sábado, 25 de outubro de 2025

Dia 12: Nara e Uji

Como havíamos comprado um passe da empresa de trens do Japão (há mais de uma, compramos um passe da JR West), começamos a fazer diversos deslocamentos. Nosso primeiro destino foi Nara, uma cidade conhecida pelo parque homônimo tomado por cervos (veados). 


O trem demorou por volta de uma hora e quinze, a gente aprendeu que há duas linhas que chegam à Nara, uma delas é da empresa que opera boa parte da malha ocidental e que nos vendeu o passe, a outra é uma outra empresa que opera um trem mais rápido.


Quando chegamos na estação havia uma faixa enorme indicando qual ônibus pegar para as principais atrações da cidade. Enquanto esperávamos na fila, um vídeo instrutivo nos indicava como embarcar no ônibus, como pagar e como desembarcar. O vídeo era muito amador, as pessoas obviamente não eram atores, o ônibus parado enquanto uma pessoa simulava estar viajando. E a cereja no bolo foi que quando o ônibus chegou, a ordem de pagamento inverteu-se, tivemos de pagar assim que embarcamos, exatamente o contrário da instrução do vídeo.


A quantidade de cervos no parque era enorme, e como sabemos, se há vida selvagem há odor forte. Também notamos que os animais não se incomodam ou se intimidam com a presença de humanos. Eles transitam tranquilamente, alguns baixam e sobem as cabeças como o cumprimento japonês, eles aprenderam que antes de receberem biscoitos, os japoneses sempre executam o comprimento, fazem o mesmo.

Veados em Nara

Em mais detalhes

Então, enquanto você está caminhando, acontece de algumas vezes um cervo te cumprimentar aleatoriamente. Alguns ainda se atrevem a te cheirar para ver se você está levando comida. Vi alguns tentando, com a boca, verificar bolsos e bolsas. 

Uma visão do parque em Nara

As pessoas compram os tais biscoitinhos que vêm envoltos em um plástico. Se um cervo avista isso, ele já vai em cima da pessoa. É difícil manter o animal afastado quando numa mão há um pacote com vários biscoitos e um aglomerado se forma em volta. Há gente que simplesmente larga todos os biscoitos no chão. A lição é que aquelas cenas ordenadas que vemos em vídeos são pequenos momentos em que alguém consegue alimentar um bicho isoladamente.


Logo nesse parque fica o templo Kofuko-ji, composto por dois edifícios e uma pagoda. É comum os templos terem dois edifícios, um para reza e outro para ensinamentos, o portão de entrada e muitas vezes uma pagoda. Este possuía todos estes elementos, porém, a pagoda estava em reforma. 


Templo Kofuku-ji

O que lemos recorrentemente aqui é que o templo que estamos visitando foi reconstruído pela última vez numa data tal depois de ter sido destruído pelo fogo tantas vezes. Quando entramos nos templos e vemos que tanto a estrutura quanto as estátuas e adornos são todos de madeira, e que as oferendas sempre têm incenso, entendemos o problema e o risco. 


Seguimos pelo parque para visitar outro templo, Todai-ji. Novamente um templo com uma impressionante estrutura de madeira, estátuas enormes do Buda e dos guardiões, além de contar com uma passagem por dentro de um tronco. A passagem supostamente tem o tamanho da narina da estátua do Buda. Não tentamos passar por ela. 

Templo Todai-ji

Um guardião

Havia mais um outro templo que queremos visitar, cuja atração em centenas de lanternas de bronze, o templo se chamava Kasuga Taisha e ficava no meio da floresta. Foi uma boa caminhada até lá, mas por sorte havia um ponto de ônibus bem perto, o que nos facilitou a volta. 

Detalhes das lanternas em Kasuga taisha

Finda a visita fomos para a estação de trem e pegamos o caminho de Uji, principal produtora de chá verde do Japão. A viagem foi rápida, em direção a Kyoto. Notamos assim que chegamos que a cidade era pequenininha e contava com um centrinho de lojas, além de uma rua beirando o rio.

Rio Uji, em Uji

O primeiro que fizemos foi buscar um lugar para comer, encontramos um restaurante charmoso servindo macarrão soba colorido com matcha. Além disso, o prato que pedimos hoje com picles, tempura, algumas peças de sashimi e outras coisas pequenininhas. Provei uma cerveja de matcha, com a cor bem esverdeada. A sobremesa foi a mais estranha que já comi, alga salgada e um bolinho com pó de matcha.

No restaurante em Uji

Passeamos então pelo centrinho e compramos matcha em diversas lojas, além dos utensílios de medida e preparo. As lojas todas fechavam entre 17:30 e 18:00. Isso é tema recorrente, as coisas fecham muito cedo, e a exceção parece ser Tóquio. Além disso, muitas vezes abrem mais tarde, lá pelas 10:00, isso restringe muito os horários de visitação. 

Rua pavimentada, uma espécie de centrinho



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