sábado, 25 de outubro de 2025

Dia 13: Feira no templo To-ji e Arashiyama

Há muitos mercados de pulgas no Japão. Estes mercados não vendem exclusivamente itens de segunda mão, há muita coisa nova, artesanato e comida. Alguns ocorrem em datas específicas do mês e hoje ocorreria um destes, na região do templo To-ji.


A principal característica deste templo é possuir uma pagoda enorme. Juntamos a vontade da Pri de visitar uma destas feiras e a minha curiosidade para visitar essa pagoda enorme e decidimos ir para o templo na parte da manhã. 

A enorme pagoda do templo To-ji

A feira era enorme, demos uma olhada e já fomos visitar o templo, novamente composto por dois edifícios e uma pagoda. A pagoda não estava aberta para entrada, mas pudemos chegar bem perto. Visitamos os outros dois prédios e retornamos para a feira. 


A primeira coisa que fizemos foi comer um espetinho de carne e um Yakisoba. A carne estava gostosa, mas não no nível wagyu que comemos antes. O macarrão estava gostoso, foi a primeira vez que comemos este estilo aqui. Ainda provamos broto de bambu na brasa.


A Pri estava procurando itens de cerâmica, rodamos boa parte da feira. Antes da cerâmica ela encontrou um tecido costurado em forma de faixa, que pode ser usado como cinto de kimono, echarpe ou como decoração de mesa.

De alguns pontos da feira víamos a pagoda

Rodamos a feira inteira, achamos ainda a espécie de pergaminho com tema japonês, feita pelo artista que estava na barraca vendendo os itens. Compramos.

Com o artista

Quando já estávamos por ir embora, num cantinho escondido, a Pri achou uma barraca vendendo um pote para preparo e consumo de matcha. Ela ficou muito feliz de ter encontrado justamente o que procurava.


Saímos da feira em direção à região de Arashyiama, mas antes compramos um caqui gigante. Estava muito doce, esse caqui é mais rígido, parecido com o que tem em Israel. 


Pegamos um trem para a estação central de Kyoto e de lá pegamos outro trem para a região de Arashyiama. Essa região abriga alguns templos e tem uma rota de trem que beira o rio. 


Começamos visitando uma ponte que ficava um pouco mais afastada do ponto em que chegamos. Dali fomos passear no templo e jardim Tenryu-ji. Essa região estava lotada, é impressionante a quantidade de turistas que vemos fazendo as mesmas coisas. Espero poder voltar ao Japão para uma viagem só para destinos mais longe, espero que isso diminua a quantidade de visitantes. 

Rio em Arashiyama

A gente ainda queria fazer a rota do trem cênico, então saímos pelo outro lado do jardim do templo com o intuito de voltar para o ponto inicial da estação deste trem, que ficava no lugar onde chegamos à cidade. Por sorte a famosa floresta de bambu de Arashyiama ficava muito perto e resolvemos dar uma olhada. No fim da floresta havia duas estações de trem, uma englobada pelo passe que tínhamos, pensamos em pegar este trem para o início da cidade para então pegar o trem cênico, mas havia uma estação deste trem cênico, e perguntamos se o trem parava ali, sim, parava!

Trilha cênica

Problema resolvido, pegamos o trem. Ainda havia lugares sentados! O percurso foi bem curto, durou vinte minutos, mas a vista realmente era muito bonita, margeando um rio, passando por pontes e túneis. 


No ponto final pegamos um trem normal para a cidade e fomos comer um hambúrguer que a Pri já havia avistado assim que chegamos. O hambúrguer vinha com espetáculo, não somente o queijo era servido abundantemente numa chapa fumegante, quanto havia também uma presepada que fizeram com fogo. O hambúrguer não era somente show, era também muito saboroso. 

Na volta de Arashiyama vimos plantações de arroz

Dali fomos visitar uma instalação artística chamada de floresta de kimono, basicamente uns postes com desenhos e uma lâmpada dentro. Embora simples, o efeito visual era muito bonito. 

