terça-feira, 22 de setembro de 2026
O primeiro dia em Seul
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Indo para a Coréia do Sul
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Dia 21: O último dia de viagem
Último dia de viagem e tínhamos ainda algumas coisinhas para fazer. Como nossas malas ainda não estavam completamente fechadas, demos uma boa arrumada antes de sair de casa, isto nos atrasou um pouco a saída, mas era necessário para saber o espaço que tínhamos, bem como para deixar tudo esquematizado para o dia da viagem.
Começamos o dia indo visitar o Mercado Tsukiji (se pronuncia skidji). Há não muito tempo, aqui ficava o mercado de peixe de Tóquio, mas agora o mercado foi transferido para outro lugar, porém os restaurantes que já existiam pelo lugar continuam abertos. Havia muitos turistas por lá, as lojas que vendiam coisas não eram tão caras, os restaurantes é que tinham os preços "extremamente turísticos". Não ficamos muito tempo lá, mas como estávamos perto de Ginza, pudemos começar o dia olhando do que se tratava a área antes de partir para outros itens da programação.
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| O mercado Tsukiji |
No caminho para Ginza se localizava o teatro Kabuki, eu já o havia visto, mas a Pri ainda não, então tomamos o caminho dele. Vimos que era possível visitar, mas que hoje a visitação não ocorreria. Pudemos, no entanto, visitar a lojinha deles, que tinham alguns itens interessantes. Novamente, notei que eles mantinham a calefação numa temperatura muito alta, não estava agradável. Isso é tema recorrente por aqui.
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| Uma das ruelas do mercado Tsukiji |
Depois fomos comer algo no Starbucks, pegamos um salgado e um doce em estilo italiano. Voltamos à papelaria Itoya e demos uma boa volta nela. Compramos alguns cartões e outros itens, tais como mini-bonzais de plástico que você mesmo monta. A loja hoje estava muito mais vazia do que quando visitei, no final de semana.
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| Embaixo de linhas de trem sempre tem restaurantes |
Já era hora de almoçar e escolhemos um restaurante de sushi de esteira. Fizemos a festa, pedimos vários tipos de sushi em nosso último almoço no Japão. Quanta coisa gostosa pudemos comer. A Pri ainda ganhou um brinde, um pratinho para colocar molho shoyu, algo que tentamos no primeiro dia e não conseguimos.
Dali a Pri seguiu para visitar umas lojas que ela queria ver, tais como Shiseido, Issey Miyaki e eu fui tentar cortar o cabelo. Nessa volta ela encontrou (e comprou) as toalhas imabari, que são toalhas extremamente macias e com ótima reputação.
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| Combinado de atum |
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| Algum peixe branco |
Primeiro tentei numa barbearia ali perto de onde estávamos, mas achei muito moderna, eu queria algo mais tradicional. Então voltei para a região do hotel e fui atrás de uma barbearia que já havia pesquisado. Deixei algumas coisas no hotel e me encaminhei para a barbearia. Já do lado de fora notei que ficava numa casinha, com aquele tradicional sinal de barbeiro do lado de fora.
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| Godzilla e Toho, a companhia pelo qual vi os filmes de Kurosawa |
Entrei, um senhor cortava o cabelo de outro senhor. Um silêncio sepulcral. Aguardei pacientemente até minha vez. Quando fui convidado a sentar, usei o tradutor para tentar comunicar ao barbeiro o que eu queria, um corte de cabelo e aparar a barba. Ele fez que entendeu. Perguntou se eu morava no Japão, falei que era apenas turismo. Ele perguntou para onde eu fui, citei todos os lugares.
Foi isso de conversa, ele se pôs a trabalhar. Primeiro, uma toalha quente na cabeça, em seguida o corte de cabelo que deve ter demorado pelo menos 20 minutos. Ele começou limpando a região em volta da orelha com uma navalha. Depois disso, ele abriu algo que parecia uma geladeira, mas na verdade era uma pia que vinha do móvel em frente à cadeira. De repente, na minha frente estava uma pia para lavar o cabelo.
