quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Dia 21: O último dia de viagem

Último dia de viagem e tínhamos ainda algumas coisinhas para fazer. Como nossas malas ainda não estavam completamente fechadas, demos uma boa arrumada antes de sair de casa, isto nos atrasou um pouco a saída, mas era necessário para saber o espaço que tínhamos, bem como para deixar tudo esquematizado para o dia da viagem.


Começamos o dia indo visitar o Mercado Tsukiji (se pronuncia skidji). Há não muito tempo, aqui ficava o mercado de peixe de Tóquio, mas agora o mercado foi transferido para outro lugar, porém os restaurantes que já existiam pelo lugar continuam abertos. Havia muitos turistas por lá, as lojas que vendiam coisas não eram tão caras, os restaurantes é que tinham os preços "extremamente turísticos". Não ficamos muito tempo lá, mas como estávamos perto de Ginza, pudemos começar o dia olhando do que se tratava a área antes de partir para outros itens da programação.

O mercado Tsukiji

No caminho para Ginza se localizava o teatro Kabuki, eu já o havia visto, mas a Pri ainda não, então tomamos o caminho dele. Vimos que era possível visitar, mas que hoje a visitação não ocorreria. Pudemos, no entanto, visitar a lojinha deles, que tinham alguns itens interessantes. Novamente, notei que eles mantinham a calefação numa temperatura muito alta, não estava agradável. Isso é tema recorrente por aqui. 

Uma das ruelas do mercado Tsukiji

Depois fomos comer algo no Starbucks, pegamos um salgado e um doce em estilo italiano. Voltamos à papelaria Itoya e demos uma boa volta nela. Compramos alguns cartões e outros itens, tais como mini-bonzais de plástico que você mesmo monta. A loja hoje estava muito mais vazia do que quando visitei, no final de semana.  

Embaixo de linhas de trem sempre tem restaurantes

Já era hora de almoçar e escolhemos um restaurante de sushi de esteira. Fizemos a festa, pedimos vários tipos de sushi em nosso último almoço no Japão. Quanta coisa gostosa pudemos comer. A Pri ainda ganhou um brinde, um pratinho para colocar molho shoyu, algo que tentamos no primeiro dia e não conseguimos. 


Dali a Pri seguiu para visitar umas lojas que ela queria ver, tais como Shiseido, Issey Miyaki e eu fui tentar cortar o cabelo. Nessa volta ela encontrou (e comprou) as toalhas imabari, que são toalhas extremamente macias e com ótima reputação.

Combinado de atum

Algum peixe branco

Primeiro tentei numa barbearia ali perto de onde estávamos, mas achei muito moderna, eu queria algo mais tradicional. Então voltei para a região do hotel e fui atrás de uma barbearia que já havia pesquisado. Deixei algumas coisas no hotel e me encaminhei para a barbearia. Já do lado de fora notei que ficava numa casinha, com aquele tradicional sinal de barbeiro do lado de fora.

Godzilla e Toho, a companhia pelo qual vi os filmes de Kurosawa

Entrei, um senhor cortava o cabelo de outro senhor. Um silêncio sepulcral. Aguardei pacientemente até minha vez. Quando fui convidado a sentar, usei o tradutor para tentar comunicar ao barbeiro o que eu queria, um corte de cabelo e aparar a barba. Ele fez que entendeu. Perguntou se eu morava no Japão, falei que era apenas turismo. Ele perguntou para onde eu fui, citei todos os lugares.


Foi isso de conversa, ele se pôs a trabalhar. Primeiro, uma toalha quente na cabeça, em seguida o corte de cabelo que deve ter demorado pelo menos 20 minutos. Ele começou limpando a região em volta da orelha com uma navalha. Depois disso, ele abriu algo que parecia uma geladeira, mas na verdade era uma pia que vinha do móvel em frente à cadeira. De repente, na minha frente estava uma pia para lavar o cabelo.

Toalha quente na cabeça

Ele puxou uma mangueira e lavou meu cabelo. Tive de inclinar meu corpo para frente para que ele fizesse o trabalho. Ao voltar para a cadeira, como é tradicional no Japão, recebi uma massagem na cabeça. Estava pronto para a próxima etapa. O barbeiro pegou uma máquina e começou a desbastar a barba. Acho que ele não entendeu bem e ele não contornou a barba, mas tudo bem, eu já estava satisfeito. Levantei-me, ele buscou uma escova e limpou minha camisa. 

A cena de uma barbearia tradicional

Se há uma coisa que eu gosto de fazer em viagens é cortar o cabelo. É parte das coisas quotidianas que eu tento colocar em viagens para ver um pouco mais da vida local. Outra é visitar supermercados, ver que produtos há à disposição, o que se compra, o que se come.


Voltei para o hotel e esperei a Pri chegar, fomos comer um ramen como nossa última refeição antes da volta. Perto do nosso hotel tinha uma abundância enorme de restaurantes, escolhemos um que parecia ser bom e fomos nele mesmo. Foi uma boa escolha, além do ramen também pedimos gyoza e arroz frito. Todo restaurante de ramen a que fomos vendia gyoza, parece ser algo comum aqui. 