A floresta de kimono ficava na estação de trem

Detalhe da instalação artística

Dia 12: Nara e Uji

Como havíamos comprado um passe da empresa de trens do Japão (há mais de uma, compramos um passe da JR West), começamos a fazer diversos deslocamentos. Nosso primeiro destino foi Nara, uma cidade conhecida pelo parque homônimo tomado por cervos (veados). 


O trem demorou por volta de uma hora e quinze, a gente aprendeu que há duas linhas que chegam à Nara, uma delas é da empresa que opera boa parte da malha ocidental e que nos vendeu o passe, a outra é uma outra empresa que opera um trem mais rápido.


Quando chegamos na estação havia uma faixa enorme indicando qual ônibus pegar para as principais atrações da cidade. Enquanto esperávamos na fila, um vídeo instrutivo nos indicava como embarcar no ônibus, como pagar e como desembarcar. O vídeo era muito amador, as pessoas obviamente não eram atores, o ônibus parado enquanto uma pessoa simulava estar viajando. E a cereja no bolo foi que quando o ônibus chegou, a ordem de pagamento inverteu-se, tivemos de pagar assim que embarcamos, exatamente o contrário da instrução do vídeo.


A quantidade de cervos no parque era enorme, e como sabemos, se há vida selvagem há odor forte. Também notamos que os animais não se incomodam ou se intimidam com a presença de humanos. Eles transitam tranquilamente, alguns baixam e sobem as cabeças como o cumprimento japonês, eles aprenderam que antes de receberem biscoitos, os japoneses sempre executam o comprimento, fazem o mesmo.

Veados em Nara

Em mais detalhes

Então, enquanto você está caminhando, acontece de algumas vezes um cervo te cumprimentar aleatoriamente. Alguns ainda se atrevem a te cheirar para ver se você está levando comida. Vi alguns tentando, com a boca, verificar bolsos e bolsas. 

Uma visão do parque em Nara

As pessoas compram os tais biscoitinhos que vêm envoltos em um plástico. Se um cervo avista isso, ele já vai em cima da pessoa. É difícil manter o animal afastado quando numa mão há um pacote com vários biscoitos e um aglomerado se forma em volta. Há gente que simplesmente larga todos os biscoitos no chão. A lição é que aquelas cenas ordenadas que vemos em vídeos são pequenos momentos em que alguém consegue alimentar um bicho isoladamente.


Logo nesse parque fica o templo Kofuko-ji, composto por dois edifícios e uma pagoda. É comum os templos terem dois edifícios, um para reza e outro para ensinamentos, o portão de entrada e muitas vezes uma pagoda. Este possuía todos estes elementos, porém, a pagoda estava em reforma. 


Templo Kofuku-ji

O que lemos recorrentemente aqui é que o templo que estamos visitando foi reconstruído pela última vez numa data tal depois de ter sido destruído pelo fogo tantas vezes. Quando entramos nos templos e vemos que tanto a estrutura quanto as estátuas e adornos são todos de madeira, e que as oferendas sempre têm incenso, entendemos o problema e o risco. 


Seguimos pelo parque para visitar outro templo, Todai-ji. Novamente um templo com uma impressionante estrutura de madeira, estátuas enormes do Buda e dos guardiões, além de contar com uma passagem por dentro de um tronco. A passagem supostamente tem o tamanho da narina da estátua do Buda. Não tentamos passar por ela. 

Templo Todai-ji

Um guardião

Havia mais um outro templo que queremos visitar, cuja atração em centenas de lanternas de bronze, o templo se chamava Kasuga Taisha e ficava no meio da floresta. Foi uma boa caminhada até lá, mas por sorte havia um ponto de ônibus bem perto, o que nos facilitou a volta. 

Detalhes das lanternas em Kasuga taisha

Finda a visita fomos para a estação de trem e pegamos o caminho de Uji, principal produtora de chá verde do Japão. A viagem foi rápida, em direção a Kyoto. Notamos assim que chegamos que a cidade era pequenininha e contava com um centrinho de lojas, além de uma rua beirando o rio.

