segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Dia 8: Kanazawa, mercado, templo e jardim

Nosso próximo destino é Kanazawa, que é principal produtora de folhas de ouro no Japão. Essa cidade era a sede da família Maeda, o segundo clã mais poderoso do período Edo, depois apenas do clã do shogun chamado de Tokugawa. A cidade ainda tem algumas regiões com casas de período que queríamos visitar.


Kanazawa se encontra na costa do mar do Japão, a sua localização geográfica lhe confere outras características, primeiro há uma incidência enorme de neve, como é o caso de diversas cidades nesta área do país. Além disso, segundo o Luciano que conhecemos no voo, como o mar do Japão tem menos correnteza, os peixes fazem menos esforço e por isso são mais saborosos.


Após chegar à estação tentamos pegar o passe que compramos para a região de Kansai e Hiroshima, mas descobrimos que só poderíamos fazê-lo em Kyoto. A Pri então foi atrás dos carimbos da estação, havia dois. Logo saindo da estação notamos que essa cidade é muito maior do que as duas anteriores.


Pegamos um ônibus até o hotel, conseguimos pagar e economizamos uns 20 minutos de caminhada com malas no calor úmido, o céu estava bem escuro e parecia que ia chover. Chegamos no hotel, deixamos nossas coisas e já saímos para o mercado, que era bem próximo. 


Os sinais de trânsito aqui sempre emitem sons para guiar os transeuntes, ele toca de maneira distinta indicando se podemos caminhar. As calçadas muitas vezes são apenas linhas demarcadas no asfalto, de vez em quando há a indicação de caminho para pedestres e para ciclistas. E os carros sempre aguardam pacientemente as pessoas e bicicletas.


Uma coisa que vimos até agora é que há muitos banheiros públicos, em todos os lados, e nas ruas, em locais aleatórios. Por outro lado é difícil encontrar lixo, vemos em lojas de conveniência, em pontos de coleta de latas e garrafas de plástico, mas onde de fato conseguimos jogar coisas fora é nos hotéis. E mesmo assim o país é impecavelmente limpo. 

Mercado Omicho

O mercado tinha muita coisa boa para provar, diversos frutos do mar que eram vendidos e preparados ali na hora. Provamos vieiras grelhadas, caracol marinho grelhado, sashimi de atum, ouriço, depois achamos um cara grelhando ostras, mais vieiras e mariscos. Eu pedi já uma cerveja, depois continuamos andando pelo mercado, vendo todos os vegetais e frutas bem diferentes. 



O preparo da comida feito com maçarico

Duas coisas chamam atenção, a primeira é óbvia, como os vegetais e frutos são diferentes, a segunda é como eles dispõem os alimentos. As frutas são embaladas individualmente, e, aliás, são muito maiores do que as equivalentes no Brasil, os vegetais muitas vezes conservados em água ou terra, como vimos respectivamente pepinos e batatas.


Raízes conservadas em terra

Ainda no mercado encontrei uma cervejaria artesanal, uma bela oportunidade para descansar as pernas e trabalhar o fígado. A Pri encontrou uma venda de espetos com frutos do mar empanados, comemos camarão, caranguejo e baiacu. Este um peixe que precisa ser preparado corretamente porque é extremamente venenoso. Até o momento não tivemos problema algum!


Do mercado seguimos para o templo Oyama, esse também shintoísta. A entrada do templo era bem bonita, contando com uma torre. Havia no templo um jardim bem feito, com o uma ilha artificial, e dentro do templo, outro templo. Parece que isso é comum. Chovia uma garoa leve, a Pri deu uma olhada na lojinha de amuletos do templo. Aliás, isso é bem comum aqui, em todo templo eles vendem uns amuletos, plaquinhas e outros itens. 

A torre do templo Oyama


O edifício principal do templo Oyama

Bem perto deste templo ficava o castelo de Kanazawa, sua arquitetura é diferente do castelo de Matsumoto, ele é mais horizontal, mas também maior. Seus portões são em “L” para frear possíveis invasões além de possuir um fosso como mecanismo de defesa. Não visitamos por dentro, já descobrimos que muitos castelos são reconstruções e muitas vezes não vale visitar o interior.

Um templo dentro do templo

O detalhe da flor de cerejeira (sakura)

Seguimos para o jardim Kenroku-en, um jardim construído no período Edo pelo mesmo clã Maeda. O jardim tem muitos detalhes, duas casas de chá dentro e outras edificações. Como a chuva havia apertado, entramos numa destas edificações para visitar, Seison-kaku era o nome e foi residência da esposa de um lorde da família Maeda. 

O castelo de Kanazawa

Detalhe de um quina do castelo

O castelo era enorme

O castelo é construído em cima de uma grande base de pedras

O interessante destas residências é que todas têm pisos de tatame, todas têm um jardim interno, por menor que seja, e muitas têm varandas. Essa tinha um jardim enorme dentro, os quartos eram identificados pelos desenhos na parte inferior das portas de correr. Notamos que os armários são em geral embutidos e que sempre há muito espaço nos cômodos porque eles usam poucos móveis.

O jardim Kenroku-en

Quando terminamos a visita, ainda chovia muito. Sentamos uns dez minutos para esperar a chuva passar, nada, esperamos mais dez minutos nada, resolvemos tentar ir numa das casas de chá. Chegamos na porta e não entendemos o esquema. Estava tudo fechado, mas parecia haver gente dentro. Esperamos mais ainda, mas a chuva não parava, decidirmos sair do parque que parecia que ia fechar. 


Já neste trecho fiquei completamente encharcado, a Pri tinha um guarda-chuva que ela dividiu comigo, mas com a quantidade de água, não teve jeito. Fomos até um ponto de ônibus e decidimos ir até um lugar comer. Uma confusão se formou para entrar, as pessoas não se mexiam. Quando saímos, tentei pagar, o motorista não entendeu coloquei meu cartão de crédito na máquina, ele o empurrou. Acho que ele estava mais preocupado com o horário do que com o pagamento. 

No parque antes da tormenta

O local onde comemos ficava dentro de um shopping, subimos oito andares e notamos outra característica de diversos restaurantes no Japão, há sempre uma miniatura, um molde, de como a comida parece. E a comida sempre vem muito parecida com o que e estava exposto.

Os modelos de comidas

Esse restaurante particularmente não era muito bom, mas como estávamos todos molhados por conta da chuva, foi o que deu para conseguir. Voltamos para o hotel e ainda tive de dar um jeito no tênis para usar no dia seguinte.

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