sábado, 8 de novembro de 2025

Dia 17: Osaka

Começamos o dia indo em direção ao templo Namba Yasaka, este é um templo curiosíssimo que tem forma de cabeça de leão (bom, pelo menos é um leão visto aos olhos dos Japoneses que o construíram). O formato do templo é curioso e bem interessante e este é seu maior atrativo.

Templo Namba Yasaka 

Tal como vimos pelo país inteiro, há templos e locais de oração por toda a cidade. Como podemos ver na foto, há prédios altos do lado deste templo. Este tema é recorrente em nossa viagem, estamos andando e, do nada, aparece algum templo lindo no meio dos prédios. Não sei se os prédios é que vieram depois ou se o templo é ali posto para dar um local de alívio e de meditação para os moradores.

O templo visto da rua

De lá fomos visitar um outro templo, Shitenno-ji, considerado o templo budista mais antigo do Japão. Como já vimos em diversos outros lugares, ele possui os três elementos que normalmente um templo tem: um edifício principal, um edifício de estudos e uma pagoda. Além dos portões de entrada.

Shitenno-ji, considerado o templo mais antigo do Japão

Em particular, a área deste templo era enorme e condizente com o fato de ter sido o primeiro templo a ser construído no Japão. Vimos muitos monges passando pelo templo, em maior número do que havíamos visto até então em outros lugares, o que me faz achar que além de templo era um centro de estudos e formação.

Outra vista de Shitenno-ji

Algo que me veio à cabeça após visitar tantos templos e, ao conectar o que conheço de outras religiões, é que é fascinante como uma cultura teológica estrangeira pode conquistar um país a ponto de o país considerar essa a principal vertente de pensamento. Claro, elementos nativos são incorporados, mas as pessoas passam a defender a linha teológica como sendo sua. Este fenômeno se repente pelo mundo inteiro. É curioso, como podemos assumir uma identidade que nos é externa e/ou nos foi imposta. 

A pagoda depois do portão

Até então não havíamos subido em nenhuma pagoda e eu, em particular, queria fazê-lo. Então, assim que entramos no templo fomos subir na pagoda. Esta havia sido reconstruída e era de concreto. Fiquei um pouco decepcionado já que sabia que esta seria a última pagoda que visitaríamos e que eu não havia conseguido subir em nehuma pagoda de madeira, e que tivesse em especial, uma varanda aberta.

A pagoda reconstruída

Mas o que podíamos fazer? Havíamos visitado diversos templos com pagodas, algumas estavam fechadas à visitação, outras estavam em reforma, numa viagem é importante ser flexível e aceitar que nem tudo que gostaríamos de fazer será possível. Bom, mais um ponto para uma próxima viagem ao Japão.

Estátua de Shiran, fundador de uma vertente de budismo

Imediatamente após essa visita fomos fazer algo que eu aguardei boa parte da viagem: comprar facas de cozinha. O Japão é muito conhecido pelos instrumentos de corte, inicialmente espadas, mais recentemente facas feitas utilizando as mesma técnicas de fabricação daquela desenvolvida para espadas. A loja que escolhi visitar se chama Tower Knives, isso porque ela se encontra bem próxima a uma torre famosa chamada Tsutenkaku.

Torre Tsutenkaku, em Osaka

Eu já havia pesquisado bastante sobre lojas e sobre estilos de facas. A variedade de facas existentes no Japão impressiona e há algumas regiões que têm um histórico longevo de produção de espadas, e que utilizam esse know-how na produção de facas.


Uma destas regiões é Sakai, que fica um pouco ao sul de Osaka e, por isso, a loja que visitei foi estabelecida em Osaka, é um compromisso entre um centro de produção e uma cidade grande. A loja em si não é muito grande, mas conta com um mostruário muito bem organizado, um balcão para demonstrações das facas, ou seja, podemos testar os modelos, um segundo mini-balcão para demonstrações e ainda uma oficina de reparo e finalização de produção.


Passamos quase duas horas na loja, escolhi dois modelos. O primeiro modelo escolhido foi uma faca Nikiri, cujo formato é retangular, bem tradicional no extremo oriente. Essa faca é específica para lidar com vegetais e frutas, desde aqueles mais duros como abóbora japonesa ou batata doce até os mais delicados como o tomate. Aliás, uma boa maneira de testar uma faca é ver se ela corta bem tomate sem esmagar a fruta e sem provocar que muita água saia dele.

À esquerda, uma Santoku, à direita, uma Nikiri

Essa Nikiri, especificamente, tem a lâmina de aço damasco, que é aquele que parece que tem umas ondas desenhadas. Além disso, o cabo é no estilo ocidental, que nos é familiar. Para a minha segunda escolha, eu estava inicialmente inclinado a comprar uma faca Santoku. Este nome significa três virtudes e é assim chamado porque a faca poder ser usada para cortar peixe, carne e vegetais. 


