sábado, 8 de novembro de 2025

Dia 16: Museu Memorial da Paz, Himeji e chegada à Osaka

Começamos nossa manhã com uma visita ao Museu Memorial da Paz em Hiroshima, para chegar lá tomamos um bondinho. Aliás, desde ontem a noite tivemos uma ótima impressão da cidade, por ter sido reconstruída recentemente, ela tem um ar bem moderno, as ruas são enormes, há muita coisa nova e o sistema de transporte com bondinhos é bem legal.

Hiroshima tem ares de cidade americana

O museu, como não podia deixar de ser, tem um conteúdo bem pesado. Ele aborda o ataque atômico em si, as consequências imediatas do caos que se instalou logo após o bombardeio, as sequelas das pessoas que estavam lá na hora do ataque, bem como a série de eventos que ocorreram como consequência direta do ataque. Além disso, há diversas seções explicando desde o funcionamento da bomba até a escolha de Hiroshima como alvo.

O horário em que a bomba atômica foi detonada

Estava lotado, sequer havia guias de áudio para que pudéssemos escutar com mais detalhes. Como o conteúdo foi tão pesado, talvez tenha sido melhor nem ter pego o guia. 

O Hall da Promoção Industrial, depois e antes

Para não entrar em muitos detalhes pesados, tristes e chocantes, duas coisas me chamaram a atenção. A primeira foi que ocorreu uma chuva tóxica de uma substância negra viscosa. Muita gente estava desesperada por água e acabou bebendo isto. A outra foi que muita gente achava que os sobreviventes estavam fingindo ter problemas e indisposição, houve um preconceito enorme, mesmo dentro do Japão, contra os sobreviventes.

Uma informação que eu já havia escutado, mas que recentemente revi, foi a de que, por mais contra-intuitivo que pareça, os ataques com bomba atômica reduziram o número de mortos do lado do Japão. A professor Sarah Paine argumenta neste vídeo que o número de pessoas morrendo de fome estava aumentando significativamente e que o término antecipado da guerra poupou a vida de muita gente, na casa dos milhares. 

Além disto, há um outro fato, a desonra é algo muito sério na cultura japonesa, e é melhor perder a vida numa batalha do que voltar para casa como um soldado fracassado (referência). Para reforçar o ponto, vi um vídeo (não encontrei a referência) em que um americano explicava que eles matavam um grupamento quase que inteiro de soldados e os últimos se recusavam à rendição e se matavam. Há também a famosa a história de um soldado que só se rendeu em 1974, e, curiosamente, foi morar no Brasil em 1975.

Depois que terminamos a visita, passeamos pelo parque no qual fica o museu e vimos novamente, agora de dia, o Domo A. Este edifício era o Hall da Promoção Industrial e a bomba explodiu a uma altitude de 600 metros acima do nível do mar e a 150 metros do domo. O ataque ocorreu no dia 6 de Agosto de 1945, às 8:15 da manhã. 


O Hall da Promoção Industrial

Uma outra dúvida que eu tinha era o motivo de Hiroshima ter sido escolhida. Havia diversos critérios para a escolha, os americanos formaram um comitê para isso. A cidade devia ser um alvo militar, suficientemente concentrada em um pequeno raio, preferencialmente se localizar entre montanhas para potencializar o efeito da bomba. Havia diversas cidades candidatas e Hiroshima foi escolhida dentre elas. 

O monumento às vítimas e o Hall da Promoção Industrial ao fundo

Eu não sabia, mas Hiroshima era um centro militar importante, um hub logístico de onde muitos ataques pela Ásia tiveram origem. A cidade era relativamente grande, mas não enorme, e era rodeada por montanhas. Eu sempre imagino o que teria sido se outro alvo fosse escolhido. Essa era a lista de alvos: Kyoto, Hiroshima, Yokohama, Kokura, and Niigata (fonte).


Pegamos o trem para Himeji depois de pegar nossas malas no hotel, que como havia dito, era perto da própria estação. A viagem durou menos de uma hora, e como esta é uma parada conhecida por este lado do Japão, a estação de trem tinha lockers suficientes para os diversos turistas que fazem esse passeio de um dia (ou menos) na cidade de Himeji.


O grande atrativo da cidade é um castelo espetacular, construído unicamente com madeira e contando com sete andares. A Pri viu um cara com uma placa de guia que falava inglês e resolvemos passear com ele. Foi uma ótima decisão porque aprendemos bastante sobre o castelo.