O último ramen

Amanhã é nosso voo, de manhã vamos para o aeroporto e é isso. O Japão me deixou uma impressão muito positiva. Nunca vi lugar tão limpo, organizado e silencioso. Eu achei incrível, a natureza do país também é muito bonita e a gente nem foi para os extremos, no norte, na prefeitura de Hokkaido, o inverno é muito intenso, no sul, na prefeitura de Okinawa, o clima é subtropical. Ambas devem ter paisagens incríveis e cultura distintas. 

Um brinde ao Japão

Há tanto o que se explorar no Japão que mais viagens são necessárias. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

PS: Por algum motivo o avião voltou pelo Pólo Norte, atravessamos o estreito de Bering, depois fizemos a curva antes da Groenlândia e entramos no continente europeu pela Dinamarca. Para nossa surpresa, durante esse percurso, uma mensagem apareceu na tela dizendo que quem estivesse do lado esquerdo poderia ver a Aurora Boeral. Foi uma festa no avião, estávamos no lado esquerdo e pudemos ver as incríveis luzes verdes e de outras colorações. Foi uma bela surpresa que encerrou muito bem a viagem.

A rota pelo Pólo Norte

O Japão foi o país mais organizado, limpo e silencioso que eu já visitei. É completamente diferente de todos os lugares em que já estive, especialmente diferente dos lugares em que já morei. Deve haver problemas porque toda essa organização vem ao custo de uma coesão social que deve ter um outro lado como menos independência e respeito extremo à hierarquia. De todos os modos, é um exemplo em diversos aspectos para praticamente o mundo todo. Tem seus problemas históricos, mas isto é óbvio, continua sendo um país feito por seres humanos, que são falhos. 

A Aurora Boreal

Essa viagem vai ficar marcada, antes mesmo de ir embora já estava com vontade de visitar novamente. Há muitos lugares no mundo que ainda quero visitar, talvez uma próxima visita fique para mais adiante, mas a memória, essa fica.

Tristes por ir embora

Dia 20: Museu Nacional de Tóquio e algumas comprinhas

Hoje decidimos tomar café da manhã como um salaryman, ou seja, como um trabalhador assalariado japonês. Como comer fora aqui não é tão caro, há restaurantes para todas as refeições, inclusive café da manhã. 


O café da manhã tradicional japonês é bem diferente do que aquele que conhecemos no Brasil. Eles comem peixe, sopa e arroz de manhã. Queríamos ter essa experiência e fomos a um restaurante que servia este tipo de comida perto do nosso hotel. Primeiramente fizemos o pedido numa máquina, depois sentamos num lugar e esperamos pelo nosso número ser chamado. Buscamos nosso pedido no balcão e comemos. 

Café da manhã japonês

O nosso pedido contava com uma missoshiro, que é sopa de missô, salmão grelhado, um pote de arroz, um preparado de carne e cebola além de uma saladinha. Chá era gratuito, como também acontece nos restaurantes de sushi, além de água. 

No café da manhã

Notamos que o restaurante não estava lotado, mas que entravam e saíam pessoas com alguma frequência. Inclusive, a pessoa que entrou atrás da gente estava esperando para usar a mesma máquina que na qual estávamos fazendo o pedido, porque era a única que aceitava dinheiro. Pouco depois ele veio à nossa mesa nos entregar um dos tickets que havíamos esquecido de pegar. Ainda notamos que ele estava gravando um vídeo enquanto comia, já já o encontraremos no YouTube. 

O restaurante do café da manhã

Dali fomos para o Museu Nacional de Tóquio para ver um pouco do que se produz de arte no Japão e a história geral da arte no país. O museu era enorme e não fizemos nem a metade, visitamos apenas um dos diversos edifícios. Dentre os itens que vimos, havia caixas decoradas, kimonos, espadas e armaduras, bonecos de madeira, guardiões de templos, itens religiosos, biombos, papiros, tecidos e muitos mais.

Uma caixa cheia de detalhes

A minha mãe sempre gostou muito da estética oriental e, por isso, nossa casa tinha diversos destes objetos decorando a sala de estar. Por isto, tenho como referência diversos elementos que ao olharmos conectamos à China e Japão. Por exemplo, lembro-me nitidamente de um biombo pequeno com temática de árvores, leques em vasos, vasos pequenos de porcelanas ou ainda sábios chineses em porcelana. 


A nossa sala de estar era dividida em dois ambientes, cada um com uma mesa de centro e algumas mesas que eram postas ao lado dos sofás e cadeiras. Estas mesas centrais e laterais eram decoradas com caixinhas laqueadas, algumas com cadeados, outras que eram caixas de música, e ainda outras com alguns elementos em relevo. 


Lembro-me que havia um biombo com uma espécie de jardim 3D separado por duas placas de vidro, compondo uma paisagem. Conto isto para mostrar como estes elementos formaram minha percepção estética e como não vejo nenhum destes elementos como tão estranhos a mim.