A vendedora me mostrou uma outra faca, chamada de Gyuto, que é uma faca mais parecida com as facas europeias estilo chefe. Eu testei ambas, achei a Gyuto maior e mais difícil de manipular. Como eu já tenho facas ocidentais que uso para carne, resolvi comprar a Santoku. Escolhi um modelo com cabo estilo japonês, que é octogonal, isso confere um caráter original à faca e é diferente da Nakiri. 


Como algo extra, pude gravar meu nome nas lâminas. Havia a opção de fazê-lo em caracteres japoneses e foi o que fiz! As palavras estrangeiras seguem uma regra para adaptação ao alfabeto japonês Katakana, então escrevi meu nome e de acordo com a regra fonética deles, eles adaptaram para o alfabeto.

Ainda tivemos instrução de como amolar e cuidar da faca. Eles tem um canal no YouTube, definitivamente vou ter de rever antes de amolar a faca pela primeira vez.

Feliz depois da compra

Saí bastante satisfeito da loja. Buscamos um restaurante para comer e acabamos indo num que poderíamos, se quiséssemos, pescar o nosso próprio peixe. Resolvemos pedir o que estava já na cozinha e não nos envolvemos na pesca. Uma das tradições da cidade é comida frita empanada, então pedimos peixes, frutos do mar e ainda pedimos coisas não fritas, como sushi.

O letreiro do restaurante era incrível

Novamente recebi o copo pequenininho para tomar cerveja, este é um copo menor do que o que conhecemos como copo americano no Brasil. Isso faz parecer que a cerveja dura mais do que normalmente duraria.  

Parte do restaurante era tomado por estas piscinas com peixes

Depois fomos para outro empreendimento do mesmo grupo da loja de facas, um bar! Isso é que é diversificar a área de atuação da empresa, facas e cerveja. Como estávamos perto da região que tinha um prédio do qual poderíamos ver a cidade, fomos andando até ele. O nome deste complexo é Abeno Harukas. De lá, fomos até o distrito de venda de produtos de cozinha. 

Vista de Osaka a partir da Abeno Tower

O distrito de vendas é uma mistura de restaurantes, lojas de comida, lojas diversas. Numa delas vimos fliperama e um nos chamou a atenção. Um cara jogava Super Mario Bros, o original. Existir um video-game disso é incrível, porque o jogo não foi feito com esse propósito, cada jogo tem um propósito e público/local alvo. Mário não foi feito para ser jogado em fliperama com fichas.


Voltando para a galeria de utensílios domésticos, havia uma loja ao lado da outra. Os produtos variavam em preço, beleza e utilidade. A Pri achou várias coisas legais entre potes para molho de soja, apoiador de hashi, potes de arroz com desenhos lindos, copos de chá e até tigela de sopa.


Era bem difícil escolher, porque as lojas eram lotadas de itens e pessoas. Em algumas era até difícil caminhar, porque os corredores eram estreitos, tudo era de porcelana e a gente estava carregando mochilas pesadas. Eu tomei um cuidado enorme para não esbarrar em nada, até coloquei a mochila para frente.

Depois de almoçar, fomos passear pela mesma região

Decidi comprar o que queria em Tóquio, primeiro porque carregaria menos peso, tanto comigo quanto na mala, e, segundo, porque eu achava que lá haveria mais opções e mais lojas. Depois de rodar nesta região, fomos para outra região perto dali, essa dedicada à moda e com diversas lojas de roupas.


Entramos na Levi's e acabamos por descobrir que eles estão vendendo modelos de calças de períodos históricos. Também vimos que aqui no Japão eles permitem a personalização através da costura de emblemas diversos que exibem num mostruário. Uma pena que a parte masculina fosse tão pequena e com tão poucas opções, caso contrário teria me animado a comprar mais uma calça.


Chovia muito e resolvemos comer num restaurante de ramen bem perto. Talvez tenha sido nossa segunda decepção com comida em toda a nossa viagem. Não foi terrível, mas deixou a desejar, sobretudo porque o inglês do pessoal e a tradução nos levou a entender algumas informações de maneira errada. Pensamos que o ramen viesse completo, mas não foi o caso, tivemos de pedir extras para formar o ramen que queríamos.

Osaka depois da chuva

Ficamos na dúvida entre visitar o castelo de Osaka ou voltar para o hotel, já que chovia ainda bastante e era tarde. Decidimos voltar para o hotel, arrumar as coisas e descansar um pouco para o dia seguinte, que seria nossa volta à Tóquio, nossa última parada antes da volta.

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