorizada foi filmada por Sérgio Leone, chamada Por um Punhado de Dólares, com Clint Eastwood. Este também um filme incrível. Outra série que eu gosto dessa temática é Lobo Solitário (em inglês se chama Lone Wolf and Cub, que corresponde mais à dinâmica do filme, com um bebê sempre acompanhando o ronin).


Entramos em algumas lojas de cerâmica, de acessórios e de artes. Corria um rio pela lateral das casas, aliás, em várias cidades isso se repete, água corrente muito próximo às residências, sempre nos lembrando de que isso é essencial para nossa vida. Tínhamos agora de passar na estação para pegar o ticket de trem do dia seguinte, logo depois de sair do distrito dos samurais avistamos uma sorveteria e provamos alguns sabores bem diferentes. Eu peguei três bolas, uma de abóbora com caramelo, uma de castanha portuguesa e outra de maçã. Todos ingredientes daqui, a Pri pegou os mesmos sabores, mas em vez de maçã, escolheu leite e mel de uma flor nativa. O sorvete era bem diferente do que conhecemos, por exemplo, do estilo italiano, mas era gostoso.

O distrito Nagamachi

Quase chegando na estação, vimos vários restaurantes, um particularmente nos chamou a atenção porque a Pri havia comentado que gostaria de comer num restaurante em que o sushi-man fizesse a comida na nossa frente. Depois de trocar a passagem voltamos e entramos.

O torii moderno mudava de cor 

Esse display de água mudava os anúncios

O cartaz na porta do restaurante dizia que o chefe era o mais velho na profissão na região de Ishikawa, que ele era contra a reforma trabalhista e que trabalhava 365 dias por ano. Tivemos o auxílio de um casal belga que nos ajudou a navegar o restaurante. Fizemos nosso pedido, já havíamos sido informados de que só se aceitava dinheiro e partimos para os sushis. comemos dentre outros: atum, ovas, camarão e mais. Foram servidas dez rodadas, cada uma com duas peças para cada pessoa. Eu ainda tomei duas cervejas e ganhamos tamago, omelete no estilo japonês, de entrada. A experiência foi muito boa, queremos encontrar outro restaurante no mesmo estilo.


Dentro do restaurante

O sushi-man conosco

Amanhã viajamos para Kyoto.


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