O museu contava com objetos de literatura, como por exemplo, um papiro contendo O Conto de Genji, um trabalho clássico considerado o primeiro romance japonês, escrito por uma nobre chamada Murasaki Shikibu, no século XI. Outros papiros, lindamente decorados, eram contratos ou ainda outros contos épicos. O detalhe de cada um destes trabalhos era incrível, obviamente, não eram textos para a massa.

Uma ilustração de O conto de Genji, escrito por Murasaki Shikibu e
ilustrado por Kano Ryusetsu Hidenobu.

Também havia uma exposição grande de peças de kimono, que ao longo do tempo foi mudando e atendendo sempre a novas necessidades, desde ser uma peça de luxo para a nobreza, como para atender a necessidades mais mundanas. 

Um kimono formal, uchikake, do período Kamakura

Um estilo de arte que eu gosto muito é o Ukiyo-e, que é uma espécie de impressão feita a partir de placas de madeira esculpida. O artista cria painéis de madeira que em conjunto pode usar para imprimir em sequência uma cena, cada parte do painel recebe a aplicação de uma tinta que no final das contas é transferida para o meio em que o desenho será criado. 

A gravura Odai é parte da série
The Sixty-nine Stations of the Kisokaido
de Hiroshige Utagawa

Este estilo de arte se desenvolveu entre os séculos XVII e XIX. Um destes artistas que é bem conhecido é Hokusai, que criou uma série de quadros que engloba o famoso A grande onda de Kanagawa. Há outros artistas famosos como Utagawa Toyokuni que tem painéis famosos como Gueixas, Samurais dentre outros.

Na loja do museu, já na saída, havia diversos itens interessantes, mas um que me chamou a atenção em especial foi uma réplica de um par de quadros famosos representando os deuses do vento e do relâmpago e trovão. Esta figura me chamou a atenção pela incrível semelhança com o personagem Blanka, do título de vídeo game Street Fighter 2. 

Fujin, o deus do vento no shintoísmo

No jogo a história é que ele teria sofrido uma queda de avião na floresta amazônica e o contato com enguias elétricas teria gerado essa mutação. Porém, depois de visitar o Japão e ter contato com essa figura, não compro mais essa história. 


Depois de visitar o museu fomos comer um ramen, este com base de missô. Embora gostoso, ele fica um pouco enjoativo depois de tanto tomar o caldo. Dali pegamos um trem e fomos para o bairro de Yanaka Ginza, que não tem nada a ver com Ginza. 

Mais um ramen

A promessa era que Yanaka Ginza fosse ser um bairro charmoso que preservava ainda as características de Tóquio de antes da guerra. Além disso, contaria com diversas lojinhas legais e alguns restaurantes. Chegando lá, notamos que a área da visita é apenas uma rua com diversas lojas, embora de fato o local fosse charmoso, havia pouco para se fazer, algumas lojas estavam fechadas e aquelas abertas não tinham preços tão convidativos.

Chegando em Yazaka Ginza

Parecia um centro comercial exclusivo para turistas e com preços para turistas. Isso contrastava muito com o que em geral encontramos no país, mesmo em locais turísticos, os preços eram em geral razoáveis e não parecia haver lojas cujo alvo era apenas turistas. Claro que em Kyoto vimos isto por todos os lados, mas não foi a regra. Um outro ponto que trazia algum charme para o local é que havia diversas estátuas de gatos espalhadas pela rua.

Uma casinha em Yanaka Ginza

Depois de rodar as lojas, fomos para um outro tipo de mercado de rua, chamado de Ameyoko no bairro de Ueno. Neste lugar vendia-se de tudo, desde tênis até comida, lojas vendendo chá verde, salgadinhos, docinhos e até um supermercado chinês. Neste mercado encontramos um vinagre que estávamos buscando desde que o provamos em Kyoto, trata-se do vinagre preto Shanxi, que é do norte da China. Gostamos tanto que fomos atrás. 

Rua Umeoko, em Ueno

Essa região tinha tantas lojas quanto pessoas, tudo muito cheio e confuso. No meio desse caos todo havia um templo, como muitas vezes há no Japão. Há templos por todos os lados, e quando não são templos, há pequenas casas de veneração no meio da rua. Essa rua tinha mais cara de Uruguaiana do que a organização japonesa a que acabamos por nos acostumar. 


Encontramos uma loja vendendo produtos de chá verde, tomamos um sorvete de chá verde, como fizemos ao longo de toda nossa viagem. A Pri encontrou alguns chás para levar para o pai dela. Aliás, o pai da Pri é fascinado pelo Japão e conhece muito da cultura. Volta e meia ele nos fazia uma pergunta do tipo: já comeram tal coisa (um nome em japonês completamente específico)? Ou, tiveram a oportunidade de ver (outro nome japonês), que é o festival de tambores? Ele sabe muito da cultura japonesa! Impressionante que saiba tanto de outro país sem nunca ter posto o pé nele. 


