sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Dia 15: Hiroshima e Miyajima

O trem entre Kyoto e Hiroshima ocupou a primeira parte da manhã. A Pri conseguiu finalmente pegar o trem com decoração da Hello Kitty, não foi trem bala, mas serviu. Até o banheiro tinha Hello Kitty como tema. Antes de embarcar, a Pri notou que uma loja famosa de cheese cake estava vazia, conclusão, compramos uma e a comemos inteira no caminho. 


Chegamos à estação de Hiroshima e nosso hotel era muito perto, deixamos as malas e voltamos para a estação principal, já que de lá era mais fácil ir até a barca que nos levaria à ilha de Itsukushima, onde fica a vila de Miyajima. 


A ilha se localiza bem perto de Hiroshima, praticamente em frente, e é muito conhecida pelo famoso torii dentro do mar. Quando pegamos a barca, já avistamos o monumento desde o barco. Assim que chegamos, o que fizemos foi caminhar em direção ao templo onde ficava este portão. 

O torii flutuante

O templo ao qual pertence este torii fica bem próximo a ele, e tal como o torii, também parece flutuar quando a maré está alta. Veremos no fim da tarde o outro lado da moeda.

Templo de Itsukushima

Tal como vimos em Nara, nesta ilha também há veados que te cumprimentam pedindo comida. Aliás, vimos durante o dia algumas cenas de turistas tendo sido abordados de maneira mais ríspida para a obtenção de comida. Chegamos, no fim do dia, a ver uma mulher levantar o sorvete e o veado ficar em duas patas, com as dianteiras apoiadas na turista, para comer o sorvete dela.


Uma das iguarias famosas da ilha são as ostras cozidas, embora este não fosse o modo de preparo único das ostras. Primeiro comemos uma que vinha em cima de uma bolinha de arroz. Como já era perto do meio dia, a Pri sugeriu que fizéssemos a parte mais dependente de horário do passeio logo. Isto é, pegar um teleférico para subir boa parte do monte Misen. 


No caminho para o terminal inicial do teleférico, ainda pegamos uma ostra grelhada que estava excelente. A Pri ficou fascinada pela ostra e queria planejar comer mais um quitute deste antes de voltarmos para Hiroshima. Cada um comeu duas ostras com diversos molhos. O local ainda tinha algumas lojinhas de souvenir e passava por um rio, com pontes no estilo japonês, tudo muito bonito.


O ponto final do bondinho nos deixava a meia hora de caminhada do topo. Como o dia estava quente, isso foi muito bem vindo. Além disso, subir o monte todo desde a base até o cume demoraria mais do que o tempo que tínhamos disponível. Havia uma fila relativamente grande para pegar o teleférico, mas não tomou nem uma hora. Havia uma parada intermediária para trocar de linha, com uma fila bem menor. O primeiro trecho que fizemos tinha um bondinho comportando de seis a oito pessoas, o segundo trecho tinha um bondinho que comportava até trinta pessoas.


Vista parcial a partir do mirante

Assim que chegamos no ponto final, havia um mirante, que fomos conferir. Depois partimos para a caminhada de meia hora por trilha, algumas partes com piso rígido, outro com pedras e areia. O caminho subia e descia e não era constante. Ao longo do trecho inicial havia muita natureza e algumas aberturas para vistas espetaculares. 

Vimos um japonês com roupa social, completamente empapado em suor e com cara de sofrimento voltando da trilha. Também vimos algumas outras pessoas esbaforidas. O dia estava quente, embora no meio da mata, com a proteção da copa das árvores estivesse bem fresco. Mas isso não foi suficiente para impedir que eu transpirasse, afinal, era exercício. 

Hiroshima ao fundo

Havia diversos templos e construções no caminho, numa delas havia até uma panela com água quente para que os peregrinos tomassem. Não conseguimos visitar todos os templos construídos, já que muitos ficavam fora da trilha principal, mas vimos num mapa que havia muito coisa que poderíamos ter escolhido visitar.

Um dos templos que encontramos subindo o monte Misen

Sobre as vistas, e inclusive a que tivemos no topo do monte, algumas eram em direção de Hiroshima, e também era possível ver outras ilhas salpicadas pela região. No topo havia uma estrutura bem construída que nos permitiu ter uma visão excelente dos arredores, tomamos vantagem do ponto mais alto para dar uma boa olhada em tudo ao redor.

