terça-feira, 29 de setembro de 2026

O terceiro dia Busan

De acordo com o que havíamos planejado, iríamos para uma região a sudoeste do hotel, onde pegaríamos um teleférico entre dois pontos da costa. Porém, chovia de manhã, e como diz o ditado em Yiddish, "Men tracht und Gott lacht ', em Português: "Os homens planejam e Deus ri".

Então mudamos os planos, primeiro comprei um guarda-chuva baratinho na loja de conveniência 7 Eleven que ficava no mesmo edifício do hotel, depois fomos visitar os mercados tradicionais de roupa e de comida que ficavam nas cercanias do hotel. Aliás, aqui vale um parênteses sobre as lojas de conveniência. 

Meu primeiro contato com esse tipo de loja foi nos EUA, depois elas surgiram no Brasil, quase sempre associadas a postos de gasolina, mas foi no Japão que as vi em sua melhor forma. Isso, por que lá estas lojas são abastecidas por fábricas de comida cujos produtos são incríveis. Aqui tentaram fazer algo parecido, porém, muitas vezes não há a variedade de sanduíches que gostaríamos, isso quando há sanduíches.

Voltando ao roteiro do dia, primeiro entramos no mercado de comida. O café da manhã dos coreanos é muito diferente do nosso. Eles tomam sopa, comem panquecas, e coisas que a gente associa a refeições como almoço e janta. Todavia estamos na Coréia e, portanto, devemos fazer como os coreanos.

Uma das diversas lojas no mercado

Os produtos à venda

Entramos num restaurante que vendia este tipo de refeição e compramos duas panquecas, uma de feijões mungo e outra de cebolinha com frutos do mar. Cada uma tinha um gosto característico e eu gostei de ambas. De acompanhamento (ou entrada) recebemos uma tigelinha de sopa de peixe e um molhinho picante de shoyu.

Panquecas de cebolinha com frutos do mar e feijões mungo

Andamos bastante nesse mercado e vimos muitas outras vendas de comida. Passamos ao outro mercado onde havia lojas vendendo outros produtos. Devo confessar que eu esperava ver menos vendas deste tipo na Coréia. O que associamos com um país desenvolvido é que tudo seja mais formalizado, ou ao menos com aspecto mais profissional. 

Onde tomamos café da manhã

Isso mostra que olhar indicadores como PIB ou PIB per capita não são suficientes para contar toda a história. Há tentativas de medir o grau de desenvolvimento de um país, mas nada é definitivo e captura o estado geral. Aliás, talvez a medida nem deva ser feita consolidando um país, mas sim regiões ou até cidades.

Quando saímos do mercado, caminhamos pela rua em que estivemos ontem, que abrigava muitas lojas. Caminhamos nela em direção a um shopping para visitar as lojas que estavam fechadas por conta do feriado. A Pri havia estado lá no dia anterior, mas não conseguiu adiantar nada. Hoje fomos na Uniqlo, que é uma loja de roupa japonesa com preço excelente e boa qualidade. Compramos algumas peças nela.

Se aproximava a hora do almoço e fomos visitar o mercado de peixes Jagalchi. Infelizmente ele estava fechado porque estenderam o feriado. Fizemos uma pesquisa do que gostaríamos de comer e começamos a buscar pela área. No primeiro restaurante em que perguntamos, recebemos uma negativa, mas a moça foi muito simpática escrevendo no meu telefone o endereço do tipo de restaurante que eu buscava, chagando até a compartilhar a internet do restaurante em que ela trabalhava para me mostrar no mapa.

Essas placas "Eu amo lugar" estão por todos os lados do mundo. Basta!

Os restaurantes atrás do mercado (ou na frente), dependendo da perspectiva seja de um peixe ou de um ser humano

Começamos a andar em direção ao restaurante que ela nos havia indicado, quando a Pri me perguntou se não valia a pena comer algo por lá mesmo, já que a atendente havia sido tão legal. Voltamos! Pedimos uma enguia na brasa, camarão, um refrigerante de abacaxi, uma cerveja e um soju, que é um fermentado de arroz com teor alcoólico próximo ao de vinho, já que queríamos provar.

Sempre nos servem muitas entradinhas

Uma cerveja, um soju e muitos copos

A comida antes do preparo

A comida havia sido suficiente para a Pri, mas eu ainda queria provar o Nakgopsae, que é um cozido de polvo, intestino de boi e camarão. Caminhamos até a indicação dada pela moça, não encontramos exatamente o restaurante, mas achamos outro bem próximo. Pedi a porção individual que foi preparada numa panela na nossa mesa. A comida era de fato muito interessante. Aliás, aqui há muita coisa diferente e há muitos pratos para provar.