Ainda havia mais um lugar que eu queria visitar neste dia, como era o penúltimo dia, eu queria fazer o máximo para liberar o último dia e ficar mais tranquilo. Fomos à rua Kappabashi, que é onde há as lojas que fornecem os produtos para os restaurantes japoneses. Mesmo com duas horas para caminhar pela rua, não conseguimos chegar nem perto de explorá-la como se devia fazê-lo. 


A rua contava com lojas vendendo todos os tipos de produtos. Produtos de cerâmicas, hashis, facas, copos, panelas, era tanta coisa que valeria a pena dedicar um dia inteiro (e uma mala inteira) para produtos gastronômicos. Eu, particularmente, ainda queria comprar uma tigela de sopa, um hashi e ver o que havia por lá. 


Depois de tomar cerveja em todos os lugares com o copo pequeno, que imagino comportar 150 ml, queria um desses para mim. A primeira coisa que fizemos foi visitar uma loja de itens de cerâmica, demos uma volta e, quando perguntei que horas fechava, nos programamos para dar uma volta na rua e voltar em tempo.


Entramos em diversas lojas atrás da tigela de sopa. Não achei nada que gostasse e que ainda lembrasse o Japão. Isto porque se há algo com cor de terra ou cinza, bem rústico, eu gosto, mas isto não lembra o Japão, é um item que pode ser comprado em qualquer lugar. Hashi eu queria um tipo específico, para comer macarrão. Como o macarrão é mais escorregadio, o hashi tem de ter a ponta áspera ou com ranhuras, para aumentar o atrito e não deixar o macarrão escorrer. 


A rua também contava com diversas lojas de facas, tive vontade de entrar em todas elas, mas sem tempo, acabei pulando todas. Finalmente a Pri encontrou a loja vendendo itens de vidro e lá comprei os copos de cerveja! Também entramos numa loja que vendia produtos relacionados ao preparo de café e compramos um moedor manual da marca japonesa Hario. Até termos espaço em casa, este passa a ser nosso moedor oficial.


Na volta para o metrô passamos na primeira loja que visitamos na região, comprei a tigela que eu havia gostado, feita no Japão e com desenho que remetia aos padrões que vimos durante a viagem, mas não tão detalhado e com itens japoneses quanto aquela que a Pri comprou na feira em Kyoto. Também compramos dois copos de chá bem bonitos.


Como tínhamos muitas coisas na mochila e em sacolas, decidimos voltar para o hotel para descarregar. Isto porque sabíamos que nos carregaríamos novamente. Nosso próximo objetivo era encontrar um mercado japonês perto do hotel. Indo para um mercado que encontrei no mapa, passamos por diversos restaurantes. 


Novamente, os restaurantes ficavam próximos à linha do trem. Isso parece servir a dois propósitos, primeiro é o aproveitamento de espaço, em Tóquio há tanta gente, há tanto público para comida, e falta tanto espaço que cada lugar é aproveitado. Além disso, perto das linhas e, especialmente estações, há sempre gente e isso é público.


No mercado compramos, wasabi, furikake, molho de soja, e até arroz! Contamos com a ajuda de um funcionário que falava bem inglês e acabamos perguntando um monte de coisas para ele. Notamos que o mercado também vendia comida pronta e que isso é algo cultural deles.


Estávamos com fome e fomos jantar, escolhemos outro Izakaya para comer. Escolhemos o bar que nos pareceu bom e pedimos para sentarmos em mesas, não havia mesas disponíveis, foi-nos oferecido o bar. Pedimos para esperar, mas ele falou que não ia ter como. Depois de algumas idas e vindas, aceitamos. Ele então diz que o pagamento só poderia ser feito em dinheiro, com a cabeça respondemos, ok. Ele emenda, dinheiro do Japão. Rimos e falamos, tudo bem.


Notamos que cada um destes restaurantes sempre tem alguma coisa diferente. Estávamos atrás dos espetinhos, mas provamos mais coisas, como por exemplo um bife de kobe ensopado, uma casquinha de siri que, surpreendentemente, estava recheada de macarrão. 

A entrada do izakaya

Pedimos novamente a salada de cenoura com batata doce frita, essa deve ser um clássico aqui. Pedimos uns espetinhos de carne e frango e alguns pratos fritos. Foi um belo fim de noite e um ótimo penúltimo jantar.

A incrível salada de cenoura e batata doce frita

domingo, 9 de novembro de 2025

Dia 19: Um dia de compras

Começamos o dia um pouco mais tarde, como tudo que queríamos fazer abria mais tarde, não havia motivo para sair de casa cedo, embora eu sempre queira sair cedo quando estou viajando e não consigo me controlar. Tomamos o café da manhã no próprio hotel, que tinha um café bem legal. 


Nosso primeiro destino foi uma loja de eletrônicos, mas que vende muito mais do que isso. O nome da loja é Yodobashi camera e vende muita coisa que eu queria comprar, por exemplo, canetas, lapiseiras, barbeador elétrico e até relógio. Fizemos excelentes compras na loja e fomos deixar as coisas no hotel, já que estávamos bem perto.  A Pri já comprou meu presente de aniversário do ano que vem, um relógio, mas ainda não o ganhei, só no aniversário!