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| Toalha quente na cabeça |
Ele puxou uma mangueira e lavou meu cabelo. Tive de inclinar meu corpo para frente para que ele fizesse o trabalho. Ao voltar para a cadeira, como é tradicional no Japão, recebi uma massagem na cabeça. Estava pronto para a próxima etapa. O barbeiro pegou uma máquina e começou a desbastar a barba. Acho que ele não entendeu bem e ele não contornou a barba, mas tudo bem, eu já estava satisfeito. Levantei-me, ele buscou uma escova e limpou minha camisa.
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| A cena de uma barbearia tradicional |
Se há uma coisa que eu gosto de fazer em viagens é cortar o cabelo. É parte das coisas quotidianas que eu tento colocar em viagens para ver um pouco mais da vida local. Outra é visitar supermercados, ver que produtos há à disposição, o que se compra, o que se come.
Voltei para o hotel e esperei a Pri chegar, fomos comer um ramen como nossa última refeição antes da volta. Perto do nosso hotel tinha uma abundância enorme de restaurantes, escolhemos um que parecia ser bom e fomos nele mesmo. Foi uma boa escolha, além do ramen também pedimos gyoza e arroz frito. Todo restaurante de ramen a que fomos vendia gyoza, parece ser algo comum aqui.
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| O último ramen |
Amanhã é nosso voo, de manhã vamos para o aeroporto e é isso. O Japão me deixou uma impressão muito positiva. Nunca vi lugar tão limpo, organizado e silencioso. Eu achei incrível, a natureza do país também é muito bonita e a gente nem foi para os extremos, no norte, na prefeitura de Hokkaido, o inverno é muito intenso, no sul, na prefeitura de Okinawa, o clima é subtropical. Ambas devem ter paisagens incríveis e cultura distintas.
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| Um brinde ao Japão |
Há tanto o que se explorar no Japão que mais viagens são necessárias. Vamos ver o que o futuro nos reserva.
PS: Por algum motivo o avião voltou pelo Pólo Norte, atravessamos o estreito de Bering, depois fizemos a curva antes da Groenlândia e entramos no continente europeu pela Dinamarca. Para nossa surpresa, durante esse percurso, uma mensagem apareceu na tela dizendo que quem estivesse do lado esquerdo poderia ver a Aurora Boeral. Foi uma festa no avião, estávamos no lado esquerdo e pudemos ver as incríveis luzes verdes e de outras colorações. Foi uma bela surpresa que encerrou muito bem a viagem.
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| A rota pelo Pólo Norte |
O Japão foi o país mais organizado, limpo e silencioso que eu já visitei. É completamente diferente de todos os lugares em que já estive, especialmente diferente dos lugares em que já morei. Deve haver problemas porque toda essa organização vem ao custo de uma coesão social que deve ter um outro lado como menos independência e respeito extremo à hierarquia. De todos os modos, é um exemplo em diversos aspectos para praticamente o mundo todo. Tem seus problemas históricos, mas isto é óbvio, continua sendo um país feito por seres humanos, que são falhos.
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| Tristes por ir embora |
Dia 20: Museu Nacional de Tóquio e algumas comprinhas
Hoje decidimos tomar café da manhã como um salaryman, ou seja, como um trabalhador assalariado japonês. Como comer fora aqui não é tão caro, há restaurantes para todas as refeições, inclusive café da manhã.
O café da manhã tradicional japonês é bem diferente do que aquele que conhecemos no Brasil. Eles comem peixe, sopa e arroz de manhã. Queríamos ter essa experiência e fomos a um restaurante que servia este tipo de comida perto do nosso hotel. Primeiramente fizemos o pedido numa máquina, depois sentamos num lugar e esperamos pelo nosso número ser chamado. Buscamos nosso pedido no balcão e comemos.
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| Café da manhã japonês |
O nosso pedido contava com uma missoshiro, que é sopa de missô, salmão grelhado, um pote de arroz, um preparado de carne e cebola além de uma saladinha. Chá era gratuito, como também acontece nos restaurantes de sushi, além de água.