A comida cozinhando

O resultado

De noite havia um show de drones especial para o feriado de Chuseok. O plano era pegar um ônibus para chegar à praia onde seria o show. O ônibus estava lotado, foram mais de quarenta minutos de trajeto. Eu me senti um gringo indo à Copacabana. A organização em si era boa e o show foi interessante. Foi a primeira vez que vi um espetáculo destes ao vivo. O show foi muito curto, a prévia com luzes projetadas na ponte durou mais do que a parte principal.

A ponte onde na região onde ocorreria o show

Os drones em ação

Quando o espetáculo terminou, fomos em busca de uma cervejaria que se especializava no estilo alemão de cerveja. Provei duas cervejas, sendo uma de centeio e outra uma lager lupulada. Pedimos o frango (asinha e drumete) temperados para acompanhar. Voltamos para o hotel em outro ônibus cheio por mais quarenta minutos.

O bar de cervejas alemãs



O segundo dia em Busan

Nesse segundo dia, programamos fazer as coisas mais próximas da região onde ficava o hotel, e por isso tomamos um ônibus para a vila tradicional Gamcheon. Como se tornaria a tônica de Busan, os ônibus sempre cheios e muitas vezes fomos obrigados a viajar em pé. A história dessa vila se conecta à guerra da Coréia. Os refugiados norte-coreanos se estabeleceram nestas montanhas e criaram suas casas aqui, com o tempo a região teve a infraestrutura melhorada e atualmente é um ponto turístico. O que me parece é que a vila é o resultado da melhoria de uma favela.

A vista de cima

O que se vê atualmente são casas coloridas, murais desenhados por diversos muros e um sem número de lojas, café e restaurantes. Além, é claro, de um enorme número de turistas ávidos por comprar souvenirs, comer doces e tomar cafés. 

Aqui é Gamcheon

Para manter a temática do dia, visitamos outra vila tradicional, agora uma localizada numa ilha conectada à terra por uma ponte. Essa outra vila se localizava numa encosta e era basicamente uma reta com uma rua de mão dupla para carros e outra pavimentada e com um muro de ponta a ponta para pedestres. Os dois caminhos eram separados por lojas, restaurantes e cafés. 

A rua à beira do mar

Detalhe da mureta

Encontramos um café chamado de Cafeteira Lisboa. Vimos algo que se parecia muito a um pastel de nata, pedimos um para cada e um café. Depois da primeira mordida, a decepção. O nome em inglês que se dá a isso é egg tart, e de fato o que comemos foi uma torta de ovos e não um pastel de natas. 


Torta de ovos

A Pri tinha agendado um tratamento do couro cabeludo numa clínica chamada Ecojardin, então, dali nos encaminhamos para o bairro em que ficava a clínica. Tínhamos de pegar dois transportes, um ônibus e depois um metrô. Quando saltamos do ônibus estávamos em frente a um shopping bem perto do hotel. Como ainda havia tempo, a Pri passou no shopping enquanto eu fui lavar a roupa. 

Isso não levou nem uma hora, tanto porque a lavagem foi rápida quanto porque o shopping estava fechado por conta do feriado de Chuseok, o maior da Coréia do Sul. Este é o feriado da colheita que ocorre no Outono, quando a lua cheia está brilhando mais.

Marcamos de nos encontrarmos e seguimos para o bairro da clínica. Nosso plano era buscar o famoso macarrão gelado de Busan. O primeiro restaurante que tentamos estava fechado, por sorte o segundo esteva aberto. Além de sopa gelada, também havia uma opção de macarrão apimentado. Adicionamos um prato de gyoza e este foi o nosso almoço, logo antes da visita ao salão-clínica.

A sopa gelada vem até com gelo

O macarrão apimentado

Ficamos cerca de três hora no salão. Analisaram o couro cabeludo da Pri com uma câmera, depois ela passou por dezoito etapas nesse processo de limpeza. Os destaques destas dezoito etapas foram: uma massagem no trapézio, uma massagem capilar, uma toca de máquina com fumaça gelada, uma cachoeira de água e diversas lavagens. No final ela ainda cortou o cabelo e só faltou sair com os olhos puxados.