Yodobashi camera

Em vez de seguir visitando outras lojas pela região, fomos para o outro lado da cidade para o curso que tínhamos marcado de Kintsugi. Essa é uma arte japonesa que serve como metáfora para a vida. Quando um objeto cerâmico quebra, temos duas opções diante de nós: comprar um novo item para repô-lo ou realizar um conserto para tornar o item especial.


Esta forma de arte é baseada na ideia de que reparar algo quebrado o torna mais forte e mais bonito. Este conceito casa com outro conceito japonês chamado de Wabi-sabi, que enxerga beleza na imperfeição, notando que tudo é imperfeito e nada é permanente. 


Antes de entrar no curso ainda encontramos um restaurante vendendo kurepan para viagem. Esse é uma espécie de pão recheado de curry, que não é originalmente japonês, e depois frito com panko para dar uma textura crocante. Pedimos dois sabores, carne e camarão. O pão é crocante e o recheio é saboroso.

O local que vendia o pão de curry

Entramos no local do curso, nos apresentamos, efetuamos o pagamento e pusemos as roupas de proteção para lidar com produtos químicos. O curso foi ministrado por um especialista no assunto que previamente trabalhou em outros ramos e nos disse que seu chamado na vida era a cerâmica. Imaginem um prato quebrado, o reparo que exercemos consistia nos seguintes passos.

O prato quebrado, lado que usamos para treinar

Primeiro, arredondar as bordas de onde o prato havia sido quebrado, criação de dois pontos que chamassem a atenção para quem quer que olhe para o prato, o primeiro ponto maior e o segundo menor. Segundo, junção das partes através da utilização de resina extraída de plantas. Terceiro, preenchimento do fundo do prato e das rachaduras com laquê tradicional japonês. Quarto, realce das rachaduras e dos pontos de atenção através da utilização de pó de ouro para embelezamento.


Começamos fazendo o reparo na parte inferior do prato para aprender a usar as técnicas e depois passamos para a parte de cima, que é mais visível. No total ficamos quase duas horas no curso. Gostei bastante de fazê-lo, mesmo que ele tenha sido uma versão bem curta do processo tradicional, já que usamos alguns produtos mais modernos. Esse parece ser um hobby bem interessante.

Mr. Taku Nakano

Quando o curso terminou, voltamos para a área em que estávamos pela manhã e visitamos uma região com lojas de artesanato. O local ficava debaixo de um viaduto e tinha algumas lojas interessantes, mas nada fora do comum. 

Mais um espaço aproveitado debaixo da linha de trem

Dali fomos visitar a loja Super Potato, que vende itens de videogame e jogos de cartas, mas não baralho, cartas de heróis ou universo fantástico. Eu fiquei interessado na parte de videogames, mas eu visito estas lojas muito mais como um museu do que como uma loja em si.

Super Famicom, para a gente, Super Nintendo

Ver consoles antigos, jogos antigos rodando e fitas me deixa feliz. Dentre os consoles vimos Atari 2800, Neo Geo, Famicom (que é o Nintendo de 8 bits versão japonesa), Super Nintendo, Super Famicom, Nintendo 64, Master System e Mega Drive. Vimos cartuchos para todos os consoles também. 


Depois fui procurar as lojas do tipo que deram a Akihabara o apelido de electric town. Antes de acertar nos levei para um prédio que só tinha coisa de animê, lotado e sem janelas, subimos e descemos sem encontrar nada do que eu queria ver. Frustrado, descemos o prédio e fui tentar encontrar o que eu queria ver. 

Nessa região havia uma exposição com os primeiros heróis japoneses, Ultraman

Quando finalmente encontramos, ficou óbvio que era isso que eu queria ver. Diversos componentes eletrônicos, lembrando a época do segundo grau em que íamos para o centro comprar material para nossos projetos. Também vimos vários itens de segunda mão, inclusive câmeras, rádios e tamagotchis. Para quem não lembra, houve uma época em que era febre cuidar de um dispositivo eletrônico pré-programado como se fosse um animal de estimação. Isso ainda é vendido no Japão, parece que houve um ressurgimento disto agora.

Uma galeria dedicada à eletrônica e a produtos de segunda mão

Detalhe interno

Depois de todo esse passeio resolvemos comer em um sushi preparado no balcão por um chefe. Escolhemos um restaurante na estação de trem Akihabara e tivemos uma surpresa ao chegar. O restaurante não tinha bancos, comíamos em pé! Cada lugar tinha seu próprio tablet e por ali podíamos pedir o que quiséssemos, o chefe recebia o pedido e preparava na nossa frente. Provamos várias coisas, gostei muito do atum e de alguns peixes brancos. Talvez esse tenha sido o sushi mais saboroso que tenhamos comido em nossa estadia. Tudo estava realmente bem gostoso.


Dia 18: Retorno à Tóquio

Dividimos nossa estadia em Tóquio em duas partes, como a cidade é enorme, nossa ideia era ficar numa parte ao chegar, aproveitar para nos adaptar ao fuso e, depois, na volta, passar mais alguns dias antes de voltar, aproveitando para fazer compras.  

