Mais um dia em que acordamos cedo, dessa vez para tentar aproveitar mais um banho na piscina privada. Novamente a água estava bastante quente e nem conseguimos entrar direito. Voltamos para o quarto e nos arrumamos para o café da manhã.
Tivemos uma surpresa, nos serviram mais carne de Hida, para ser feita num pequeno fogareiro. As opções de comida eram curry de carne de Hida, missoshiro, ovos cozidos no estilo japonês (que eu já conhecia do hotel japonês em que ficamos neste ano em Amsterdã) e picles diversos. Dentre os picles gostamos bastante de um feito com carne de soja, Além disso havia um feijão grande doce que nunca havíamos provado, a Wikipédia me indica que em português esse feijão se chama feijão da Espanha.
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| Surpresa no café da manhã |
O ponto de ônibus de volta para Takayama era muito perto do Ryokan e o ônibus chegou com apenas dois minutos de atraso. É impressionante que consigam ser tão precisos com um ônibus de estrada.
Takayama, tal como Matsumoto, tem canais de água pela cidade, só que aqui vimos por todos os lados. Os canais não são sujos, não notei acúmulo de detritos ou nada neste estilo. A primeira coisa que fizemos ao chegar foi ir ao hotel para descarregar nossas mochilas. Para evitar deslocamento de malas, havíamos deixado as nossas no hotel em que nos hospedamos antes de ir para o Ryokan, pois tínhamos mais uma noite nele. Isso nos deixou leves para passear hoje. Diferentemente do outro dia, hoje fazia bastante calor.
Primeiro fomos visitar o templo Sakurayama Hachimangu, que é shintoísta e se localiza na beira de uma linda floresta. Esses ambientes são muito legais, há sempre um Torii na entrada, diversas construções, sendo que uma é o salão principal. A decoração tem detalhes, mas não é extremamente rebuscada, há um senso estético sem exageros e um zelo pela arrumação e asseio. Por exemplo, o piso de pedras (uma espécie de brita bem pequena) era varrido com alguma espécie de ancinho para ter um aspecto geométrico.
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| Templo Sakaruyama Hachimangu com floresta ao fundo |
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| Detalhes no templo |
Além disso, como os templos são próximos às florestas, sempre há sombra e eles são mais frescos, o que foi fundamental num dia como hoje. A rua que levava ao templo era cheia de lojinhas, mas estavam todas fechadas. Ainda não entendi se era feriado ou se de fato as coisas são assim. Outra coisa que notamos é que os restaurantes fecham muito cedo, já havíamos tido dificuldades anteontem, e hoje, como veremos, também tivemos o mesmo problema.
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| As construções são de madeira e sempre tem algum detalhe |
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| O portão de entrada com o templo ao fundo |
Nosso próximo ponto para visitar era a sede do governo, jinya, da região de Hida. Na história do Japão, houve um ponto em que um líder militar exercia o controle de fato do país, ao passo que o imperador era uma figura decorativa. Esse líder militar, chamado de shogun, controlava o país desde a capital. Quando Takayama passa a estar sob domínio do shogunato, Edo, atual Tokyo, já era capital.
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| Jinya de Takayama |
Duas coisas me chamaram a atenção, primeiro que havia poucos móveis nas salas, os japoneses fazem tudo no chão, desde refeições até a escrita, com a utilização de mesas bem baixas. A segunda coisa é que a coleta de impostos, computada em sacas de arroz, era feita ali. Não há estabelecimento de governo a não ser com o objetivo de coletar forçadamente o trabalho das pessoas. É impressionante que algumas coisas sejam invariantes (esse é um conceito de computação em que uma informação não muda ao longo da vida do programa) na história.
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| Detalhe da porta |
Outra coisa que notamos é que aqui deve nevar bastante, a sede do governo tinha proteção contra neve e vimos artefatos exibidos mostrando como os locais lidam com ela. A Pri notou umas pedras enormes do telhado, mais tarde descobrimos o motivo: as telhas são de madeira, e sem amarração, esta é a maneira de fixá-las.
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| Telhas e afixação |
Fomos então passear pelo distrito histórico, há diversas casas de madeira muito bem preservadas que guardam o charme histórico do período Edo. Grande parte destas casas hoje abrigam lojas, restaurantes e hotéis. Há diversas ruas deste estilo, com algumas construções mais atuais entremeadas.
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| Jardim interno da Jinya |
Varias destas lojas vendem sakê. Pesquisei, mas Takayama não constavam dentre as principais regiões de produção. A Pri achou uma loja com vários brincos e colares e encontrou coisas que gostou. Eu encontrei uma cervejaria, e depois de encontrar com a Pri, voltamos os dois para lá.
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| Uma loja temática no distrito antigo |
Como acho que estou comendo menos proteína do que normalmente faço, e juntando a isso fato de ter achado que cada sanduíche vendido era meio sanduíche, pedi dois tipos distintos, um com carne de Hida e outro com wagyu. Ambos muito bons, além disso, pedi três provas de cerveja, duas IPAs e uma stout. As três eram excelentes e fiquei feliz com esse lanche.
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| Dois tipos de sanduíches |
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| IPA, stout e IPA sem filtragem |
Voltamos para o hotel, nos arrumamos e fomos comer. Tive uma hora e meia ou duas horas entre o lanche e o jantar. Fomos a um restaurante bem perto do hotel, queríamos provar sukiyaki, que é um prato típico daqui.
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| O Distrito histórico de noite |
Ao chegar, a Pri notou que o restaurante aceitava pessoas até as 20:30, porém, nos avisaram que não havia lugares. A gente falou que esperava, a atendente pegou o celular e falou que havia a possibilidade de que não houvesse mesa disponível em meia hora. A gente retrucou falando que esperaria. Ela então falou que a gente teria de comer até as 21:00. E nós, mais uma vez respondemos, dizendo que comíamos rápido.
Em três minutos nos chamaram para entrar. O cardápio era por código QR, mas não funcionava. Chamamos novamente a atendente. Finalmente vimos o cardápio, embora eu já até tivesse ido à entrada buscar uma versão física deste.
Pedimos o sukiyaki. A atendente falou que não podíamos pedir este, somente churrasco. A Pri pediu por favor e eles não puderam recusar. Íamos comer sukiyaki!
A mesa tem uma boca de fogão que pode ser usada tanto para o churrasco, como fizemos no Ryokan, quanto para a utilização com uma panela. No caso do sukiyaki, a panela é que é utilizada.
Há um passo a passo no cardápio, primeiro aquecemos um pedaço de gordura com cebolinha, mais precisamente a parte do caule. Depois colocamos a carne cortada em fatias bem finas, porém mais espessas que carpaccio, na panela e logo em seguida colocamos o caldo, que é feito à base de soja. Há outros acompanhamentos que vêm com o prato: alface, acelga, cogumelos, tofu e um vegetal cortado em forma de macarrão que não identifiquei bem. Além disso, pedimos macarrão udon.
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| Começando o preparo do Sukiyaki |
Uma vez cozida a carne, a banhamos em ovo cru batido. Alguém pode achar que o ovo cru tem aquele gosto e cheiro de enxofre característico, mas não, ele dá uma textura e cremosidade distinta à carne. Conseguimos fazer tudo o que queríamos hoje.
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| Agora com os vegetais dentro |
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| E finalmente a carne sendo envelopada |

















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