Tentamos achar uma cervejaria pela região, mas como era feriado, a que eu havia marcado no mapa estava fechada. Pegamos o metrô e chegamos à área perto do hotel, chamada de BIFF, para Busan International Film Festival. Nessa área há várias vendas de comida e a Pri comprou uma massa frita recheada de castanhas e sementes doces. Antes de comer este doce ainda rodamos um pouco pelas lojas da Fashion Street, que também fica ali perto.

Pouco óleo

A entrada do Busan Internacional Film Festival


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O primero dia em Busan


Como estávamos um pouco cansados, dormimos um pouco mais do que o habitual. Em vez de tomarmos café pela região em que nos hospedamos, decidimos já ir para a região que visitaríamos, por isso pegamos uma hora de ônibus para Haeundae.

Calmamente fomos buscar um café para tomar, no caminho de um estabelecimento que a Pri havia marcado no mapa, havia uma padaria com fila vendendo apenas um produto, pão de sal. Esse pão é muito comum aqui, e neste lugar a única opção de compra era um conjunto de quatro pães que vinham numa sacola bem bonita.

A padaria

A padaria trabalha numa linha de produção, a fila do caixa tem até aquela divisória que vemos em bancos no Brasil, ela desemboca numa máquina onde a opção única é exibida. As únicas escolhas que podemos fazer é sobre o idioma da tela e a forma de pagamento.

O pão de sal

Logo depois de pagar, nos movemos e recebemos nossa sacola com os pães. Atrás vemos a produção onde os pães são feitos e embalados. O negócio me pareceu muito bom, a escolha única nos obriga a comprar quatro unidades. Além de facilitar a logística, ainda garante um mínimo de vendas.

O local onde ficava o café era muito próximo ao mar

Seguimos nosso caminho e encontramos o café que estava marcado no mapa. Um pouco difícil de encontrar, já que ele ficava no segundo andar de um prédio localizado numa ladeira. Além de uma vista muito bonita, o lugar era muito bem decorado e o café espetacular.

Estética minimalista

Cenário de filme

Um capuccino e um latte

Saindo do café fomos para uma linha de trem que faz um curto trecho margeando a costa. Além do trem, há um outro meio de transporte suspenso para duas ou quatro pessoas. O nome deste é Sky Capsule, mas esgota muito rapidamente. Já havíamos visto mesmo antes de chegar na Coréia que não conseguiríamos ir num destes. O que não esperávamos era que o trem fosse lotar e o horário disponível ficasse para 14:30 da tarde. Agora, este horário fixo não fez muito sentido para a gente, sobretudo porque é possível sair em diversas estações no caminho e voltar a embarcar. 

Visto que estávamos com esse horário mínimo para iniciar esse trecho da visita, resolvemos fazer o resto que tínhamos para esse dia. Primeiro subimos a uma enorme torre de 416 m de altura, chamada de Busan X The Sky. O elevador levou por volta de 48 s para chegar ao centésimo andar, e de lá pudemos ver boa parte da cidade do alto. Busan é muito espalhada e do alto isso fica nítido, há diversas montanhas cortando a cidade, além de rios e praias que tornam a cidade tão acidentada como o Rio. Além da vista para diversas regiões, lá há uma ponte de vidro que nos permite passar de um lado a outro apreciando a enorme altura que nos separa da terra.

Esse elevador faz poucas paradas

As três torres de dia

A vista lá de cima

Ainda com tempo para pegar o trem costeiro, fomos a uma feira de comida de rua. Estas feiras são uma boa oportunidade para provar os acepipes locais sem nos comprometermos com uma porção muito grande. Ali provamos gyoza de kimchi no vapor, bolo de peixe, que é uma folha feita de peixe e alguma farinha para dar a consistência necessária para cortar e enviar no palito, provamos também makgeolli, o vinho coreano de arroz.



Uma loja vendendo quitutes de polvo

É comum ver estas panelas para demonstrar as comidas disponíveis para venda

Nosso horário já se aproximava e voltamos para o parque onde ficava a primeira estação do trem costeiro. Embarcamos e, dentre os possíveis locais para desembarque escolhemos dois, o primeiro foi uma vila de pescadores chamada Cheongsapo. A coisa mais marcante da vila eram dois faróis, um branco e outro vermelho. Além de diversos restaurantes, havia um pier, um porto e o ponto final da cápsula que eu havia comentado antes. Ficamos pouco menos de uma hora e embarcamos novamente no trem.

