quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O segundo dia em Jeju

Depois de ter me queimado todo em Seul, quisemos começar o dia cedo, e foi o que fizemos. A primeira coisa que fizemos foi visitar o templo budista Bomunsa que ficava na montanha Sanbangsan, com vista para a praia. O templo havia sido fundado após um monge ter encontrado uma caverna no topo do monte e ter rezado lá. Além da beleza das construções coloridas, esse templo tinha uma vista bem legal. Diversas montanhas e acidentes geográficos gerados por atividade geotécnica são classificados como patrimônio da Unesco, como era o caso aqui.

O templo Bomunsa fica na montanha Sanbangsan

Detalhe do templo

Perto do templo havia uma escarpa chamada Songakasan. Ela se localizava numa reentrância recortada pelo mar, o que tornava o cenário muito dramático. Como o sol estava a pino, não subimos a montanha e apenas a observamos.

Songaksan

Já era hora de comer e com a nossa fome, poderíamos comer bastante. Por outro lado, parar tanto tempo para comer acaba encurtando o tempo restante. Decidimos ir a um restaurante e comer algo rápido. No restaurante, que não havia ninguém, tivemos um pouco de dificuldade de entender o cardápio e de conseguir explicações. Fizemos um pedido que nos pareceu suficiente. 

As entradas, além de camarão e abalone

Cavalinha salgada

Porém, quando chegou, achamos que tínhamos sido enrolados, porque era pouca comida. Começamos a comer, era pouco mas estava muito bom. Começamos com uma cavalinhz salgada junto de vegetais. Depois de um tempo, chegou arroz, sopa, um outro peixe inteiro, abalone, começamos a nos preocupar se aquilo não era demasiada comida. Conseguimos acabar com tudo, até mesmo com nosso plano de comer pouco.

Sopa de frutos do mar

Peixe espada

Ainda havia muito o que fazer no dia e seguimos para as cachoeiras Cheonjeyeon. O ponto para o qual o GPS do carro nos levou era diferente daquele que tínhamos marcado no mapa, mas deu certo. Compramos os ingressos e começamos a caminhada, para o lado errado. Quando começamos a caminhar notamos que não havia ninguém, que não havíamos passado por nenhum controle de ingressos, vimos carros. Resultado, caminhamos uns vinte minutos entre o erro e a correção, mas chegamos num templo e aproveitamos para dar uma olhada por fora. De volta ao caminho tudo estava muito bem organizado.

O vale pela qual passavam as cachoeiras

O percurso englobava três cachoeiras e uma ponte enorme. A primeira cachoeira só tinha água quando chovia, a segunda era a mais bonita de todas e a terceira era apenas longe e chato de chegar com muitos, mas muitos degraus. Entre a segunda e terceira cachoeiras atravessamos uma ponte enorme sobre o vale e chegamos num complexo de construções religiosas. A ponte em si era bem interessante pelo tamanho.

A segunda cachoeira

A ponte

A seguir fomos ver outra escarpa, chamada Jusangjeoli, o passeio foi rápido, porém interessante. Uma parte das rochas ali havia se cristalizado de maneira distinta formando cristais hexagonais. Não foi a primeira vez que vimos este fenômeno. Além disso, outra coisa que impressionava era a localização bem próxima ao mar.

Jusangjeoli, a escarpa dramática

Antes do próximo ponto, a Pri encontrou um café muito legal no caminho e paramos lá para comer e tomar algo. O nome do café era Onol, o ar-condicionado estava muito bom e a decoração era bem moderna. Pedimos um affogato (que aqui ele escrevem apogato, o que me indica que não têm o fonema efe) e uma bebida de café especial deles, ambos muito bons. Era o que precisávamos naquele momento.

Café Onol e um monte representado

Ainda tínhamos mais uma atração para visitar, a cachoeira Sojeongbang. Essa é uma cachoeira que desagua no oceano, algo que não é tão comum, na Coréia, ela é a única do tipo. Foi, sem dúvida, a cachoeira mais bonita que vimos na ilha.