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| No café da manhã |
Notamos que o restaurante não estava lotado, mas que entravam e saíam pessoas com alguma frequência. Inclusive, a pessoa que entrou atrás da gente estava esperando para usar a mesma máquina que na qual estávamos fazendo o pedido, porque era a única que aceitava dinheiro. Pouco depois ele veio à nossa mesa nos entregar um dos tickets que havíamos esquecido de pegar. Ainda notamos que ele estava gravando um vídeo enquanto comia, já já o encontraremos no YouTube.
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| O restaurante do café da manhã |
Dali fomos para o Museu Nacional de Tóquio para ver um pouco do que se produz de arte no Japão e a história geral da arte no país. O museu era enorme e não fizemos nem a metade, visitamos apenas um dos diversos edifícios. Dentre os itens que vimos, havia caixas decoradas, kimonos, espadas e armaduras, bonecos de madeira, guardiões de templos, itens religiosos, biombos, papiros, tecidos e muitos mais.
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| Uma caixa cheia de detalhes |
A minha mãe sempre gostou muito da estética oriental e, por isso, nossa casa tinha diversos destes objetos decorando a sala de estar. Por isto, tenho como referência diversos elementos que ao olharmos conectamos à China e Japão. Por exemplo, lembro-me nitidamente de um biombo pequeno com temática de árvores, leques em vasos, vasos pequenos de porcelanas ou ainda sábios chineses em porcelana.
A nossa sala de estar era dividida em dois ambientes, cada um com uma mesa de centro e algumas mesas que eram postas ao lado dos sofás e cadeiras. Estas mesas centrais e laterais eram decoradas com caixinhas laqueadas, algumas com cadeados, outras que eram caixas de música, e ainda outras com alguns elementos em relevo.
Lembro-me que havia um biombo com uma espécie de jardim 3D separado por duas placas de vidro, compondo uma paisagem. Conto isto para mostrar como estes elementos formaram minha percepção estética e como não vejo nenhum destes elementos como tão estranhos a mim.
O museu contava com objetos de literatura, como por exemplo, um papiro contendo O Conto de Genji, um trabalho clássico considerado o primeiro romance japonês, escrito por uma nobre chamada Murasaki Shikibu, no século XI. Outros papiros, lindamente decorados, eram contratos ou ainda outros contos épicos. O detalhe de cada um destes trabalhos era incrível, obviamente, não eram textos para a massa.
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| Uma ilustração de O conto de Genji, escrito por Murasaki Shikibu e ilustrado por Kano Ryusetsu Hidenobu. |
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| Um kimono formal, uchikake, do período Kamakura |
Um estilo de arte que eu gosto muito é o Ukiyo-e, que é uma espécie de impressão feita a partir de placas de madeira esculpida. O artista cria painéis de madeira que em conjunto pode usar para imprimir em sequência uma cena, cada parte do painel recebe a aplicação de uma tinta que no final das contas é transferida para o meio em que o desenho será criado.
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| A gravura Odai é parte da série The Sixty-nine Stations of the Kisokaido de Hiroshige Utagawa |
Este estilo de arte se desenvolveu entre os séculos XVII e XIX. Um destes artistas que é bem conhecido é Hokusai, que criou uma série de quadros que engloba o famoso A grande onda de Kanagawa. Há outros artistas famosos como Utagawa Toyokuni que tem painéis famosos como Gueixas, Samurais dentre outros.
Na loja do museu, já na saída, havia diversos itens interessantes, mas um que me chamou a atenção em especial foi uma réplica de um par de quadros famosos representando os deuses do vento e do relâmpago e trovão. Esta figura me chamou a atenção pela incrível semelhança com o personagem Blanka, do título de vídeo game Street Fighter 2.
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| Fujin, o deus do vento no shintoísmo |
No jogo a história é que ele teria sofrido uma queda de avião na floresta amazônica e o contato com enguias elétricas teria gerado essa mutação. Porém, depois de visitar o Japão e ter contato com essa figura, não compro mais essa história.
Depois de visitar o museu fomos comer um ramen, este com base de missô. Embora gostoso, ele fica um pouco enjoativo depois de tanto tomar o caldo. Dali pegamos um trem e fomos para o bairro de Yanaka Ginza, que não tem nada a ver com Ginza.
