domingo, 25 de outubro de 2026

O terceiro dia em Seul

A cidade de Seul é enorme, atravessar a cidade de um lado a outro pode tomar uma hora ou mais de metrô, e por isso é necessário explorá-la em partes. Reservamos a manhã de hoje para visitar o bairro de Hongdae, que fica na direção da cidade de Incheon, onde fica o aeroporto internacional, a oeste do centro da cidade. 

Este bairro fica perto de uma universidade e é onde há uma cena mais independente, com lojas de estilistas começando a carreira, locais para apresentações impromptu e outras diversas coisas que acontecem devido tanto ao público quanto gente para ser o protagonista de cada uma destas iniciativas.

Começamos indo tomar café na vila Hanok próxima ao hotel. Esta é uma das áreas que mais gostamos quando pensamos em Coréia tradicional. De noite o local ferve com restaurantes e bares, de manhã parece que inverte um pouco e há muitos cafés e um pouco mais tarde, diversas lojas abrem para o público.

A casa que abrigava o café na Vila Hanok

A Pri achou um café que servia bagel de todos os tipos, recheados com doces, salgados, sem nada, com a massa diferente. Além, é claro, de uma excelente variedade de cafés. Entramos e escolhemos dois tipos de bagel além de cafés. Além de boa comida, o lugar era bem bonito, com uma decoração legal e até uma árvore dentro.

A árvore no interior do café

Sentamos na beira da janela

Pegamos o metrô e em torno de trinta minutos chegamos ao bairro Hongdae. Uma das principais ruas do lugar era um pouco sinuosa, serpenteando em vez de traçar uma linha reta. Vimos muitas coisas já pelas ruas, construções diferentes, estátuas modernas, lojas também com arquitetura diferente (e duvidosa). 

No início de uma das principais ruas de comércio em Hongdae tinha esse banheiro

Arquitetura duvidosa

Caminhamos por essa rua até o que parecia ser o final dela. A rua desembocava numa praça que parecia estar arrumada para alguma coisa. Mais perto descobrimos que era um show de culinária, talvez um concurso. Havia várias estações de trabalho já arrumadas para os participantes, um palco adiante e diversas cadeiras para a audiência.

Tudo pronto para a competição culinária

Além disso havia diversas tendas com a exposição de produtos. Fomos chamados para participar de uma brincadeira de jogar um pequeno saco de areia por uma abertura. Se conseguíssemos, ganharíamos um brinde. 

Eu tentei uma vez e não consegui acertar. A Pri tentou e acertou! Ela ganhou um brinde deles e ainda tiramos uma foto com o que ela ganhou, provavelmente agora somos astros na rede social da marca deles.

Andamos mais pela região, entramos em algumas lojas, a Pri comprou algumas coisinhas. Vimos a universidade, lojas de souvenirs, restaurante de comida brasileira e lojas de marcas. A hora do almoço se aproximava e decidimos que comeríamos um ramen. Revisitamos alguns que já tínhamos visto no nosso passeio, mas nada nos apeteceu, até que a Pri viu um que parecia ser bem diferente, ramen com um toque coreano.

Antes de decidir por ele, a Pri entrou e deu uma olhada, o restaurante lhe pareceu bom. Ela voltou para me chamar, entramos, fizemos o nosso pedido numa máquina e fomos sentar numa mesa enorme ao centro do salão. 

O interior do restaurante Salt Noodle Lab

Eu escolhi um ramen apimentado e cítrico e a Pri um não apimentado e cítrico, além, é claro, de gyoza. Curiosamente este restaurante dava refil de macarrão e caldo, mas não foi necessário utilizar a oferta. 

Meu prato era apimentado e cítrico

Usando avental para não nos sujarmos

Alimentados, tomamos o caminho de volta para o centro de Seul, nosso destino era o Dongdameun Design Plaza. Este é um edifício moderno, projetado por uma arquiteta badalada. Como toda obra de arquitetura moderna, esta também era muito incômoda por dentro. Eu já havia tido a experiência de trabalhar numa obra em construção do Niemeyer. Por dentro o pé direito era ruim, não havia número suficiente de banheiros, tudo parecia lindo por fora e nada prático por dentro. 

Dongdameun Design Plaza, um grande feijão metálico retorcido

Então, quando eu falo incômodo por dentro, quero dizer que as distâncias das coisas eram grandes, havia muito espaço vazio, as coisas não eram práticas, era difícil se encontrar. Claro que há como melhorar isso, planejar uma melhor distribuição de banheiros, escadas, elevadores, salas menores; colocar indicadores de direção, mais placas de informação, etc, mas tudo isso apenas tenta melhorar o que, na minha opinião, é um projeto ruim, pouco feito para quem vai utilizá-lo, em vez disso, estas obras são construídas para a admiração de outros arquitetos.