Antes de chegar à cachoeira

A cachoeira Sojeongbang

Findo o roteiro turístico, era hora de visitar o mercado. Depois de escrever estas palavras reflito que o mercado também não é uma atração turística em si, ou se devemos classificá-lo como atração gastronômica. Até porque eu considero parte da viagem visitar supermercados, bom, isso é uma discussão técnica não tão importante.

A ilha produz diversas frutas cítricas

Esse mercado tinha de tudo, lojas vendendo produtos de casa, souvenirs, vegetais, peixes, frutos do mar, e comidas de rua. Provamos de tudo que nos ofereceram, mas como ainda estávamos sem fome, fomos a um bar fazer hora. Tive direito de provar três cervejas, escolhi provar a IPA, a Christmas Ale e a Stout de pasta de amendoim. A última tinha um sabor muito forte, optei pela IPA, que era frutada e a que mais gostei. Do nosso lado um casal de coreanos mais velhos puxou papo e nos ofereceu um doce feito de farinha de arroz com uma tangerina dentro. Os doces da Ásia não me convencem.

Voltamos ao mercado para decidir o que comer, começamos com um recheado com creme de camarão. Ficamos na dúvida entre comer num restaurante estilo bar japonês, os famosos izakayas, ou comer outras coisas mais rápidas. Resolvemos nos registrar para aguardar uma mesa e fomos dar uma volta. Em menos de três minutos fomos chamados e voltamos.

A porta do izakaya

Onde a mágica acontece

Nosso lugar era do lado do assador, pudemos ver a técnica de preparo dele. Também vimos como o rapaz que recebe os pedidos finaliza os pratos. Pedimos dois corte de porco, sendo um deles, a papada, que só tem 200 g por animal, o outro era pescoço. Também fiquei curioso para comer os vegetais grelhados, tinha berinjela, abobrinha, cogumelo e cebolinha. Também pedimos um par de espetinho de carne e frango. Recebemos diferente molhos, com destaque para o wasabi com alho. Ah, estes espetinhos vinham com um ovo semi-cru temperado.

Vegetais e espetinhos

Aguardando a comida chegar

Amanhã temos uma trilha no Monte Hallasan.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A Ilha de Jeju

No sul da península da Coréia há uma ilha bem grande chamada Jeju e ela é o nosso próximo destino. Como houve alteração em nosso vôo de ida para a Coréia, tivemos um dia extra em Seul, mas o plano inicial era começar nossa visita por esta ilha.

Depois de chegar ao aeroporto, pegamos o carro e fomos ao centro da cidade de Jeju, a maior na ilha e com o mesmo nome, para comermos um prato cujo principal ingrediente era carne de porco preto. Este é um porco com pêlos pretos, que dão origem ao nome. Os entendidos notam diferença na carne, não sei se por conta da espécie ou da criação.

O restaurante ficava na rua do porco preto

Fomos a um restaurante que servia apenas dois cortes de porco, barriga e pescoço. Ambos preparados numa bandeja de ferro fundido que era aquecida em cima de um fogareiro, individual por mesa. Como entrada nos serviram uma parte bem macia do porco fatiada com pequena espessura. De acompanhamento havia muita coisa, alho, kimchi (conserva temperada de repolho), nabo, acelga, salada de macarrão com maionese, óleo de gergelim temperado, um preparado de peixe que tem a consistência ligeiramente esponjosa, ovos preparados como omelete em água, sopa de vegetais com tofu, molho de anchova, salada de broto de feijão, além das versões do kimchi e da salada de broto de feijão que vão na chapa.

O churrasco de barriga de porco

A carne principal, em si, é muito gordurosa. Um pouco dela e já temos a sensação de saciedade. Isso foi o mesmo que sentimos quando comemos o bife de Hida, wagyu, no Japão. Talvez, se além de um pouco de barriga também fosse servido outro corte menos gorduroso, tivéssemos gostado mais. Não foi ruim, mas a comida foi tão pesada que não nos despertou a vontade de comê-la novamente.

