terça-feira, 14 de outubro de 2025

Dia 5: Shirakawa-go

Nosso próximo destino depois de Matsumoto foi Shirakawa-go. Para chegar até lá, pegamos um ônibus a Takayama, deixamos nossas malas no hotel, já que dormiríamos nesta cidade, e pegamos um ônibus para Shirakawa-go.


Esta é uma vila localizada num vale, que tem como característica receber uma quantidade enorme de neve, e por este motivo as casas têm o formato de “A”. Em japonês eles chamam de Gassho-zukuri, ou mãos em forma de reza, já que o triângulo de parece com duas mãos juntas como quando se reza. Os telhados são feitos com palha, e uma quantidade enorme de palha. A palha serve como isolante térmico, além disso as casas são de madeira. Há aqui uma tradição de conectar as peças de madeira que formam estruturas das casas. Isso se deve a uma combinação de fatores: escassez de metais, necessidade de flexibilidade para tolerar terremotos e facilidade de reparo. 


O local em si é considerado patrimônio histórico e há um cuidado em preservar e organizar as visitas. A estação de chegada, embora pequena, era muito bem organizada. Uma coisa que me chamou a atenção é a quantidade de pessoas mais velhas trabalhando, não sei se por necessidade financeira ou se por vontade de servir e sentir-se útil. Não conheço a mentalidade por aqui.

Casas típicas de Shirakawa-go

A vila tem muitas casas neste estilo, é possível ver os campos de plantação de arroz. Há diversos canais de água que cortam toda a cidade e há um rio bem próximo, chamado Sho, que tem uma cor azul incrível. Parece até foto editada.

As casas variam de tamanho, mas todas devem se proteger da neve

Embora haja habitantes que parecem viver de agricultura, há muito turismo na cidade e há muitas vendinhas de comida e lembranças. Depois de sair da estação de ônibus fomos para a rua principal e buscamos algo para comer. Começamos com um croquete de carne, um espetinho de carne da região de Hida e outro de porco local. 

No local onde comemos espetinhos, havia esse chapéu para tirar fotos

A carne bovina foi introduzida no Japão durante a reforma Meiji (do imperador que já descrevo) em 1868 e a partir disso se desenvolveu o gado nacional (wagyu). Cada região tem uma raça de gado, mas em geral a ideia é a produção de carne de qualidade, martirizada (com a gordura entremeada). Embora extremamente saboroso e macio, como a carne é muito gordurosa comer muito se torna um pouco mais difícil.


Dali passamos por uma ponte por cima do rio, tiramos umas fotos e voltamos. Achamos outro lugar para comer, dessa vez umas bolinhas de farinha de arroz na brasa e uns triângulos de arroz com carne (bem pouca). Fomos andando para um templo, mas como no caminho havia um lugar vendendo sorvete de leite de gado de Hida, resolvi provar. O sorvete era muito cremoso, segundo a Pri tinha gosto de leite condensado.

A cor do rio não faz jus ao que vimos lá

Tomamos o sorvete enquanto olhávamos o templo. Quando terminamos fomos visitar, os templos até agora são sempre locais abertos, este era no meio da natureza, com belas árvores entre as construções. Gostei dessa simbiose com a natureza, traz uma sensação de tranquilidade que, de certa forma, nos faz ficar mais pensativos.


Parecia que o templo se preparava para alguma festividade, já que além de adereços espalhados pelo templo, havia um enorme toldo no platô principal e um cara testava o sistema de som. Saímos de lá e fomos passear mais pela vila, chegamos a uma das casas que atualmente é um museu. Chama-se Wada, já que a propriedade pertencia a esta família. A casa tem praticamente dois andares, parece mais com um celeiro/estábulo do que com uma casa.  

Dentro do templo Hachiman

Li que o andar de cima destas casas têm janelas nas pontas dos corredores porque na vila se desenvolvia sericultura. Ar corrente e iluminação são necessários para a indústria da seda. No primeiro andar ficava a cozinha, a região onde o fogo era aceso tinha piso de areia, isso se deve à proteção contra fogo. Aliás, essa é uma preocupação que vemos por toda a vila, em todo lado há sinais dizendo que fumar é proibido.

A areia protegendo a casa

Detalhes da estrutura


A estrutura da casa usa amarração de cordas e madeira. As escadas são íngrimes, o primeiro andar tem piso tanto de madeira quanto de tatame de palha. As portas são de correr, caracteristicamente quadrada com fundo branco. Há também aquela varandinha que dá acesso a um jardim.

O primeiro andar da casa era mais dividido

Depois dessa visita, demos mais uma volta pela vila e subimos até um mirante para ver a vila de cima. Havia três policiais ali, além disso, lemos avisos sobre o horário de fechamento do mirante. Essa época do ano começa o outono, mas ainda está tudo muito verde. Algumas folhas já estão vermelhas e aboboras, que é o que ainda esperamos ver ao longo da viagem. 

A vila vista de cima

Na volta, tínhamos assentos separados, mas por sorte, um israelense sentou do meu lado e pedi para que ele trocasse de lugar com a Pri. Ele se prontificou a fazê-lo, mas no final, ninguém sentou ao lado dele. A gente iria juntos de qualquer forma. Comentamos com ele sobre o fim da guerra, a volta dos reféns e sobre outras coisas de outros temas.


De noite tivemos dificuldades em encontrar um lugar para comer, não sei se era feriado ou se segunda às coisas fecham mesmo. Mesmo assim encontramos um restaurante de ramen que parecia ser de estilo chinês. Além de cada um ter comido um ramen, pedimos gyoza. A sopa estava boa, mas não espetacular, já a gyoza estava muito boa.

O jantar

Voltamos para o hotel ainda em tempo de relaxar no banho público de que ele dispunha. Há uma ordem para utilizar o onsen, que é o banho quente. Mulheres e homens usam lugares separados, já que neste onsen, em particular, o banho deve ser feito sem roupas. Nessa área havia uma parte com piscina descoberta, uma banheira individual de pedra e duas piscinas internas, uma quase que individual e rasa com piso de onda.


Primeiro devemos tomar uma ducha para limpar o corpo, depois nos banhamos na piscina, e por fim tomamos o banho com shampoo e sabonete. Notei que os japoneses não ficam na piscina por muito tempo, mas não sei se era pelo horário.


Achei estranho que eles se sentem em banquinhos para tomar banho, talvez seja precaução para não escorregar depois de estar na água quente. Tatuagens também são proibidas e, se por acaso este for o caso, os hotéis oferecem adesivos da cor da pele para cobrir as tatuagens.


Eu, particularmente, achei a experiência estranha. Se comparo com o banho turco a que fui na Hungria, lá fiquei em piscinas menores com água bem quente, tive acesso a uma piscina com água gelada e, podia revezar entre elas.


Amanhã passearemos em Takayama e vamos para o Ryokan na região de Okuhida.





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