Mais detalhes da construção futurista

Não obstante, este tipo de arquitetura fornece boas fotos. Além, é claro, de longas caminhadas tentando encontrar as coisas dentro. Foi o que nos aconteceu tentando encontrar o parque histórico e cultural, e depois nossa tentativa de achar uma exposição lá dentro. Falhamos nas duas coisas.

O interior me lembrou uma foto do álbum The Beatles, de 1962

Havia mais o que ver no bairro, mas como estávamos um pouco cansados de tanto procurar as coisas neste enorme complexo, fomos num shopping nas proximidades, assim poderíamos refrescar num ambiente climatizado, poderíamos buscar um café para tomar e descansar um pouco sentado. 

Bom, eu descansei, a Pri foi visitar a Uniqlo e buscar casacos para comprar. Eu a acompanhei um pouco até encontrar uns bancos para sentar. Junto comigo havia outras pessoas aguardando os seus companheiros. Sempre há nestas lojas enormes o espaço dos "esperantes", aqueles que pacientemente aguardam que alguém com quem estão terminem as compras.

Finda a busca por casacos e roupas, fomos tomar café num outro shopping. Curiosamente neste havia diversas lojas vendendo souvenirs, tentamos encontrar algo legal para comprar, embora houvesse coisas legais, como as caixinhas de madre pérola, não levamos nada. 

As famosas caixinhas de madre-pérola

Detalhe das caixinhas

Subimos mais neste segundo shopping, encontramos uma loja de café com uma bela vista, pedimos um café cada e sentamos para degustar as bebidas. Descansados, descemos e seguimos. 

Do café era possível ver a construção como um todo

Neste bairro ficava um dos oito portões originais de Seul, chamado de Heunginjimunm, também conhecido como portão Dongdaemun ou Grande Portão do Leste. Curiosamente este é o tesouro governamental número um. Aqui na Coréia, cada construção ou localização com significado histórico tem um número nesta lista de tesouros, este, como falei, foi o primeiro na lista.

O portão em Dongdaemun

Detalhes da construção

Enquanto tirávamos fotos, um francês mais velho se aproximou e começou a ficar de papo. Como somos dois cariocas, quando o cara não cortou o papo e seguiu a vida, começamos a desconfiar. No final das contas, o cara apenas era chato, talvez sozinho, nos alugou por uns bons quarenta minutos, até que conseguimos seguir nosso caminho. Ele ainda veio atrás enquanto subimos a colina para tirar uma foto do muro que ficava bem próximo ao portão. 

A cidade vista a partir da colina

O muro que contornava essa região da cidade

Mas como ele puxava papo com todo mundo, acho que ele percebeu que não queríamos mais falar e o deixamos lá falando com um fotógrafo que utilizava uma máquina que parecia um lambe-lambe.

Dali ainda havia coisas para fazer, resolvemos ir ao mercado Dongdameun, que ficava no bairro em que estávamos, já que leva o mesmo nome por isso. Pegamos um trecho do rio que havíamos visitado no primeiro dia na Coréia, já que por ali o passeio era mais agradável. 

Voltamos ao rio localizado onde ficava um viaduto

A entrada do mercado Dongdameun

Subimos na entrada do mercado, entramos e notamos que novamente havia os mesmos tipos de comida que vemos nas ruas, com uma quantidade enorme de turistas. Passeamos e encontramos uma loja vendendo toalhinhas com desenhos. Compramos duas e seguimos o passeio ainda pelo mesmo bairro.

Barraquinhas de comida

Produtos à venda

Passamos por uma parte mais antiga da cidade, notava-se especialmente pelos edifícios que vendiam peças mecânicas e eletrônicas. Havia um corredor lotado de pequenas lojas vendendo artigos eletrônicos, fossem produtos finais ou componentes, tais como uma loja que vendia equipamentos de áudio, amplificadores e caixas de som, e outra que vendia de tudo, inclusive válvulas. Nos arredores, canteiros de obras nos indicavam que esta região está prestes a se transformar e não haverá mais este tipo de comércio na região logo logo.

O edifício antigo, uma parte da cidade que está sendo substituída

Em seu interior, corredores de pequenas lojas

Fomos na direção do hotel, encontramos novamente a vila Hanok na qual estivéramos de manha, mas dessa vez, no lugar de café buscamos uma cervejaria. Esta tinha até boas cervejas, mas todo pedido devia ser buscado no bar, a louça nós devíamos levar de volta, enfim, menos cômodo do que outros lugares.

Sistemas de som antigos

Para quem nunca viu uma válvula, é esse trambolho que um transistor substituiu. Depois vieram os circuitos integrados que construíram os transistores diretamente na placa

A Pri não estava se sentindo muito bem para ir a um restaurante, passamos numa loja de conveniência, pegamos algumas coisas para comer e voltamos para o quarto. Jantamos no quarto mesmo.

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