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| Mais um ramen |
A promessa era que Yanaka Ginza fosse ser um bairro charmoso que preservava ainda as características de Tóquio de antes da guerra. Além disso, contaria com diversas lojinhas legais e alguns restaurantes. Chegando lá, notamos que a área da visita é apenas uma rua com diversas lojas, embora de fato o local fosse charmoso, havia pouco para se fazer, algumas lojas estavam fechadas e aquelas abertas não tinham preços tão convidativos.
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| Chegando em Yazaka Ginza |
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| Uma casinha em Yanaka Ginza |
Depois de rodar as lojas, fomos para um outro tipo de mercado de rua, chamado de Ameyoko no bairro de Ueno. Neste lugar vendia-se de tudo, desde tênis até comida, lojas vendendo chá verde, salgadinhos, docinhos e até um supermercado chinês. Neste mercado encontramos um vinagre que estávamos buscando desde que o provamos em Kyoto, trata-se do vinagre preto Shanxi, que é do norte da China. Gostamos tanto que fomos atrás.
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| Rua Umeoko, em Ueno |
Essa região tinha tantas lojas quanto pessoas, tudo muito cheio e confuso. No meio desse caos todo havia um templo, como muitas vezes há no Japão. Há templos por todos os lados, e quando não são templos, há pequenas casas de veneração no meio da rua. Essa rua tinha mais cara de Uruguaiana do que a organização japonesa a que acabamos por nos acostumar.
Encontramos uma loja vendendo produtos de chá verde, tomamos um sorvete de chá verde, como fizemos ao longo de toda nossa viagem. A Pri encontrou alguns chás para levar para o pai dela. Aliás, o pai da Pri é fascinado pelo Japão e conhece muito da cultura. Volta e meia ele nos fazia uma pergunta do tipo: já comeram tal coisa (um nome em japonês completamente específico)? Ou, tiveram a oportunidade de ver (outro nome japonês), que é o festival de tambores? Ele sabe muito da cultura japonesa! Impressionante que saiba tanto de outro país sem nunca ter posto o pé nele.
Ainda havia mais um lugar que eu queria visitar neste dia, como era o penúltimo dia, eu queria fazer o máximo para liberar o último dia e ficar mais tranquilo. Fomos à rua Kappabashi, que é onde há as lojas que fornecem os produtos para os restaurantes japoneses. Mesmo com duas horas para caminhar pela rua, não conseguimos chegar nem perto de explorá-la como se devia fazê-lo.
A rua contava com lojas vendendo todos os tipos de produtos. Produtos de cerâmicas, hashis, facas, copos, panelas, era tanta coisa que valeria a pena dedicar um dia inteiro (e uma mala inteira) para produtos gastronômicos. Eu, particularmente, ainda queria comprar uma tigela de sopa, um hashi e ver o que havia por lá.
Depois de tomar cerveja em todos os lugares com o copo pequeno, que imagino comportar 150 ml, queria um desses para mim. A primeira coisa que fizemos foi visitar uma loja de itens de cerâmica, demos uma volta e, quando perguntei que horas fechava, nos programamos para dar uma volta na rua e voltar em tempo.
Entramos em diversas lojas atrás da tigela de sopa. Não achei nada que gostasse e que ainda lembrasse o Japão. Isto porque se há algo com cor de terra ou cinza, bem rústico, eu gosto, mas isto não lembra o Japão, é um item que pode ser comprado em qualquer lugar. Hashi eu queria um tipo específico, para comer macarrão. Como o macarrão é mais escorregadio, o hashi tem de ter a ponta áspera ou com ranhuras, para aumentar o atrito e não deixar o macarrão escorrer.
A rua também contava com diversas lojas de facas, tive vontade de entrar em todas elas, mas sem tempo, acabei pulando todas. Finalmente a Pri encontrou a loja vendendo itens de vidro e lá comprei os copos de cerveja! Também entramos numa loja que vendia produtos relacionados ao preparo de café e compramos um moedor manual da marca japonesa Hario. Até termos espaço em casa, este passa a ser nosso moedor oficial.