Passeamos um pouco pelo centro da cidade e a Pri me arrastou para fazer uma caricatura. Isso antes de nos dirigirmos ao nosso próximo destino que exigiria uma viagem pela estrada na ilha. Começamos pelo norte da ilha e nos deslocamos para o sudoeste. 

Parecidos?

Como toda minha educação é brasileira, aprendi pouco sobre a história ou geografia do extremo Oriente, e por isso sugiro que confiram o mapa da Coréia e apreciem a sua posição em relação à China e ao Japão. A posição geográfica de um país determina várias coisas, a mais óbvia é o clima, que por sua vez dita o que pode ser cultivado naquele lugar. A proximidade, em geral, mas nem sempre, determina o tipo de solo, fauna e flora. E por fim, a geografia aproxima culturas e gostos. Falei tudo isso por conta do chá verde, que é produzido em regiões específicas de três países: Uji, no Japão, Jeju, na Coréia do Sul e Zhejiang, na China. Na China ele não se limita a essa região.

No Museu de chá Osulloc

E como dito, estamos na região produtora na Coréia, e portanto aproveitamos para visitar o museu de chá verde da marca Osulloc. Neste pouco tempo em que estivemos na Coréia já notamos que esta marca aparece em vários lugares, especialmente em lojas próprias vendendo chá e outras bebidas baseadas nele. A caminho do museu já vimos as plantações de chá se estendendo por vastas áreas.

Tudo de matcha: matcha latte, sorvete de matcha e sorvete de matcha com bolo de rolo

A fábrica fica num pequeno monte e abrigava uma loja enorme, além de contar um pouco da história do início da plantação e desenvolvimento do cultivo. Também há uma loja vendendo produtos e um café vendendo bebidas e doces, além de contar com um restaurante com pratos salgados também desenvolvidos utilizando o chá verde como temática. Também há uma loja de outra marca compartilhando o mesmo espaço, além de uma plantação a qual tivemos acesso.

Plantação de chá verde

Depois da visita, que gostei bastante, fomos a uma fábrica de cerveja que leva o nome da própria ilha. A fábrica era enorme, o bar da fábrica também. Eu fiquei na dúvida do que pedir, para começar não tinha IPA, depoiis, pedi cerveja da torneira e o atendente me disse que eles estavam com um problema fiscal e por isso não podia me vencer. No entanto, disse-me que se eu comprasse um set com duas cervejas ele podia me vender. 

Jeju beber company

Comprei e ainda ganhei uma cerveja sem álcool, mas com grau de amargor alto. Essa foi uma surpresa positiva. A outra cerveja, uma wit, levava tangerina, que é um produto local muito famoso. As cerveja estavam boas.

Tonéis caracterizados

Fomos tentar pegar o pôr do sol na praia de Hyeopjae, no oeste, para ver o sol descendo na água. Tivemos de andar para chegar num ponto legal. Na caminhada passamos por uma orla cheia de estátuas e muitas casas de estilo mais rústico. Foi interessante porque havia algumas pessoas pescando no porto.

Buscando o pôr do sol em Hyeopjae

Essas estátuas estavam por toda a ilha

De noite penamos para encontrar um restaurante, visitamos três até conseguirmos jantar no quarto restaurante. A busca valeu a pena, paramos num restaurante muito bom com um cardápio fechado. Comemos sashimi de peixe branco, abalone, sopa de frutos de mar, vegetais em conserva, e outros quitutes. O restaurante nos pareceu ser familiar e o atendente era muito simpático. A família parecia trabalhar duro e isso sempre me comove, sempre penso em como nossos problemas sempre parecem pequenos perto dos problemas dos outros. Ao pagar, o atendente nos pediu que escrevêssemos uma mensagem em português para ficar no quadro, o que fizemos. Ao chegar no carro, a Pri lembrou que não havia tirado foto da mensagem e ainda sugeriu dar uma gorjeta, que não é costume aqui. Voltei ao restaurante e fiz os dois. Foi um excelente fim de dia.