Rio Uji, em Uji

O primeiro que fizemos foi buscar um lugar para comer, encontramos um restaurante charmoso servindo macarrão soba colorido com matcha. Além disso, o prato que pedimos hoje com picles, tempura, algumas peças de sashimi e outras coisas pequenininhas. Provei uma cerveja de matcha, com a cor bem esverdeada. A sobremesa foi a mais estranha que já comi, alga salgada e um bolinho com pó de matcha.

No restaurante em Uji

Passeamos então pelo centrinho e compramos matcha em diversas lojas, além dos utensílios de medida e preparo. As lojas todas fechavam entre 17:30 e 18:00. Isso é tema recorrente, as coisas fecham muito cedo, e a exceção parece ser Tóquio. Além disso, muitas vezes abrem mais tarde, lá pelas 10:00, isso restringe muito os horários de visitação. 

Rua pavimentada, uma espécie de centrinho



Dia 11: Gion, o bairro tradicional

No nosso primeiro dia acordando em Kyoto, fomos ao bairro de Gion. Esse bairro é muito tradicional e lotado de turistas. Pegamos um ônibus às 8 da manhã já lotado. Saímos perto do templo Kiyomizu-dera, este é um complexo gigantesco. Ele fica no monte Otowa e é bastante visitado.

O templo Kiyomizu-dera

Além do prédio principal, este sustentado por uma incrível estrutura de madeira, há outras construções que chamam a atenção como, por exemplo, uma pagoda enorme. Demos uma bela volta pelo templo, avistamos uma incrível estrutura de dragão e outros detalhes. 

Detalhe da estrutura do templo Kiyomizu-dera

Saindo do templo exploramos um pouco os arredores, havia ruas com itens à venda para turistas, mas também havia cerâmica, novas e usadas, kimonos e yukatas e diversos outros itens. Paramos para comer e tomar algo e descobrimos um negócio chamado vinagre preto. Parece que é de origem chinesa, mas queremos comprar. 


Seguimos nosso passeio, queríamos visitar o templo Hokan-ji, onde ficava uma incrível pagoda. Passamos por ele, mas seguimos em busca do templo Kodaiji. No caminho, após subir uma escadaria enorme, a Pri deu um suspiro. Eu que estava no celular, não vi o que a havia levado a isso. Assim que levantei a cabeça entendi. 

A pagoda do templo Hokan-ji

Era uma estátua enorme de Kannon de 24 metros de altura. O templo é dedicado aos mortos na Segunda Guerra Mundial. A gente ficou tão impressionado que entrou nesse templo antes de entrar no Kodaiji que era nosso objetivo. Finda a visita, fomos para o templo Kodaiji. Este templo é dedicado a Hideyoshi Toyotomi, que filho de um agricultor virou samurai e senhor feudal e foi o segundo unificador do Japão. 

A estátua gigante no templo Ryozen

Além disso, este templo contava com um jardim de bambu. Para mim isso não era novidade, já que onde eu morei havia também um jardim de bambu. Farpa terrível, habitat de cobras!

Templo Kodaiji

A floresta de bambu do templo Kodaiji

Havíamos marcado antes de chegar ao Japão uma apresentação da cerimônia do chá. Essa cerimônia tem muitos detalhes e tem como objetivo um encontro harmonioso entre um visitante e um anfitrião. Havia duas pessoas conduzindo a apresentação, uma senhora que nos explicou os elementos que compõem a cerimônia: o vasilhame de chá, o batedor usado para misturar e fazer espuma, o medidor, um pano para limpeza, um bule, um recipiente para jogar fora a água utilizada para limpeza e uma faixa com dizeres de boas vindas ou alguma outra mensagem, e uma menina que de fato executou a cerimônia.

A dupla de instrutoras

Foi-nos dito que a cerimônia dura até quatro horas, nós vimos somente os finalmente. A cerimônia tem muito detalhe, há uma forma de pegar o lenço para limpar, para guardar, como posicionar o recipiente, como mexer o batedor de chá, como medir, como pegar o medidor, é muito detalhe. Imagine se para tomar um café com leite fôssemos tão preciosistas. Obviamente essa cerimônia tem um outro significado e não é para o dia a dia. 