Na volta para o metrô passamos na primeira loja que visitamos na região, comprei a tigela que eu havia gostado, feita no Japão e com desenho que remetia aos padrões que vimos durante a viagem, mas não tão detalhado e com itens japoneses quanto aquela que a Pri comprou na feira em Kyoto. Também compramos dois copos de chá bem bonitos.
Como tínhamos muitas coisas na mochila e em sacolas, decidimos voltar para o hotel para descarregar. Isto porque sabíamos que nos carregaríamos novamente. Nosso próximo objetivo era encontrar um mercado japonês perto do hotel. Indo para um mercado que encontrei no mapa, passamos por diversos restaurantes.
Novamente, os restaurantes ficavam próximos à linha do trem. Isso parece servir a dois propósitos, primeiro é o aproveitamento de espaço, em Tóquio há tanta gente, há tanto público para comida, e falta tanto espaço que cada lugar é aproveitado. Além disso, perto das linhas e, especialmente estações, há sempre gente e isso é público.
No mercado compramos, wasabi, furikake, molho de soja, e até arroz! Contamos com a ajuda de um funcionário que falava bem inglês e acabamos perguntando um monte de coisas para ele. Notamos que o mercado também vendia comida pronta e que isso é algo cultural deles.
Estávamos com fome e fomos jantar, escolhemos outro Izakaya para comer. Escolhemos o bar que nos pareceu bom e pedimos para sentarmos em mesas, não havia mesas disponíveis, foi-nos oferecido o bar. Pedimos para esperar, mas ele falou que não ia ter como. Depois de algumas idas e vindas, aceitamos. Ele então diz que o pagamento só poderia ser feito em dinheiro, com a cabeça respondemos, ok. Ele emenda, dinheiro do Japão. Rimos e falamos, tudo bem.
Notamos que cada um destes restaurantes sempre tem alguma coisa diferente. Estávamos atrás dos espetinhos, mas provamos mais coisas, como por exemplo um bife de kobe ensopado, uma casquinha de siri que, surpreendentemente, estava recheada de macarrão.
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| A entrada do izakaya |
Pedimos novamente a salada de cenoura com batata doce frita, essa deve ser um clássico aqui. Pedimos uns espetinhos de carne e frango e alguns pratos fritos. Foi um belo fim de noite e um ótimo penúltimo jantar.
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| A incrível salada de cenoura e batata doce frita |
domingo, 9 de novembro de 2025
Dia 19: Um dia de compras
Começamos o dia um pouco mais tarde, como tudo que queríamos fazer abria mais tarde, não havia motivo para sair de casa cedo, embora eu sempre queira sair cedo quando estou viajando e não consigo me controlar. Tomamos o café da manhã no próprio hotel, que tinha um café bem legal.
Nosso primeiro destino foi uma loja de eletrônicos, mas que vende muito mais do que isso. O nome da loja é Yodobashi camera e vende muita coisa que eu queria comprar, por exemplo, canetas, lapiseiras, barbeador elétrico e até relógio. Fizemos excelentes compras na loja e fomos deixar as coisas no hotel, já que estávamos bem perto. A Pri já comprou meu presente de aniversário do ano que vem, um relógio, mas ainda não o ganhei, só no aniversário!
Em vez de seguir visitando outras lojas pela região, fomos para o outro lado da cidade para o curso que tínhamos marcado de Kintsugi. Essa é uma arte japonesa que serve como metáfora para a vida. Quando um objeto cerâmico quebra, temos duas opções diante de nós: comprar um novo item para repô-lo ou realizar um conserto para tornar o item especial.
Esta forma de arte é baseada na ideia de que reparar algo quebrado o torna mais forte e mais bonito. Este conceito casa com outro conceito japonês chamado de Wabi-sabi, que enxerga beleza na imperfeição, notando que tudo é imperfeito e nada é permanente.
Antes de entrar no curso ainda encontramos um restaurante vendendo kurepan para viagem. Esse é uma espécie de pão recheado de curry, que não é originalmente japonês, e depois frito com panko para dar uma textura crocante. Pedimos dois sabores, carne e camarão. O pão é crocante e o recheio é saboroso.