Quase noite

Abalones em chamas








terça-feira, 22 de setembro de 2026

O primeiro dia em Seul

Acordamos às 8 muito bem dispostos, como dormir numa cama faz diferença. Como houve uma série de mudanças nos voos devido a problemas com a empresa com a qual viajamos, chegamos um dia antes na Coréia do que o planejado. Decidimos fazer o primeiro dia de visitações planejado para Seul se acordássemos bem dispostos, como foi o caso.

Fomos caminhando para o primeiro ponto de visitação, que é o principal palácio da dinastia Joseon (lê-se Chossan. Mais sobre a diferença entre a grafia e os fonemas depois). No caminho encontramos uma loja vendendo pão com alho e recheios, escolhemos um.

Logo ao lado havia um café, também pegamos um. O pão tinha um sabor bem marcado de alho, eu gostei. A Pri, por outro lado, achou muito forte. Ainda encontramos o que chamam aqui de pão de sal. É o nosso pão francês, só que bem amanteigado e com sal grosso em cima.

Pão com alho e recheio

Depois de comermos isso chegamos ao palácio Gyongbokgung (lê-se Kion bok kung) e significa "O Palácio muito abençoado pelos céus, terminado de ser construído em 1395. Quanta presunção, sobretudo depois que aprendemos que o palácio foi destruído duas vezes pelos japoneses: uma na invasão de 1592-98 e outra no período colonial de 1910-45, isso depois da reconstrução geminada em 1867.

A entrada do Palácio Gyongbokgung

A entrada do Palácio Gyongbokgung

Chegamos em tempo de assistir à cerimônia de troca de guarda, uma encenação de como acontecia no século XV. Uma coisa que me chamou muito a atenção foi o uso de um instrumento de sopro cujo som lembrava muito uma gaita de fole escocesa. Além disso, fiquei pensando como estas cerimônias seriam sem instrumentos musicais, seria bem estranho, até mesmo bobo.

Troca de guarda

Depois de uma primeira volta, fizemos o passeio guiado de uma hora de duração. Visitamos diversos edifícios, dentre eles o principal edifício onde o rei trabalhava, os aposentos reais, os aposentos da rainha e por conta própria a biblioteca, já mais recente.

Pavilhão Gyeonghoeru

Nosso guia deu ótimas informações. A que mais chamou minha atenção foi a agenda do rei, que tinha três horários separados para o estudo de confucionismo. O guia falou que os estudos são uma das características mais marcantes dos coreanos. Logo pensei que em 1950 o PIB per capta da Coréia era o mesmo que o do Brasil, atualmente os níveis deles são bem maiores.

Além disso, a agenda diária do rei começava às cinco da manhã e só terminava a meia-noite. Muitas vezes vemos esse padrão se repetir com monarcas. Como os presidentes numa república podem se desviar tanto disso, não?

Outra coisa muito interessante é que a língua oficial de registro histórico dos acontecimentos era o mandarim. Os debates administrativos eram conduzidos em coreano, mas registrados por dois historiadores em mandarim. Estes registro eram vedados de leitura ao rei, isso para que os registros fossem fidedignos sem alterações ou edições.

Pavilhão Hyangwonjeong

Um detalhe que notamos nas edificações eram figuras que pareciam todas irem em direção a um monge, isso, acreditava-se, trazia sorte. Segundo nosso guia estas figuras representam a jornada de um monge ao oeste para chegar ao local de origem do budismo.

A representação da peregrinação. Quanto maior o número de imagens, mais importante o edifício.

Saímos pelo leste e chegamos a um parque que tinham duas áreas com reproduções de casas de dois períodos. Um do século XIX, com casas com cobertura de palha e outra representando os anos 1980.

Dali fomos a um bairro com casas no estilo tradicional chamado Hanok. No caminho vimos uma loja da Kodak, aqui na Coréia a marca foi licenciada e vende roupa. Não resistimos e entramos, é pura nostalgia! Ainda me lembro dos filmes de fotos e das revelações que vinham num envelope bem bonito. 