Assim que chegamos de volta à Tóquio, fomos no hotel deixar nossas malas e já partimos para comer no bairro em que se encontram diversos estábulos de sumô. Estamos hospedados agora no bairro de Akihabara, que fica mais próximo de Asakusa, que é um bairro com muitas coisas tradicionais. É neste bairro que ficava o restaurante Chanko Kirishima, propriedade de um rikishi chamado Michinoku Kazuhiro, cujo nome no meio do sumô era justamente Kirishima.

A especialidade do restaurante é o prato chanko nabe, que é uma espécie de sopa que os lutadores de sumô tomam todos os dias a fim de ganhar peso e se nutrir. A sopa vem com todos os ingredientes crus e na mesa é posta em um fogareiro. O garçom liga o fogo, a sopa começa a ferver e os ingredientes a cozinhar. 

A sopa vinha com um monte de coisas dentro: frango, bolinhas de polvo e de peixe, repolho chinês, broto de feijão, bok choy, cebolinha, cogumelos, vieiras, camarão e macarrão udon. Além disso, recebemos de entrada asinhas de frango temperadas, um set de três sashimis e um vegetal em conserva. 

A sopa, o macarrão e outras iguarias de entrada

Eu estava muito curioso para comer este prato. Gostei, deve ser ainda melhor de se comer num dia frio com bastante fome. O restaurante é um prédio com oito andares, e tinha somente gente local, mas como o cardápio é escrito em inglês, imagino que muitos turistas também o frequentem.  

Uma coisa que chamou a atenção neste lugar foi que o elevador tinha os números alinhados na vertical, ou seja, em vez de os números 1 e 2 estarem lado a lado, o número um estava na primeira coluna (à esquerda e embaixo), o número dois vinha em cima, até o número quatro. O número cinco estava embaixo na coluna da direita. 

É interessante que na avenida na qual o restaurante se localizava havia diversas estátuas de rikishis. Eram estátuas pequenas, mas bem legais. Deu para notar que o bairro todo é inspirado em sumô, inclusive a estação de trem tinha a foto de vários lutadores. 

O restaurante ficava no prédio marrom escuro,  do lado do McDonald's.

Cada uma destas estátuas estava numa posição diferente, tinha uma assinatura e o molde das mãos, como há na calçada da fama em Hollywood. Este bairro merecia ser mais explorado, mas passeamos pouco por ele, mais uma coisa anotada para nossa próxima viagem.

Pela parte da rua que andamos, havia estas estátuas

Além das estátuas, vimos outros detalhes pelo bairro, por exemplo, na estação de metrô também havia uma estátua de dois lutadores se enfrentando. Também vimos um painel com a foto dos lutadores em tamanho real e nela a indicação da altura de cada um dos lutadores. Não fui o único a tirar uma foto ali!

Na entrada da estação de trem, havia esta estátua

De lá fomos para o bairro Ginza, o dia já escurecia devido às nuvens e parecia que ia chover. Começamos entrando na Muji, uma loja cujo nome significa algo como sem marca, mas os produtos têm qualidade. Durante algum tempo compramos coisas para a casa, como lençóis, fronhas, almofada, capas de almofada, toalhas de rosto e outras coisas menores.

Aqui nos dividimos a Pri continuou na Muji e depois foi para a Uniqlo. Eu fui ver uma papelaria de 12 andares e uma loja de itens tradicionais. A primeira loja se chamava Itoya e a segunda Kyukyodo. Desavisadamente, fui subindo na loja e de repente me encontrei em uma exposição de caligrafia, recebi até um convite para um próximo evento!

A papelaria Itoya tinha doze andares, mas o prédio era muito estreito

Resolvi caminhar pela rua principal que estava fechada, em vez de caminhar na orla vendo a praia, caminhei vendo lojas de luxo, sem entrar em nenhuma delas. Dali peguei uma transversal e fui ver o edifício do teatro Kabuki, um estilo muito tradicional de teatro japonês, cujos atores são sempre homens, independentemente do papel.

Andando pela rua Chuo em Ginza

Segui para uma loja de estilo de esporte outdoor, queria ver mochilas. Eu adoro mochilas, tenho vários e me seguro bastante para não comprar mais. Eu não sei se gosto porque mochilas me lembram viagens e aventuras ou se é apenas o produto em si que me fascina. Sempre gostei e sempre usei. Até hoje tenho mais mochilas do que precisaria. Acabei comprando uma camisa de botão quadriculada, é um estilo que eu tenho desde os 16 anos de idade. Se as empresas que produzem roupas ainda produzissem tudo que o faziam quando eu tinha 16 anos, provavelmente eu teria as mesmas roupas, apenas renovando depois que elas ficassem velhas. Meu estilo não mudou muito, talvez apenas tenha acrescentado uma boina (flat cap) ao meu guarda-roupa.

