Dormimos muito para compensar a falta de sono do longo voo, por isso acordamos mais tarde, perto das 8:00. Por toda a cidade há lojas de conveniência, aproveitamos e tomamos o café da manhã numa delas, a 7-eleven.
Aliás, o inglês dos japoneses é um tópico à parte. Impressiona a falta de domínio deles, bem como a pronúncia que sempre adiciona vogais ou adaptam fonemas. Brasil vira Burajiru, Daniel Danieru, Priscila Purishira e assim por diante.
Na loja de conveniência comi meio sanduíche de pasta de ovos, um sanduíche de peito de frango empanado e um onigiri, um triângulo de arroz recheado. Escolhi o recheio de ameixa em conserva, umeboshi. A Pri tomou um café com leite gelado de máquina e comeu meio sanduíche de pasta de ovos. Esse sanduíche de ovo é muito bom, ele é ao mesmo tempo cremoso e tem pedaços.
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| Loja de conveniência 7-eleven |
Uma coisa que me chamou a atenção é que há muita propaganda sonora nas ruas. Há alto falantes em todos os postes, passam carros com sons, as lojas têm propaganda para fora. É um contraste enorme com o silêncio geral.
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| A rua vista da estação de trem |
Nosso plano era visitar o parque Yoyogi, na qual ficava o santuário Meiji, um lindo templo Shinto. Aliás, o shintoísmo é a religião originária do Japão. Ela não é uma religião organizada, mas um conjunto de crenças comuns. Nela há diversos deidades ou espíritos, kamis, um para cada coisa, por exemplo, agricultura, guerra, amor, etc. Esse templo específico é dedicado ao imperador Meiji, que foi um imperador que promoveu reformas com o objetivo de trazer o país para a era industrial.
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| Santuário Meiji |
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| Um dos portões de entrada |
Vimos oferendas de barris de sakê, no Japão é comum que empresas façam oferendas e suas marcas sejam exibidas. Pede-se proteção e êxito nos negócios. As pessoas têm pedidos diversos, mas usam a mesma ideia de crenças ocidentais que conhecemos, oferenda em troca do que querem.
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| Barris de sakê com invólucro |
A rua pela qual passamos tinha de tudo, avisos, lojas, e uma destas era algo que é uma febre aqui, Gachapon. Estas são lojas com diversas máquinas nas quais você pode inserir moedas e em retorno recebe uma espécie de miniatura ou brinquedo de plástico. As pessoas colecionam isso, há também lojas em que você precisa pegar o prêmio com garras. Este tipo de loja tem em todos os lugares que visitamos até agora.
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| Gachapon, máquinas de quinquilharia com probabilidade |
Antes de chegar à estação de trem que pegaríamos, avistamos um templo no meio desta rua completamente movimentada e resolvemos entrar. Nos santuários já sempre um portão tradicional de entrada, torii, logo depois vem uma estação com água para purificar o corpo.
Um crente, ao entrar no templo, se curva ligeiramente, uns 15 graus, antes de passar pelo torii, se purifica e se encaminha para o local de oferendas. As oferendas são feitas numa construção em formato de caixa, feito de pedras, no topo há uma grade. Você deve curvar-se duas vezes, bater palma duas vezes e curvar-se uma vez mais. A oferenda financeira, em geral em forma de moeda, é feita no final do processo. Recomenda-se entrar no santuário com o coração e sentimentos puros.
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| A entrada de um templo na rua |
O parque em si é muito grande e o templo muito bonito, dividido em seções. Cada direção tem um portão e uma entrada. Inclusive, pudemos ver algumas cerimónias acontecendo. Sem dúvida um casamento ocorreu e, talvez, alguma cerimônia de outra família com seu filho.
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| Procissão de casamento |
A quantidade de turistas no templo era enorme, aliás, a quantidade de gente que há em Tóquio impressiona, mas o que de fato chama a atenção é a organização e o senso de que há o próximo. Eles aqui sempre tentam andar no lado correto da rua, não falam alto, são sempre educados. Já vimos diversas vezes as pessoas se despedindo na rua se inclinando umas para as outras sem dar as costas. É um ritual interessante.