O castelo de Himeji

Das coisas que ele me falou, algumas me chamaram muito a atenção. Primeiro, o carpinteiro mestre sabia a planta inteira de cabeça, como o castelo era um ativo estratégico e sigiloso, não havia plantas para sua construção. Segundo, o castelo tinha essa altura porque havia duas colunas que eram na verdade troncos enormes de árvores. E terceiro, o castelo demorou apenas oito anos para ser construído entre 1601 e 1609, em sua última encarnação. Uma reforma recente demorou oito anos usando maquinário moderno.

O castelo de Himeji de outro ângulo

Como citei anteriormente, o carpinteiro mestre tinha todo o projeto na cabeça. Para facilitar a vida dos obreiros algum método de identificação das partes era necessário, então, o carpinteiro mestre indicava que elemento de madeira devia ser encaixado através de inscrições nas partes. Vimos, em diversas toras de madeira indicações sobre o local onde ela deveria ser posta e no que ela encaixava e o que construía. Até hoje as indicações são visíveis.

O interior do castelo

Fora a incrível beleza, todos os mecanismos de defesa e os detalhes, o que mais me impressionou foi o fato de o castelo ser um edifício de sete andares todo de madeira. Isso é algo impressionante. Que se possa construir algo tão alto apenas de madeira sempre vai me deixar surpreendido, até embasbacado.

O fim do dia trouxe cores mais alaranjadas

Nosso passeio foi muito legal, vimos muita coisa do castelo e nosso guia, Yoshihiro (se me lembro bem o nome), nos ensinou muito sobre o castelo e o período em que o castelo foi construído. Uma coisa que aprendemos foi que a torre principal era usada para armazenar armamentos e ninguém morava nela. A residência do daymio era numa casa perto do castelo, protegida pelos muros, mas não na torre principal do castelo.

Mais uma visão do lindo castelo

No final da visita, ainda no castelo, havia dados mais técnicos, tanto sobre o castelo quanto sobre a última reforma. E, dentre elementos expostos, havia uma maquete construída recentemente quando se deu a reforma que mencionei anteriormente. Só de olhar a maquete dá para ter ideia de como foi um trabalho hercúleo construir o castelo.

A maquete do castelo de Himeji

De Himeji pegamos um trem e fomos para Osaka. Chegamos já de noite, e este hotel foi o com pior localização que escolhemos na viagem inteira. Pensamos que a área seria boa para ficar, porque era perto de bastante coisa, mas acabou que ficamos numa área muito movimentada de noite. 

A entrada de Dotonbori, uma região cheia de restaurantes

O hotel também tinha a janela virada para um beco entre a parede de dois edifícios e era bloqueada por uma parede recuada para dentro do beco, a luz entrava por frestas. Deixamos nossas coisas e fomos andar pela rua, numa região chamada Dotonbori.

Por algum motivo, o painel do homem correndo é famoso

O lugar tinha muitos restaurantes e era frequentado por muita gente mesmo. Estava incomodamente cheio. Uma coisa que achamos interessante foi que os letreiros dos restaurantes eram muito elaborados, alguns com animação mecânica, outros em alto relevo. Isso é algo bem diferente no Japão, o visual conta muito na cultura, especialmente em restaurantes. Letreiros, cardápio, moldes de comida, tudo te mostra o que é o estabelecimento e como são os pratos.

O restaurante com letreiro mecânico

Outra coisa muito comum aqui é que o sistema de pedidos é muitas vezes feito através do telefone celular, você abre uma página que te conecta a uma mesa, faz o pedido e em algumas ocasiões, até fecha a conta e te permite realizar o pagamento.

Dotonbori, rio, e roda-gigange

Bom, primeiro comemos um salgado típico de Osaka que é uma massa que tem um pedaço de polvo dentro. Foi a segunda vez que comemos isso e definitivamente não é dos nossos proferidos. Depois tentamos pela segunda vez comer Omurice, que é um arroz com omelete no topo. Novamente, insistimos em algo que não é lá muito gostoso. Por sorte pedimos também um frango frito, este sim estava bom.

Rio Tombori

A região onde ficam estes restaurantes tem diversas ruas cobertas com lojas e restaurantes dentro e, além disso, um rio passa no meio. É possível passear pelas margens do rio e até andar de barco. Achamos a cidade bem mais suja que todos os outros lugares em que estivemos. Fomos dormir depois deste longo dia de viagens e visitas, exploraremos a cidade no dia seguinte.


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