domingo, 9 de novembro de 2025

Dia 19: Um dia de compras

Começamos o dia um pouco mais tarde, como tudo que queríamos fazer abria mais tarde, não havia motivo para sair de casa cedo, embora eu sempre queira sair cedo quando estou viajando e não consigo me controlar. Tomamos o café da manhã no próprio hotel, que tinha um café bem legal. 


Nosso primeiro destino foi uma loja de eletrônicos, mas que vende muito mais do que isso. O nome da loja é Yodobashi camera e vende muita coisa que eu queria comprar, por exemplo, canetas, lapiseiras, barbeador elétrico e até relógio. Fizemos excelentes compras na loja e fomos deixar as coisas no hotel, já que estávamos bem perto.  A Pri já comprou meu presente de aniversário do ano que vem, um relógio, mas ainda não o ganhei, só no aniversário!

Yodobashi camera

Em vez de seguir visitando outras lojas pela região, fomos para o outro lado da cidade para o curso que tínhamos marcado de Kintsugi. Essa é uma arte japonesa que serve como metáfora para a vida. Quando um objeto cerâmico quebra, temos duas opções diante de nós: comprar um novo item para repô-lo ou realizar um conserto para tornar o item especial.


Esta forma de arte é baseada na ideia de que reparar algo quebrado o torna mais forte e mais bonito. Este conceito casa com outro conceito japonês chamado de Wabi-sabi, que enxerga beleza na imperfeição, notando que tudo é imperfeito e nada é permanente. 


Antes de entrar no curso ainda encontramos um restaurante vendendo kurepan para viagem. Esse é uma espécie de pão recheado de curry, que não é originalmente japonês, e depois frito com panko para dar uma textura crocante. Pedimos dois sabores, carne e camarão. O pão é crocante e o recheio é saboroso.

O local que vendia o pão de curry

Entramos no local do curso, nos apresentamos, efetuamos o pagamento e pusemos as roupas de proteção para lidar com produtos químicos. O curso foi ministrado por um especialista no assunto que previamente trabalhou em outros ramos e nos disse que seu chamado na vida era a cerâmica. Imaginem um prato quebrado, o reparo que exercemos consistia nos seguintes passos.

O prato quebrado, lado que usamos para treinar

Primeiro, arredondar as bordas de onde o prato havia sido quebrado, criação de dois pontos que chamassem a atenção para quem quer que olhe para o prato, o primeiro ponto maior e o segundo menor. Segundo, junção das partes através da utilização de resina extraída de plantas. Terceiro, preenchimento do fundo do prato e das rachaduras com laquê tradicional japonês. Quarto, realce das rachaduras e dos pontos de atenção através da utilização de pó de ouro para embelezamento.


Começamos fazendo o reparo na parte inferior do prato para aprender a usar as técnicas e depois passamos para a parte de cima, que é mais visível. No total ficamos quase duas horas no curso. Gostei bastante de fazê-lo, mesmo que ele tenha sido uma versão bem curta do processo tradicional, já que usamos alguns produtos mais modernos. Esse parece ser um hobby bem interessante.

Mr. Taku Nakano

Quando o curso terminou, voltamos para a área em que estávamos pela manhã e visitamos uma região com lojas de artesanato. O local ficava debaixo de um viaduto e tinha algumas lojas interessantes, mas nada fora do comum. 

Mais um espaço aproveitado debaixo da linha de trem

Dali fomos visitar a loja Super Potato, que vende itens de videogame e jogos de cartas, mas não baralho, cartas de heróis ou universo fantástico. Eu fiquei interessado na parte de videogames, mas eu visito estas lojas muito mais como um museu do que como uma loja em si.

Super Famicom, para a gente, Super Nintendo

Ver consoles antigos, jogos antigos rodando e fitas me deixa feliz. Dentre os consoles vimos Atari 2800, Neo Geo, Famicom (que é o Nintendo de 8 bits versão japonesa), Super Nintendo, Super Famicom, Nintendo 64, Master System e Mega Drive. Vimos cartuchos para todos os consoles também. 


Depois fui procurar as lojas do tipo que deram a Akihabara o apelido de electric town. Antes de acertar nos levei para um prédio que só tinha coisa de animê, lotado e sem janelas, subimos e descemos sem encontrar nada do que eu queria ver. Frustrado, descemos o prédio e fui tentar encontrar o que eu queria ver. 

Nessa região havia uma exposição com os primeiros heróis japoneses, Ultraman

Quando finalmente encontramos, ficou óbvio que era isso que eu queria ver. Diversos componentes eletrônicos, lembrando a época do segundo grau em que íamos para o centro comprar material para nossos projetos. Também vimos vários itens de segunda mão, inclusive câmeras, rádios e tamagotchis. Para quem não lembra, houve uma época em que era febre cuidar de um dispositivo eletrônico pré-programado como se fosse um animal de estimação. Isso ainda é vendido no Japão, parece que houve um ressurgimento disto agora.

Uma galeria dedicada à eletrônica e a produtos de segunda mão

Detalhe interno

Depois de todo esse passeio resolvemos comer em um sushi preparado no balcão por um chefe. Escolhemos um restaurante na estação de trem Akihabara e tivemos uma surpresa ao chegar. O restaurante não tinha bancos, comíamos em pé! Cada lugar tinha seu próprio tablet e por ali podíamos pedir o que quiséssemos, o chefe recebia o pedido e preparava na nossa frente. Provamos várias coisas, gostei muito do atum e de alguns peixes brancos. Talvez esse tenha sido o sushi mais saboroso que tenhamos comido em nossa estadia. Tudo estava realmente bem gostoso.


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