Último dia de viagem e tínhamos ainda algumas coisinhas para fazer. Como nossas malas ainda não estavam completamente fechadas, demos uma boa arrumada antes de sair de casa, isto nos atrasou um pouco a saída, mas era necessário para saber o espaço que tínhamos, bem como para deixar tudo esquematizado para o dia da viagem.
Começamos o dia indo visitar o Mercado Tsukiji (se pronuncia skidji). Há não muito tempo, aqui ficava o mercado de peixe de Tóquio, mas agora o mercado foi transferido para outro lugar, porém os restaurantes que já existiam pelo lugar continuam abertos. Havia muitos turistas por lá, as lojas que vendiam coisas não eram tão caras, os restaurantes é que tinham os preços "extremamente turísticos". Não ficamos muito tempo lá, mas como estávamos perto de Ginza, pudemos começar o dia olhando do que se tratava a área antes de partir para outros itens da programação.
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| O mercado Tsukiji |
No caminho para Ginza se localizava o teatro Kabuki, eu já o havia visto, mas a Pri ainda não, então tomamos o caminho dele. Vimos que era possível visitar, mas que hoje a visitação não ocorreria. Pudemos, no entanto, visitar a lojinha deles, que tinham alguns itens interessantes. Novamente, notei que eles mantinham a calefação numa temperatura muito alta, não estava agradável. Isso é tema recorrente por aqui.
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| Uma das ruelas do mercado Tsukiji |
Depois fomos comer algo no Starbucks, pegamos um salgado e um doce em estilo italiano. Voltamos à papelaria Itoya e demos uma boa volta nela. Compramos alguns cartões e outros itens, tais como mini-bonzais de plástico que você mesmo monta. A loja hoje estava muito mais vazia do que quando visitei, no final de semana.
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| Embaixo de linhas de trem sempre tem restaurantes |
Já era hora de almoçar e escolhemos um restaurante de sushi de esteira. Fizemos a festa, pedimos vários tipos de sushi em nosso último almoço no Japão. Quanta coisa gostosa pudemos comer. A Pri ainda ganhou um brinde, um pratinho para colocar molho shoyu, algo que tentamos no primeiro dia e não conseguimos.
Dali a Pri seguiu para visitar umas lojas que ela queria ver, tais como Shiseido, Issey Miyaki e eu fui tentar cortar o cabelo. Nessa volta ela encontrou (e comprou) as toalhas imabari, que são toalhas extremamente macias e com ótima reputação.
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| Combinado de atum |
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| Algum peixe branco |
Primeiro tentei numa barbearia ali perto de onde estávamos, mas achei muito moderna, eu queria algo mais tradicional. Então voltei para a região do hotel e fui atrás de uma barbearia que já havia pesquisado. Deixei algumas coisas no hotel e me encaminhei para a barbearia. Já do lado de fora notei que ficava numa casinha, com aquele tradicional sinal de barbeiro do lado de fora.
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| Godzilla e Toho, a companhia pelo qual vi os filmes de Kurosawa |
Entrei, um senhor cortava o cabelo de outro senhor. Um silêncio sepulcral. Aguardei pacientemente até minha vez. Quando fui convidado a sentar, usei o tradutor para tentar comunicar ao barbeiro o que eu queria, um corte de cabelo e aparar a barba. Ele fez que entendeu. Perguntou se eu morava no Japão, falei que era apenas turismo. Ele perguntou para onde eu fui, citei todos os lugares.
Foi isso de conversa, ele se pôs a trabalhar. Primeiro, uma toalha quente na cabeça, em seguida o corte de cabelo que deve ter demorado pelo menos 20 minutos. Ele começou limpando a região em volta da orelha com uma navalha. Depois disso, ele abriu algo que parecia uma geladeira, mas na verdade era uma pia que vinha do móvel em frente à cadeira. De repente, na minha frente estava uma pia para lavar o cabelo.
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| Toalha quente na cabeça |
Ele puxou uma mangueira e lavou meu cabelo. Tive de inclinar meu corpo para frente para que ele fizesse o trabalho. Ao voltar para a cadeira, como é tradicional no Japão, recebi uma massagem na cabeça. Estava pronto para a próxima etapa. O barbeiro pegou uma máquina e começou a desbastar a barba. Acho que ele não entendeu bem e ele não contornou a barba, mas tudo bem, eu já estava satisfeito. Levantei-me, ele buscou uma escova e limpou minha camisa.
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| A cena de uma barbearia tradicional |
Se há uma coisa que eu gosto de fazer em viagens é cortar o cabelo. É parte das coisas quotidianas que eu tento colocar em viagens para ver um pouco mais da vida local. Outra é visitar supermercados, ver que produtos há à disposição, o que se compra, o que se come.
Voltei para o hotel e esperei a Pri chegar, fomos comer um ramen como nossa última refeição antes da volta. Perto do nosso hotel tinha uma abundância enorme de restaurantes, escolhemos um que parecia ser bom e fomos nele mesmo. Foi uma boa escolha, além do ramen também pedimos gyoza e arroz frito. Todo restaurante de ramen a que fomos vendia gyoza, parece ser algo comum aqui.
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| O último ramen |
Amanhã é nosso voo, de manhã vamos para o aeroporto e é isso. O Japão me deixou uma impressão muito positiva. Nunca vi lugar tão limpo, organizado e silencioso. Eu achei incrível, a natureza do país também é muito bonita e a gente nem foi para os extremos, no norte, na prefeitura de Hokkaido, o inverno é muito intenso, no sul, na prefeitura de Okinawa, o clima é subtropical. Ambas devem ter paisagens incríveis e cultura distintas.
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| Um brinde ao Japão |
Há tanto o que se explorar no Japão que mais viagens são necessárias. Vamos ver o que o futuro nos reserva.
PS: Por algum motivo o avião voltou pelo Pólo Norte, atravessamos o estreito de Bering, depois fizemos a curva antes da Groenlândia e entramos no continente europeu pela Dinamarca. Para nossa surpresa, durante esse percurso, uma mensagem apareceu na tela dizendo que quem estivesse do lado esquerdo poderia ver a Aurora Boeral. Foi uma festa no avião, estávamos no lado esquerdo e pudemos ver as incríveis luzes verdes e de outras colorações. Foi uma bela surpresa que encerrou muito bem a viagem.
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| A rota pelo Pólo Norte |
O Japão foi o país mais organizado, limpo e silencioso que eu já visitei. É completamente diferente de todos os lugares em que já estive, especialmente diferente dos lugares em que já morei. Deve haver problemas porque toda essa organização vem ao custo de uma coesão social que deve ter um outro lado como menos independência e respeito extremo à hierarquia. De todos os modos, é um exemplo em diversos aspectos para praticamente o mundo todo. Tem seus problemas históricos, mas isto é óbvio, continua sendo um país feito por seres humanos, que são falhos.
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| Tristes por ir embora |














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