O recipiente de preparo e o batedor

Depois da cerimônia, andamos pelas diversas ruas do bairro de Gion, a Pri encontrou um lugar com incensos ótimos, compramos alguns. Ela também comprou um hashi e gravou seu nome em katakana. Agora ela tem um hashi especial para comer macarrão com seu nome escrito em japonês. 


Na entrada dos templos há guardiões contra maus espíritos

Sempre estão em pares

Jantamos num restaurante especializado em gyoza, provamos três tipos: com alho, na sopa e um outro feito no vapor. Ainda pedimos um arroz negro e uma carne com ovos. Tudo estava extremamente saboroso, no final ainda agradeci ao chefe. 

Restaurante especializado em gyoza

Banquete de Gyoza

Antes de entrar no restaurante um fato curioso se deu. Estávamos na fila para entrar quando duas senhoras bem velhinhas se aproximaram com uma bolsa. Eu não tinha ideia do que esperar.  Uma delas pega um pote com um aparato para aumentar a fricção no caso de abertura de tampa e me estende o pote. Ela queria que eu abrisse para ela, depois de um pouco de esforço, devolvi o pote aberto.


Não sei o que elas falaram para a Pri, mas foram uns cinco minutos de conversa. Amanhã visitaremos Nara.





quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Dia 10: Chegada a Kyoto

Pegamos dois trens para chegar em Kyoto. Não tivemos nem dez minutos para trocar de trem, mas conseguimos. Ainda no primeiro trem recebemos as instruções de como chegar na plataforma de onde sairia o trem seguinte. Como viajamos apenas cada um com uma mala do tamanho permitido para embarque, levamos uma bolsa dobrada, neste ponto da viagem já começamos a utilizá-la, mesmo assim se locomover é fácil e isso acabou nos ajudando a chegar em tempo.


Uma vez em Kyoto tínhamos que coletar o passe que compramos e com o qual faremos as seguintes viagens. Entramos na fila da máquina e fizemos isso, para reservar as passagens tivemos de entrar em outra fila. Só pudemos fazer duas reservas, entramos na fila novamente para tirar algumas dúvidas. 


De lá, fomos para o hotel deixar as malas e subir para o mercado de comida Nishiki. Novamente provamos alguns quitutes, frango, camarão tempura, polvo grelhado, pata de caranguejo. A Pri comprou um mochi para viagem.

Teramachi, uma rua de compras colada no mercado de comida Nishiki

Mercado de comida Nishiki

Comida aguardando para ser preparada

Dali pegamos um ônibus, completamente lotado, para Kinkaku-ji. Esse é o famoso templo dourado, o prédio foi transformado num templo após a morte do proprietário dessa casa. 


O cenário é realmente lindo, com um lago em torno da pagoda, permitindo que um belo reflexo se forme para aqueles buscando uma foto perfeita. Como o templo é muito visitado, há um percurso organizado em circuito fechado.

O cenário de Kinkaku-ji

Detalhes do templo Kinkaku-ji

Kinkaku fica perto de dois outros templos e tínhamos de optar por somente um por conta do horário. Optamos pelo Ryoan-ji, que conta com um jardim zen. Esperamos um pouco o ônibus e já notamos que o transporte em Kyoto não é tão pontual quanto o de Tóquio, o que faz sentido quando se opera mais ônibus. Para não gastar mais tempo esperando, decidimos pegar um táxi. Agora aprendemos outra coisa!


O jardim é na verdade uma área com 15 pedras no terreno que é coberto por brita bem pequena. Ao redor das pedras, as britas eram varridas contornando suas formas, no restante da área do jardim, o padrão com o qual as pedras haviam sido varridas era paralelo aos muros. Além deste jardim o templo ainda contava com uma fonte de água em que a parte receptora da água era um anel com quatro dizeres em japonês, aparentemente esse um dos símbolos do templo 

O famoso jardim zen

A pedra receptora de água

Também havia um belo lago no templo, demos uma volta completa observando a natureza cuidadosamente tratada para manter um aspecto de originalidade, embora saibamos, é obra de cuidado humano.


