quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Dia 6: Takayama e Ryokan

Levantamos um pouco mais tarde, arrumamos as coisas e fomos para o mercado matinal. No caminho avistamos um templo com uma pagoda, aquela espécie de prédio com mais de um andar. Quando um templo tem o complemento ji, isso nos indica que é um templo budista, por outro lado, quando termina com jinja, sabemos que é porque é shintoísta.


Templo Hida Kokubun

Entramos para ver os detalhes, tiramos algumas fotos e a Pri encontrou um carimbo, o Japão criou a gameficação da viagem. Você coleciona carimbos por onde passa, eles vendem os cadernos para coletar os carimbos em vários lugares. Não há uma versão oficial, mas há várias versões. 

Detalhe no templo

Outro detalhe do templo

Depois fomos passear no mercado matinal, passamos a manhã toda nele. Provamos e comemos várias coisas. Começamos com panquecas recheadas de feijão, chocolate e creme de baunilha (custard em inglês), cada uma de um tipo. Depois comemos favas de mel de abelhas japonesas. Essas abelhas são nativas e exclusivas do Japão e o gosto da fava era bem diferente do que conhecemos.


Seguimos e comemos três espetos de arroz, um com molho de missô (pasta de soja), um com várias bolas salgadas e outro com bolas redondas doces. Eles eram interessantes, mas não eram espetaculares.

Espetos com base de arroz

O ponto alto para mim foi o que comemos na loja seguinte, espetinho de wagyu e sushi de wagyu. O sushi foi preparado da seguinte maneira, primeiro o chefe pegou uma fatia de carne, cortou no tamanho de dois sashimis juntos, ele passou a faca fazendo cortes bem próximos uns aos outros formando uma grade na diagonal do formato do sushi, sem fatiar a carne. Ele então colocou a peça de carne em cima do arroz para formar o sushi propriamente dito e depois a cozinhou com um maçarico. Ele finalizou a peça com ovas de peixe.

As peças de sushi de wagyu com ovas de peixe


Já o espetinho de carne, ele apenas colocou numa parte mais forte da brasa e nos serviu. O espetinho vinha acompanhado de um molho, que optamos por não comer junto à carne. Dos dois, o espetinho estava mais gostoso. A carne tem bastante umami, que é aquela sensação que temos quando comemos gordura e algumas algas. O sashimi estava bom, mas eu esperava que a carne que tivesse textura de carpaccio, mas era um pouco mais dura.

O chef preparando um espetinho no estilo


Ainda comemos um bun com recheio de carne picada e molho. Esse estava um pouco mais doce. Embora gostoso, não era a minha preferencia. A Pri ainda tomou um matchá com pedaços de massa gelatinosa feita com farinha de arroz e um refrigerante curioso chamado ramunê. Ele se abre empurrando uma bolinha de vidro para dentro da garrafa com uma tampa de plástico.


Além disso compramos alguns lanches, batata doce frita em formato de chips, biscoito de amendoim, gengibre para pressão alta, pó para fazer sopa de cogumelos e gengibre em conserva salgada. Alguns itens comeremos em nossos deslocamentos, outros só em casa.


A Pri ainda conseguiu dois achados, entrou numa loja de kimono/yukata usados e conseguiu uma barganha. Levou a peça em si e uma peça que se veste por dentro do kimono, ambas de seda. A outra barganha foi uma loja de pérolas em que ela encontrou três itens a um ótimo preço.


Estávamos um pouco apertados com o horário, passamos rapidamente pelo distrito histórico, para ver o que nos esperava na tarde do dia seguinte, e fomos no hotel deixar as comidas que compramos.


Conseguimos pegar o ônibus para o ryokan. Parte da estrada era a mesma que pegamos ontem, então já estávamos mais familiarizados. Nessa região, Okuhida, há muitos onsens que servem aos Ryokans. Quando chegamos fizemos o check-in e já fomos para as piscinas quentes. 


A região de Okuhida, onde ficava nosso hotel


A Pri se divertiu escolhendo que yukata (kimono leve) usar, entramos em duas piscinas privadas. O quarto tinha piso de tatame e a nossa cama era um futon que ficava sobre o tatame. As camas já estavam prontas quando chegamos. O quarto era todo acolchoado e os móveis eram de madeira, conferindo uma sensação de aconchego.


A entrada do apartamento era separada do quarto em si por uma porta de correr, estilo japonês e a área imediatamente depois da porta de entrada era rebaixada, como já vimos em vários lugares aqui.


Em primeiro plano o futon com cobertores e a gente de yukata


Como estava chovendo a experiência foi mais legal, porque a água quente contrastava com o frio do lado de fora. O anoitecer também deixou o lugar mais bonito.


Uma das piscinas privadas


Subimos para nos arrumarmos para o jantar. Já havíamos escolhido comer kayseki, que é uma série de pratos formando uma refeição completa. As entradas eram variadas, sashimi de peixe espada com inhame em pasta, tofu com quiabo e talos de taro. Havia também um peixe que não identificamos. Além disso, recebemos um preparado de ovos que eu achei muito gostoso.


A recepção do Ryokan

Nosso quarto arrumado já nos esperava


O prato principal eram as carnes de wagyu gradação A5, a de maior qualidade na classificação deles. Provamos cinco cortes: lombo, peito, acém, coxão e fraldinha; essa pelo menos foi a tradução do chatGpt. O meu preferido foi o acém, por incrível que pareça, embora o lombo também estivesse muito bom. Como a gente mesmo preparou a carne, pudemos escolher o nosso ponto. 


As carnes eram preparadas nesse fogão embutido na mesa

As carne em detalhe


Além disso, podíamos nos servir de arroz, arroz com carne, sopa missô, tsukemono (que são vegetais em picles) e soba. Eu pedi uma cerveja, achei legal o tamanho do copo, a Pri pediu um ginger ale que ela adora. A refeição foi muito boa e a experiência do jantar muito legal.

Como o jantar foi servido às 18:00, ainda deu tempo de visitar a piscina termal mais tarde. Porém, desta vez à água estava quatro graus mais quente do que na hora em que chegamos e o termômetro marcava 44° C. Essa diferença é enorme e tornou o banho de agradável para quase insuportável. A Pri acha que a chuva tenha influenciado na temperatura final.



Um comentário:

Anônimo disse...

Qué lindo !!!