Ainda no templo, compramos umas lembrancinhas e escrevemos um pedido com desejos e aspirações. Demos mais uma volta e fomos visitar uma outra parte do parque. Descansamos num banco enquanto decidíamos o que fazer depois.
A Pri escutou uma música e quis ver o que era, embora nosso plano fosse ir para a região central de Shinjuku. Essa acabou sendo uma ótima decisão porque encontramos um festival de comida da empresa Rakuten, que é uma plataforma enorme de e-commerce e diversos outros negócios.
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| Um dos diversos corredores de comida |
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| Uma das partes do festival visto de cima |
Além das barracas de comida havia um show de bandas japonesas que se revezavam no palco. Dentre os quitutes, comemos gyoza de frutos do mar, cogumelo flambado com molho bechamel e queijo, um filé de wagyu A5 e depois um mochi. Ficamos rodando lá um tempo até irmos para a região de Ura-Harajuku. Essa região tem diversas lojas e ateliers, ela foge um pouco da rua Takaiyashi, que aparentemente deu início à cultura “fofinha”, que são as roupas e desenhos mais infantis.
Deve haver algo mais profundo que tenha dado origem a este estilo, já que parece um pouco infantilizar adultos. Mas sem um conhecimento mais profundo, fica difícil entender o que acontece.
A rua Takaiyashi tem uns cafés com animais, você pode entrar para acariciar porquinhos e até capivaras. Fico imaginando quanto tempo leva até eles trocarem os porquinhos que tenham crescido muito e agora vão passar pela engorda até virarem bacon.
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| A entrada da rua Takaiyashi |
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| Detalhe para a gente no painel |
A região de Ura-Harajuku tem mais ateliers e lojas menores, mas também algumas bem famosas, como a Onitsuka Tiger, que é o nome antigo da Asics. Essa loja parece ser bem concorrida e os produtos eram bem caros. Visitamos algumas lojas: @cosme, Uniqlo, Ugg, Pandora, Anker, e outras. Muitas destas lojas ficavam numa rua muito bonita chamada Omote-Sando, essa região é muito legal.
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| Rua Omote-Sando |
Nossa próxima parada foi o prédio do governo de Tóquio, toda noite há um show de luzes e assistimos a um deles. São alguns shows de aproximadamente 15 minutos. Um deles que me chamou a atenção foi o show do Pacman.
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| Prédio governamental com show |
Emendamos logo o jantar, optamos por ir ao Omoide Yokocho. Está é uma rua muito apertada que passam no máximo três pessoas em paralelo. Nela há uma infinidade de bares colados uns nos outros, cada um servindo suas especialidades.
Escolhemos um que tinha uma churrasqueira na porta de entrada. Pedimos espetinhos de partes de porco(intestino delgado, fígado, língua, coração e cabeça, que imagino que seja algum erro de tradução), cogumelo shitake e cogumelo trompete, sardinha, enguia grelhada, vieiras e camarão. O preferido da Pri foi o camarão, eu ainda estou em dúvida. Ainda tomei uma cerveja.
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| O bar era apertado e tinha personalidade |
A experiência no bar foi muito curiosa, a dona do bar e seu filho falavam inglês razoavelmente bem. Cada vez que um cliente saía, nos pediam para nos movermos uma cadeira para o lado, nos afastando da porta. Cabiam no máximo dez clientes por vez do encosto do assento era a parede, de tão apertado.
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| Entrada do Yokocho Omoide |
O ambiente era esfumaçado, juntando os subprodutos do carvão e dos cigarros. Quando finalmente se termina de comer, se sai pelo banheiro compartilhado cuja porta fica nos fundos. O banheiro era obviamente misto!
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| Dentro do Izakaya |
Houve alguma confusão na hora de pagar por algum erro de anotação, imagino que tenham perdido um pedido e que ainda tenham se confundido com tanta movimentação entre cadeiras. Ainda comemos um onigiri frito que nos foi oferecido. Obviamente pagamos por ele e pelo couvert, que foram edamames.
Dia cheio, amanhã será outro dia cheio.


















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