Agora, depois de visitar dois templos, resolvemos voltar para a região perto do hotel, especificamente para uma rua chamada Pontocho. Essa é uma viela paralela ao rio Kamo, com muitos, mas muitos restaurantes. Andamos de um lado ao outro, mas nada chamou nossa atenção. 

Pontocho

Resolvemos procurar um ramen no Google maps, achamos um, fomos atrás. Quando chegamos era um restaurante estilo boteco. Resolvemos arriscar, e que risco bem recompensado. O restaurante tinha um aspecto muito ruim, parecia sujo. Os cozinheiros/garçons usavam botas e uma toalha na cabeça 

Detalhe do restaurante de ramen

Um ralo passava pelo chão de ponta a ponta e a água da torneira escorria incessantemente. Havia apenas uma opção de ramen, pelo que entendemos do cardápio escrito única e completamente em japonês. Pedimos também gyoza, e eu, uma cerveja. 


Que ramen gostoso! Em geral, se um estabelecimento com esse aspecto ainda está aberto, quer dizer que ele tem qualidade. Essas surpresas que eu adoro em viagens! 


Quanto saímos do restaurante chovia muito, dessa vez eu estava com um guarda-chuva e não tive muito problema. 


segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Dia 9: Kanazawa, bairros de época

Começamos o dia num horário razoável, o primeiro que fizemos foi visitar um distrito chamado Higashi Chaya, também conhecido como bairro das gueixas. Aliás, as gueixas são artistas femininas treinadas em canto, dança e música. Elas são uma forma de entretenimento para uma clientela abastada, além de realizar apresentações, também são versadas em conversação. 

Uma rua característica do período Edo

Assim que chegamos na região visitamos uma casa do período Edo, a casa tinha uma entrada com um pé direito enorme no corredor e depois cômodos se dividiam. A casa me pareceu muito bem iluminada, achei interessante que tinha um poço de água dentro. 

O enorme pé direito

À direita da entrada, a cozinha e uma sala

Foi uma boa ideia ter chegado tão cedo porque a rua principal estava bem vazia, fizemos boas fotos. Estava tão vazio que até a Pri foi entrevistada por umas crianças numa atividade escolar. A gente conseguiu visitar uma casa de chá assim que abriu, estes eram os recintos em que as gueixas se apresentavam. A casa é interessante, pequena, mas parecia confortável. Novamente, ela tinha um jardim de inverno e um poço de água.

A casa de gueixa Sima

O Jardim interior da casa de gueixa

A maneira como as gueixas cantam soa desafinado para o ouvido ocidental, é curioso como o senso estético ou artístico de alguém possa ser tão distinto a ponto de agradar a uns e incomodar a outros. 


Esse distrito tinha muitas lojas legais, uma delas era somente com objetos utilizando folhas de ouro, e, por incrível que pareça, os preços eram bem razoáveis. Compramos um gatinho com a pata levantada e a Pri ganhou brincos bem legais. Além disso a loja vendia copos com detalhes em ouro, potes lindos com semelhantes detalhes e até bolo com uma camada de ouro por cima.

Copos com detalhes dourados

Os gatinhos da sorte (maneki-neko)

Outra loja incrível que visitamos foi uma de cerâmica, havia tantas opções que ficamos perdidos, no final escolhemos um modelo incrível para incenso, com suporte e caixinha. Entramos em mais uma loja de produtos laqueados, mas no final não compramos nada. 

Variedade de cerâmicas

De lá fomos para o templo Ishiura, a coisa mais legal deste templo é que havia caminhos feitos de torii. Um destes era cheio de amarrações de fitinhas, outro levava à rua de cima. Eu errei a marcação no mapa e andamos uns 20 minutos para uma região sem muitas atrações, quando nos demos conta, voltamos e encontramos um lugar para comer. 

Optamos por curry, que é bem famoso aqui. Escolhi os sabores carne e cogumelo com bacon, a Pri escolheu frango e cogumelos com bacon. Tomei uma cerveja local muito boa.