Resgataram a marca Kodak

Já no bairro, comemos num quiosque a comida rápida tradicional: tebbokki, salsicha de arroz e gyoza. Depois tomamos um sorvete de matcha e fomos andando para uma loja de produtos de beleza chamada Olive Young. 

A venda, ...

... a mercadoria,

... e a vista!

Após a primeira rodada de compras de produto de beleza, visitamos o templo budista Jogyesa. Dali fomos à praça Gwanghwamum, que fica de frente à entrada do Palácio Gyongbokgung, que visitamos de manhã. Esta parece ser a praça principal de Seul, nela ficam as estátuas do rei Sejong, que inventou o alfabeto coreano (hangul) e do almirante Yi Sun-Shin, que liderou diversas batalhas contra os japoneses durante a invasão de 1592-1598.

O rei Seojong

O almirante Yi Sun-Shin

Da praça ainda fomos visitar um riacho no meio da cidade, chamado Cheonggyecheong. A história desse riacho eu já havia escutado, há algum tempo o governo derrubou um viaduto e no espaço criou uma área de convivência bem tranquila. Como a área está abaixo da altura dos carros, é mais silenciosa, cada trecho tem alguma coisa diferente. Vimos muitas pessoas lendo em cadeiras especialmente lá dispostas, noutra área as crianças e adultos colocavam os pés na água e ainda em outro trecho vimos projeções de luz no riacho.

Um trecho do riacho com leitores

Passamos numa loja de departamento enorme para pegar uma espécie de cartão que podemos carregar com dinheiro para usar no transporte e em lojas de conveniência, depois visitamos algumas outras lojas. 

Outro trecho do riacho com projeções

Já estava de noite e eu queria ir a uma cervejaria que já havia pesquisado, chamada Euljiro Brewery, que tem um logo bem peculiar. Provei uma IPA, uma stout e uma sour. De lá fomos buscar algo para comer, encontramos uma porção de gyoza. As ruas e bares estavam lotados. Não encontramos nada que nos apetecesse e terminamos comendo algo rápido na loja de conveniência. Amanhã temos um voo cedo para a Ilha Jeju, no sul da península.

O bar ficava em um dos diversos becos

Um logo bem particular

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Indo para a Coréia do Sul

Depois de termos nos encantado com o Japão, e devido ao fascínio que a Pri tem desenvolvido pela cultura coreana, viemos passar as férias na Coréia do Sul. Enquanto a Pri acabou se interessando pelos dramas coreanos (k-drama) e até pela música popular coreana (k-pop), eu me interessei muito pela comida. O interesse que temos pela comida coreana é tanto que frequentamos um supermercado oriental e até um restaurante especializado na comida coreana em Haifa.

Nenhum voo saindo de Israel é tranquilo, e nesse teve confusão com a falta de capacidade do israelense em compreender uma gentileza. Até o fato de se tentar sair do seu lugar para dar passagem não é compreendido. Há quem diga que como houve um momento de extrema escassez, até hoje o israelense é egoísta. Na minha opinião isso é uma desculpa, do mesmo nível que usam o pouco tempo de existência do estado para justificar qualquer desordem. Sempre falo de Singapura, Hong Kong, e até a situação da Coréia do Sul.

Bom, antes esse tivesse sido nosso único percalço. Antes de embarcamos, fizemos o documento eletrônico de chegada, porém, descobrimos em Dubai, local de nossa escala, que brasileiros precisam de visto! Após alguns minutos de hesitação que pareceram horas, notamos que havíamos embarcado sem problemas em Israel, e, portanto, o passaporte israelense poderia ser usado. Foi assim que pudemos embarcar.

O voo saiu com uma hora de atraso, mas foi tranquilo. No aeroporto nos informamos e a melhor maneira de chegar ao hotel era de ônibus. Na fila vimos uma cena curiosa: um rapaz que havia comprado um ticket foi no guichê reclamar alguma coisa com a vendedora, ele foi se irritando e falando da maneira brava que vemos nos seriados, aumentando a entonação no final de cada frase.