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| O local que vendia o pão de curry |
Entramos no local do curso, nos apresentamos, efetuamos o pagamento e pusemos as roupas de proteção para lidar com produtos químicos. O curso foi ministrado por um especialista no assunto que previamente trabalhou em outros ramos e nos disse que seu chamado na vida era a cerâmica. Imaginem um prato quebrado, o reparo que exercemos consistia nos seguintes passos.
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| O prato quebrado, lado que usamos para treinar |
Primeiro, arredondar as bordas de onde o prato havia sido quebrado, criação de dois pontos que chamassem a atenção para quem quer que olhe para o prato, o primeiro ponto maior e o segundo menor. Segundo, junção das partes através da utilização de resina extraída de plantas. Terceiro, preenchimento do fundo do prato e das rachaduras com laquê tradicional japonês. Quarto, realce das rachaduras e dos pontos de atenção através da utilização de pó de ouro para embelezamento.
Começamos fazendo o reparo na parte inferior do prato para aprender a usar as técnicas e depois passamos para a parte de cima, que é mais visível. No total ficamos quase duas horas no curso. Gostei bastante de fazê-lo, mesmo que ele tenha sido uma versão bem curta do processo tradicional, já que usamos alguns produtos mais modernos. Esse parece ser um hobby bem interessante.
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| Mr. Taku Nakano |
Quando o curso terminou, voltamos para a área em que estávamos pela manhã e visitamos uma região com lojas de artesanato. O local ficava debaixo de um viaduto e tinha algumas lojas interessantes, mas nada fora do comum.
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| Mais um espaço aproveitado debaixo da linha de trem |
Dali fomos visitar a loja Super Potato, que vende itens de videogame e jogos de cartas, mas não baralho, cartas de heróis ou universo fantástico. Eu fiquei interessado na parte de videogames, mas eu visito estas lojas muito mais como um museu do que como uma loja em si.
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| Super Famicom, para a gente, Super Nintendo |
Ver consoles antigos, jogos antigos rodando e fitas me deixa feliz. Dentre os consoles vimos Atari 2800, Neo Geo, Famicom (que é o Nintendo de 8 bits versão japonesa), Super Nintendo, Super Famicom, Nintendo 64, Master System e Mega Drive. Vimos cartuchos para todos os consoles também.
Depois fui procurar as lojas do tipo que deram a Akihabara o apelido de electric town. Antes de acertar nos levei para um prédio que só tinha coisa de animê, lotado e sem janelas, subimos e descemos sem encontrar nada do que eu queria ver. Frustrado, descemos o prédio e fui tentar encontrar o que eu queria ver.
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| Nessa região havia uma exposição com os primeiros heróis japoneses, Ultraman |
Quando finalmente encontramos, ficou óbvio que era isso que eu queria ver. Diversos componentes eletrônicos, lembrando a época do segundo grau em que íamos para o centro comprar material para nossos projetos. Também vimos vários itens de segunda mão, inclusive câmeras, rádios e tamagotchis. Para quem não lembra, houve uma época em que era febre cuidar de um dispositivo eletrônico pré-programado como se fosse um animal de estimação. Isso ainda é vendido no Japão, parece que houve um ressurgimento disto agora.
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| Uma galeria dedicada à eletrônica e a produtos de segunda mão |
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| Detalhe interno |
Depois de todo esse passeio resolvemos comer em um sushi preparado no balcão por um chefe. Escolhemos um restaurante na estação de trem Akihabara e tivemos uma surpresa ao chegar. O restaurante não tinha bancos, comíamos em pé! Cada lugar tinha seu próprio tablet e por ali podíamos pedir o que quiséssemos, o chefe recebia o pedido e preparava na nossa frente. Provamos várias coisas, gostei muito do atum e de alguns peixes brancos. Talvez esse tenha sido o sushi mais saboroso que tenhamos comido em nossa estadia. Tudo estava realmente bem gostoso.



















