O teatro Kabuki, em Tóquio

Depois de rodar mais, encontrei com a Pri para tentar ver relógios da Casio, não achei nada interessante na loja da G-Shock. Fomos comer num Izakaya debaixo da linha de trem. Esse foi outro restaurante incrível que comemos. Posso destacar o fritopan de camarão e a salada de cenoura com batata doce frita, cortadas em tirinhas bem fininhas e temperadas. Essa salada estava incrível. 

Fritopan sabor camarão, curiosamente fora inventado no Brasil

Espetinhos de diversas partes do frango

Também pedimos diversos espetinhos de várias partes do frango, alguns enroladinhos, ovos de codorna, cogumelos no papel laminado, barriga de porco e de sobremesa um churro gigante. Eu tomei uma cerveja e a Pri uma bebida de ameixa. Já era tarde e voltamos para o hotel.


A diferença no tamanho dos copos

Um trem passando em cima do corredor de restaurantes


sábado, 8 de novembro de 2025

Dia 17: Osaka

Começamos o dia indo em direção ao templo Namba Yasaka, este é um templo curiosíssimo que tem forma de cabeça de leão (bom, pelo menos é um leão visto aos olhos dos Japoneses que o construíram). O formato do templo é curioso e bem interessante e este é seu maior atrativo.

Templo Namba Yasaka 

Tal como vimos pelo país inteiro, há templos e locais de oração por toda a cidade. Como podemos ver na foto, há prédios altos do lado deste templo. Este tema é recorrente em nossa viagem, estamos andando e, do nada, aparece algum templo lindo no meio dos prédios. Não sei se os prédios é que vieram depois ou se o templo é ali posto para dar um local de alívio e de meditação para os moradores.

O templo visto da rua

De lá fomos visitar um outro templo, Shitenno-ji, considerado o templo budista mais antigo do Japão. Como já vimos em diversos outros lugares, ele possui os três elementos que normalmente um templo tem: um edifício principal, um edifício de estudos e uma pagoda. Além dos portões de entrada.

Shitenno-ji, considerado o templo mais antigo do Japão

Em particular, a área deste templo era enorme e condizente com o fato de ter sido o primeiro templo a ser construído no Japão. Vimos muitos monges passando pelo templo, em maior número do que havíamos visto até então em outros lugares, o que me faz achar que além de templo era um centro de estudos e formação.

Outra vista de Shitenno-ji

Algo que me veio à cabeça após visitar tantos templos e, ao conectar o que conheço de outras religiões, é que é fascinante como uma cultura teológica estrangeira pode conquistar um país a ponto de o país considerar essa a principal vertente de pensamento. Claro, elementos nativos são incorporados, mas as pessoas passam a defender a linha teológica como sendo sua. Este fenômeno se repente pelo mundo inteiro. É curioso, como podemos assumir uma identidade que nos é externa e/ou nos foi imposta. 

A pagoda depois do portão

Até então não havíamos subido em nenhuma pagoda e eu, em particular, queria fazê-lo. Então, assim que entramos no templo fomos subir na pagoda. Esta havia sido reconstruída e era de concreto. Fiquei um pouco decepcionado já que sabia que esta seria a última pagoda que visitaríamos e que eu não havia conseguido subir em nehuma pagoda de madeira, e que tivesse em especial, uma varanda aberta.

A pagoda reconstruída

Mas o que podíamos fazer? Havíamos visitado diversos templos com pagodas, algumas estavam fechadas à visitação, outras estavam em reforma, numa viagem é importante ser flexível e aceitar que nem tudo que gostaríamos de fazer será possível. Bom, mais um ponto para uma próxima viagem ao Japão.

Estátua de Shiran, fundador de uma vertente de budismo

Imediatamente após essa visita fomos fazer algo que eu aguardei boa parte da viagem: comprar facas de cozinha. O Japão é muito conhecido pelos instrumentos de corte, inicialmente espadas, mais recentemente facas feitas utilizando as mesma técnicas de fabricação daquela desenvolvida para espadas. A loja que escolhi visitar se chama Tower Knives, isso porque ela se encontra bem próxima a uma torre famosa chamada Tsutenkaku.

Torre Tsutenkaku, em Osaka

Eu já havia pesquisado bastante sobre lojas e sobre estilos de facas. A variedade de facas existentes no Japão impressiona e há algumas regiões que têm um histórico longevo de produção de espadas, e que utilizam esse know-how na produção de facas.


Uma destas regiões é Sakai, que fica um pouco ao sul de Osaka e, por isso, a loja que visitei foi estabelecida em Osaka, é um compromisso entre um centro de produção e uma cidade grande. A loja em si não é muito grande, mas conta com um mostruário muito bem organizado, um balcão para demonstrações das facas, ou seja, podemos testar os modelos, um segundo mini-balcão para demonstrações e ainda uma oficina de reparo e finalização de produção.


Passamos quase duas horas na loja, escolhi dois modelos. O primeiro modelo escolhido foi uma faca Nikiri, cujo formato é retangular, bem tradicional no extremo oriente. Essa faca é específica para lidar com vegetais e frutas, desde aqueles mais duros como abóbora japonesa ou batata doce até os mais delicados como o tomate. Aliás, uma boa maneira de testar uma faca é ver se ela corta bem tomate sem esmagar a fruta e sem provocar que muita água saia dele.