Um senhor que estava sendo atendido deu uns tapinhas no rapaz para ele parar ou se controlar, não adiantou nada. Quando o rapaz saiu, esse senhor fez alguma piada e a atendente riu.

Palácio Gyeongbokung, o primeiro que vimos do ônibus

Pegamos o ônibus para chegar ao hotel, com ajuda da Pri que conseguiu nos embarcar no ônibus que já saía, ganhando assim meia hora de espera. O motorista, usando luvas e roupa social, sabia a parada de cada um dentro do ônibus. O hotel é simples, mas já paramos num bar aqui do lado e comemos numa loja de conveniência. Amanhã começa de fato.

Bar Bogle



quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Dia 21: O último dia de viagem

Último dia de viagem e tínhamos ainda algumas coisinhas para fazer. Como nossas malas ainda não estavam completamente fechadas, demos uma boa arrumada antes de sair de casa, isto nos atrasou um pouco a saída, mas era necessário para saber o espaço que tínhamos, bem como para deixar tudo esquematizado para o dia da viagem.


Começamos o dia indo visitar o Mercado Tsukiji (se pronuncia skidji). Há não muito tempo, aqui ficava o mercado de peixe de Tóquio, mas agora o mercado foi transferido para outro lugar, porém os restaurantes que já existiam pelo lugar continuam abertos. Havia muitos turistas por lá, as lojas que vendiam coisas não eram tão caras, os restaurantes é que tinham os preços "extremamente turísticos". Não ficamos muito tempo lá, mas como estávamos perto de Ginza, pudemos começar o dia olhando do que se tratava a área antes de partir para outros itens da programação.

O mercado Tsukiji

No caminho para Ginza se localizava o teatro Kabuki, eu já o havia visto, mas a Pri ainda não, então tomamos o caminho dele. Vimos que era possível visitar, mas que hoje a visitação não ocorreria. Pudemos, no entanto, visitar a lojinha deles, que tinham alguns itens interessantes. Novamente, notei que eles mantinham a calefação numa temperatura muito alta, não estava agradável. Isso é tema recorrente por aqui. 

Uma das ruelas do mercado Tsukiji

Depois fomos comer algo no Starbucks, pegamos um salgado e um doce em estilo italiano. Voltamos à papelaria Itoya e demos uma boa volta nela. Compramos alguns cartões e outros itens, tais como mini-bonzais de plástico que você mesmo monta. A loja hoje estava muito mais vazia do que quando visitei, no final de semana.  

Embaixo de linhas de trem sempre tem restaurantes

Já era hora de almoçar e escolhemos um restaurante de sushi de esteira. Fizemos a festa, pedimos vários tipos de sushi em nosso último almoço no Japão. Quanta coisa gostosa pudemos comer. A Pri ainda ganhou um brinde, um pratinho para colocar molho shoyu, algo que tentamos no primeiro dia e não conseguimos. 


Dali a Pri seguiu para visitar umas lojas que ela queria ver, tais como Shiseido, Issey Miyaki e eu fui tentar cortar o cabelo. Nessa volta ela encontrou (e comprou) as toalhas imabari, que são toalhas extremamente macias e com ótima reputação.

Combinado de atum

Algum peixe branco

Primeiro tentei numa barbearia ali perto de onde estávamos, mas achei muito moderna, eu queria algo mais tradicional. Então voltei para a região do hotel e fui atrás de uma barbearia que já havia pesquisado. Deixei algumas coisas no hotel e me encaminhei para a barbearia. Já do lado de fora notei que ficava numa casinha, com aquele tradicional sinal de barbeiro do lado de fora.