Vista do monte Misen

Dali começamos o caminho de volta que significava voltar os trinta minutos de caminhada, depois pegar dois teleféricos e caminhar dez minutos entre o ponto inicial e o centrinho da vila. Na volta, o restaurante que vendia ostras grelhadas já estava fechado, uma pena, a Pri estava torcendo para que o restaurante ainda estivesse aberto. Sem ostras disponíveis, pegamos um espetinho de polvo na barraquinha em frente.

Vista dese o templo de Itsukushima

Eu passei na cervejaria de Miyajima para pegar uma cervejinha. Logo depois entramos no templo Itsukushima, em que ficava o torii no mar. Aliás, é interessante que quando chegamos a maré estava alta e o torii parecia estar no meio da água, mas quando a maré baixou, notamos que se podia acessar o torii caminhando pela areia. 

Quando a maré baixa, pode-se ver o templo em terra

Muitas pessoas vão para o lado do torii tirar fotos

O templo é bem legal porque ele fica em cima da água, embora possa ser acessado também quando a maré baixa. Depois dessa visita, caminhamos um pouco mais pelo centro, para sorte da Pri, uma outra loja estava aberta e vendendo ostras! Aproveitamos para pegar mais uma antes de voltar, dali ainda visitamos o centro de informação turística para tentar pegar um selo. Ainda deu tempo de tomar mais uma cervejinha na mesma cervejaria. A barca estava por chegar e chegamos em tempo para voltar para Hiroshima. 

Uma visão noturna do Torii

Queríamos provar um prato famoso de Hiroshima, chamado de Okonomiyaki. Ele é uma espécie de panqueca gigante cujos ingredientes variam, aliás, o nome já diz isso: okonomi em japonês significa algo como “o que você quiser” e yaki significa grelhado. A versão de Hiroshima que comemos tinha macarrão como base, repolho e broto de feijão em abundância como segunda camada de base, uma banda de panqueca e molho, fora ovo e carne de porco.

Okonomiyaki sendo preparado

O prato é feito numa grelha em nossa frente. O cozinheiro usa a chapa com este propósito, que tem duplo papel, além de panela também é mesa, já que as bordas de madeira servem a esse propósito. O restaurante é todo em torno da cozinha. 

Escolhemos nosso restaurante num andar de um prédio em que havia diversas opções, um restaurante do lado do outro. Imagine entrar num prédio em que um andar é todo dedicado a restaurantes de uma só especialidade. O andar nem era muito grande, mas estava cheio de turistas e locais, dividindo lado a lado o balcão, ou mesa, para se deliciar com quitutes.

Depois de todas essa propaganda, nosso veredito é de que a comida não era nada demais, mas como é característico de Hiroshima, tínhamos de provar. Pode ser que se tivéssemos escolhido uma versão mais gourmet, fosse mais ao nosso gosto, mas em geral, preferimos sempre provar a versão original antes de quaisquer pedidos mais arrojados.

Ainda não era tarde e resolvemos passear pela praça da paz para ver o Domo A, um dos edifícios que sobreviveram ao ataque atômico. A visão in loco de um edifício que eu já tinha visto tantas vezes em livros de história, torna o evento atômico mais paupável e mais próximo.

Hall da Promoção Industrial, atualmente conhecido como Domo da Bomba Atômica

Com o tempo restante da noite, fomos visitar o castelo de Hiroshima, como muitos castelos no Japão, este é uma reconstrução em concreto. Como as construções aqui eram majoritariamente de madeira, como já citei, diversos edifícios foram refeitos depois de terem sido destruídos por eventos naturais, fogo ou como resultado de sua destruição por guerra. 

Fica até difícil julgar até que ponto uma reconstrução é mais ou menos original do que a outra. Neste caso, a reconstrução se fez necessário porque a detonação da bomba atômica também atingiu o castelo. Mas pelo país, outras reconstruções se deram bem antes da era moderna e como resultado de guerras internas.

Portão externo do Castelo de Hiroshima

Amanhã começaremos o dia visitando o Museu Memorial da Paz, depois nos dirigiremos à Osaka, fazendo uma parada no meio do caminho para visitar o castelo de Himeji.

Torre principal do castelo de Hiroshima


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