À esquerda, uma Santoku, à direita, uma Nikiri

Essa Nikiri, especificamente, tem a lâmina de aço damasco, que é aquele que parece que tem umas ondas desenhadas. Além disso, o cabo é no estilo ocidental, que nos é familiar. Para a minha segunda escolha, eu estava inicialmente inclinado a comprar uma faca Santoku. Este nome significa três virtudes e é assim chamado porque a faca poder ser usada para cortar peixe, carne e vegetais. 


A vendedora me mostrou uma outra faca, chamada de Gyuto, que é uma faca mais parecida com as facas europeias estilo chefe. Eu testei ambas, achei a Gyuto maior e mais difícil de manipular. Como eu já tenho facas ocidentais que uso para carne, resolvi comprar a Santoku. Escolhi um modelo com cabo estilo japonês, que é octogonal, isso confere um caráter original à faca e é diferente da Nakiri. 


Como algo extra, pude gravar meu nome nas lâminas. Havia a opção de fazê-lo em caracteres japoneses e foi o que fiz! As palavras estrangeiras seguem uma regra para adaptação ao alfabeto japonês Katakana, então escrevi meu nome e de acordo com a regra fonética deles, eles adaptaram para o alfabeto.

Ainda tivemos instrução de como amolar e cuidar da faca. Eles tem um canal no YouTube, definitivamente vou ter de rever antes de amolar a faca pela primeira vez.

Feliz depois da compra

Saí bastante satisfeito da loja. Buscamos um restaurante para comer e acabamos indo num que poderíamos, se quiséssemos, pescar o nosso próprio peixe. Resolvemos pedir o que estava já na cozinha e não nos envolvemos na pesca. Uma das tradições da cidade é comida frita empanada, então pedimos peixes, frutos do mar e ainda pedimos coisas não fritas, como sushi.

O letreiro do restaurante era incrível

Novamente recebi o copo pequenininho para tomar cerveja, este é um copo menor do que o que conhecemos como copo americano no Brasil. Isso faz parecer que a cerveja dura mais do que normalmente duraria.  

Parte do restaurante era tomado por estas piscinas com peixes

Depois fomos para outro empreendimento do mesmo grupo da loja de facas, um bar! Isso é que é diversificar a área de atuação da empresa, facas e cerveja. Como estávamos perto da região que tinha um prédio do qual poderíamos ver a cidade, fomos andando até ele. O nome deste complexo é Abeno Harukas. De lá, fomos até o distrito de venda de produtos de cozinha. 

Vista de Osaka a partir da Abeno Tower

O distrito de vendas é uma mistura de restaurantes, lojas de comida, lojas diversas. Numa delas vimos fliperama e um nos chamou a atenção. Um cara jogava Super Mario Bros, o original. Existir um video-game disso é incrível, porque o jogo não foi feito com esse propósito, cada jogo tem um propósito e público/local alvo. Mário não foi feito para ser jogado em fliperama com fichas.


Voltando para a galeria de utensílios domésticos, havia uma loja ao lado da outra. Os produtos variavam em preço, beleza e utilidade. A Pri achou várias coisas legais entre potes para molho de soja, apoiador de hashi, potes de arroz com desenhos lindos, copos de chá e até tigela de sopa.


Era bem difícil escolher, porque as lojas eram lotadas de itens e pessoas. Em algumas era até difícil caminhar, porque os corredores eram estreitos, tudo era de porcelana e a gente estava carregando mochilas pesadas. Eu tomei um cuidado enorme para não esbarrar em nada, até coloquei a mochila para frente.

Depois de almoçar, fomos passear pela mesma região

Decidi comprar o que queria em Tóquio, primeiro porque carregaria menos peso, tanto comigo quanto na mala, e, segundo, porque eu achava que lá haveria mais opções e mais lojas. Depois de rodar nesta região, fomos para outra região perto dali, essa dedicada à moda e com diversas lojas de roupas.


Entramos na Levi's e acabamos por descobrir que eles estão vendendo modelos de calças de períodos históricos. Também vimos que aqui no Japão eles permitem a personalização através da costura de emblemas diversos que exibem num mostruário. Uma pena que a parte masculina fosse tão pequena e com tão poucas opções, caso contrário teria me animado a comprar mais uma calça.


Chovia muito e resolvemos comer num restaurante de ramen bem perto. Talvez tenha sido nossa segunda decepção com comida em toda a nossa viagem. Não foi terrível, mas deixou a desejar, sobretudo porque o inglês do pessoal e a tradução nos levou a entender algumas informações de maneira errada. Pensamos que o ramen viesse completo, mas não foi o caso, tivemos de pedir extras para formar o ramen que queríamos.

Osaka depois da chuva

Ficamos na dúvida entre visitar o castelo de Osaka ou voltar para o hotel, já que chovia ainda bastante e era tarde. Decidimos voltar para o hotel, arrumar as coisas e descansar um pouco para o dia seguinte, que seria nossa volta à Tóquio, nossa última parada antes da volta.