Godzilla e Toho, a companhia pelo qual vi os filmes de Kurosawa

Entrei, um senhor cortava o cabelo de outro senhor. Um silêncio sepulcral. Aguardei pacientemente até minha vez. Quando fui convidado a sentar, usei o tradutor para tentar comunicar ao barbeiro o que eu queria, um corte de cabelo e aparar a barba. Ele fez que entendeu. Perguntou se eu morava no Japão, falei que era apenas turismo. Ele perguntou para onde eu fui, citei todos os lugares.


Foi isso de conversa, ele se pôs a trabalhar. Primeiro, uma toalha quente na cabeça, em seguida o corte de cabelo que deve ter demorado pelo menos 20 minutos. Ele começou limpando a região em volta da orelha com uma navalha. Depois disso, ele abriu algo que parecia uma geladeira, mas na verdade era uma pia que vinha do móvel em frente à cadeira. De repente, na minha frente estava uma pia para lavar o cabelo.

Toalha quente na cabeça

Ele puxou uma mangueira e lavou meu cabelo. Tive de inclinar meu corpo para frente para que ele fizesse o trabalho. Ao voltar para a cadeira, como é tradicional no Japão, recebi uma massagem na cabeça. Estava pronto para a próxima etapa. O barbeiro pegou uma máquina e começou a desbastar a barba. Acho que ele não entendeu bem e ele não contornou a barba, mas tudo bem, eu já estava satisfeito. Levantei-me, ele buscou uma escova e limpou minha camisa. 

A cena de uma barbearia tradicional

Se há uma coisa que eu gosto de fazer em viagens é cortar o cabelo. É parte das coisas quotidianas que eu tento colocar em viagens para ver um pouco mais da vida local. Outra é visitar supermercados, ver que produtos há à disposição, o que se compra, o que se come.


Voltei para o hotel e esperei a Pri chegar, fomos comer um ramen como nossa última refeição antes da volta. Perto do nosso hotel tinha uma abundância enorme de restaurantes, escolhemos um que parecia ser bom e fomos nele mesmo. Foi uma boa escolha, além do ramen também pedimos gyoza e arroz frito. Todo restaurante de ramen a que fomos vendia gyoza, parece ser algo comum aqui. 

O último ramen

Amanhã é nosso voo, de manhã vamos para o aeroporto e é isso. O Japão me deixou uma impressão muito positiva. Nunca vi lugar tão limpo, organizado e silencioso. Eu achei incrível, a natureza do país também é muito bonita e a gente nem foi para os extremos, no norte, na prefeitura de Hokkaido, o inverno é muito intenso, no sul, na prefeitura de Okinawa, o clima é subtropical. Ambas devem ter paisagens incríveis e cultura distintas. 

Um brinde ao Japão

Há tanto o que se explorar no Japão que mais viagens são necessárias. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

PS: Por algum motivo o avião voltou pelo Pólo Norte, atravessamos o estreito de Bering, depois fizemos a curva antes da Groenlândia e entramos no continente europeu pela Dinamarca. Para nossa surpresa, durante esse percurso, uma mensagem apareceu na tela dizendo que quem estivesse do lado esquerdo poderia ver a Aurora Boeral. Foi uma festa no avião, estávamos no lado esquerdo e pudemos ver as incríveis luzes verdes e de outras colorações. Foi uma bela surpresa que encerrou muito bem a viagem.

A rota pelo Pólo Norte

O Japão foi o país mais organizado, limpo e silencioso que eu já visitei. É completamente diferente de todos os lugares em que já estive, especialmente diferente dos lugares em que já morei. Deve haver problemas porque toda essa organização vem ao custo de uma coesão social que deve ter um outro lado como menos independência e respeito extremo à hierarquia. De todos os modos, é um exemplo em diversos aspectos para praticamente o mundo todo. Tem seus problemas históricos, mas isto é óbvio, continua sendo um país feito por seres humanos, que são falhos. 

A Aurora Boreal

Essa viagem vai ficar marcada, antes mesmo de ir embora já estava com vontade de visitar novamente. Há muitos lugares no mundo que ainda quero visitar, talvez uma próxima visita fique para mais adiante, mas a memória, essa fica.

Tristes por ir embora