Toriis sem fitinha

Torii com fitinha

Nossa próxima parada era o Distrito Nishi, aquele que eu havia marcado errado no mapa que citei anteriormente. Em vez de ir diretamente para o bairro, fomos para o templo Myouryuji. Esse templo tem um a história interessante, ele foi eregido pela família Maeda. Na época vigia a proibição de edificações com mais de três andares, então o templo foi construído para parecer ter apenas dois andares quando visto de fora, mas por dentro foi construído de forma a ter muitos aposentos em níveis diversos. 

Há diversas características interessantes desta construção, por exemplo, uma escada embutida numa parede falsa, uma porta de correr na qual cada lado revela uma passagem para aposentos distintos, uma caixa de doações como as que vemos nas entradas dos templos, mas com fundo falso, e diversos outros truques. Esse templo funcionava como uma segunda residência para o clã Maeda, além de servir de linha de defesa do castelo de Kanazawa. Embora a visita tenha sido toda feita em japonês, havia uma pasta com bastante informação. Eles se esforçam para atender aos turistas. 

A entrada do templo Myouryuji


Agora sim fomos visitar o distrito Nishi, este bem menor que Higashi, composto de praticamente uma rua apenas. Não havia muita gente por ali e pouca coisa para ver. Fomos caminhando para o último distrito de interesse, Nagamachi, conhecido como distrito dos samurais. Os samurais eram da classe de guerreiros e serviam como soldados de lordes feudais, quando um guerreiro destes não servia a nenhum lorde, era conhecido como ronin.

A rua do bairro Nishi

Há diversos filmes que exploram essa temática, meu preferido é Yojimbo, de Akira Kurosawa. Aliás, esse filme é tão bom que uma versão não autorizada foi filmada por Sérgio Leone, chamada Por um Punhado de Dólares, com Clint Eastwood. Este também um filme incrível. Outra série que eu gosto dessa temática é Lobo Solitário (em inglês se chama Lone Wolf and Cub, que corresponde mais à dinâmica do filme, com um bebê sempre acompanhando o ronin).


Entramos em algumas lojas de cerâmica, de acessórios e de artes. Corria um rio pela lateral das casas, aliás, em várias cidades isso se repete, água corrente muito próximo às residências, sempre nos lembrando de que isso é essencial para nossa vida. Tínhamos agora de passar na estação para pegar o ticket de trem do dia seguinte, logo depois de sair do distrito dos samurais avistamos uma sorveteria e provamos alguns sabores bem diferentes. Eu peguei três bolas, uma de abóbora com caramelo, uma de castanha portuguesa e outra de maçã. Todos ingredientes daqui, a Pri pegou os mesmos sabores, mas em vez de maçã, escolheu leite e mel de uma flor nativa. O sorvete era bem diferente do que conhecemos, por exemplo, do estilo italiano, mas era gostoso.

O distrito Nagamachi

Quase chegando na estação, vimos vários restaurantes, um particularmente nos chamou a atenção porque a Pri havia comentado que gostaria de comer num restaurante em que o sushi-man fizesse a comida na nossa frente. Depois de trocar a passagem voltamos e entramos.

O torii moderno mudava de cor 

Esse display de água mudava os anúncios

O cartaz na porta do restaurante dizia que o chefe era o mais velho na profissão na região de Ishikawa, que ele era contra a reforma trabalhista e que trabalhava 365 dias por ano. Tivemos o auxílio de um casal belga que nos ajudou a navegar o restaurante. Fizemos nosso pedido, já havíamos sido informados de que só se aceitava dinheiro e partimos para os sushis. comemos dentre outros: atum, ovas, camarão e mais. Foram servidas dez rodadas, cada uma com duas peças para cada pessoa. Eu ainda tomei duas cervejas e ganhamos tamago, omelete no estilo japonês, de entrada. A experiência foi muito boa, queremos encontrar outro restaurante no mesmo estilo.


Dentro do restaurante

O sushi-man conosco

Amanhã viajamos para Kyoto.