Os dois faróis de Cheongsapo

Os dois faróis de Cheongsapo e nós

A passagem de um bondinho e uma cápsula pelo cruzamento

Nossa segunda parada foi numa estrutura metálica elevada, muito acima do nível do mar, com piso de vidro. Ela avançava mar adentro e o piso translúcido nos deixava ver o mar abaixo. Era interessante, mas nada do outro mundo.

O apêndice de vidro

Pegamos o trem novamente e dessa vez fomos até a última parada. Dali pegamos um táxi e fomos ao templo Haedong Younggungsa. Antes de começar a visita ao templo, comemos algo que tem bastante por aqui, corndog. Isso basicamente é uma salsicha com uma massa em volta. O que é melhor nessa iguaria são os molhos que podemos adicionar. 

O templo se vendia como o mais bonito da Coréia, porém um título apropriado seria o templo mais cheio da Coréia. Ele de fato era bonito porque ficava à beira do mar, mas já vimos outros no mesmo estilo no Japão.

O templo Younggungsa, o sinal não significa dinheiro!

Depois da visita voltamos de ônibus até a estação final do trem turístico e quando embarcamos, depois de meia hora de espera, já era noite. Desembarcamos no local de origem do passeio, caminhamos pela orla até a região do mercado. Ainda na orla entramos numa cervejaria e depois, já próximo ao mercado, onde também havia muitas lojas e restaurantes, visitamos um segundo bar. Aqui provei duas cervejas e fiquei surpreso com o sabor.

Já se aproximava o horário da janta e encontramos um restaurante servido a tradicional sopa de porco coreana, dwaeji-gukbap. A sopa é quase insossa são os temperos que a acompanham que dão gosto e, devemos adicioná-los de acordo com nosso gosto. Ainda pedimos uma bandeja de carne e salsicha tradicional coreana para acompanhar. Aliás, essa linguiça é uma surpresa, já que o recheio é feito de sangue e macarrão de arroz, deixando a consistência muito diferente das linguiça que conhecemos. Na volta, passamos mais uma hora no ônibus até chegarmos ao nosso hotel.

A base da sopa

O prato de proteínas




domingo, 27 de setembro de 2026

O quarto dia em Jeju

Como ontem perdemos a subida ao Seongsan Ilchulbong, decidimos fazê-lo bem cedo para dar tempo de voltar ao hotel e tomar um banho antes de seguir o dia. Isso parecia especialmente importante já que teríamos um voo para Busan de noite.

Seongsan Ilchulbong

A subida não era tão difícil, mas novamente havia muitos degraus. A manhã nos poupou do sol, o que amenizou o calor, mesmo assim foi inevitável suar. No topo nos aguardava uma incrível formação geológica em formato de cone, a forma era muito nítida e me impressionou bastante. 

A vista de cima

Depois da subida, voltamos ao hotel para tomar banho e seguimos viagem para o norte, parando para visitar duas praias no caminho. A primeira praia que visitamos se chamava Woljeong, tinha areia bem branca e um pier grande. Algumas pessoas estavam surfando e quase ninguém estava na areia.

O sinal da praia

A segunda praia se chamava Hamdeok e nos pareceu muito bem desenvolvida. Era bem bonita e tinha muita gente por toda a sua extensão. Passeamos um pouco, toquei no mar e fizemos o resto dela de carro. 

O mar era cristalino

E a praia estava vazia


Antes de devolver o carro passamos no mercado da cidade de Jeju. Além de olhar os produtos locais comemos alguns quitutes, tais como um rolinho de carne de porco, uma bola de arroz com salmão e um espetinho de carne de porco com molho de soja que parecia teriaki.

Rolinho de porco

Notei que as distâncias dentro da ilha não são tão grandes, mas os limites de velocidade são tão baixos que tudo demora muito. Especialmente perto das zonas escolares, aí o limite cai para 30 Km/h, tudo passa a parecer um filme. Os carros ultrapassam uns aos outros muito lentamente, e além disso, os locais já sabem exatamente onde estão as câmeras, então se você estiver lento antes da hora alguns chegam a buzinar. Há regiões em que a média da velocidade é contabilizada e aí não há muito o que fazer, nem mesmo os locais.

Outra coisa que achei muito estranha aqui é que não há box nos banheiros, todo banho molha tudo. Pesquisando descobrimos que isso se chama banheiro molhado. Além disso, as toalhas são todas do tamanho de toalha de rosto, o que torna cada banho uma missão.

Devolvemos o carro com muita facilidade e pegamos o voo para Busan pela Korean Air. Chegamos tarde no hotel, amanhã tem muito o que fazer, mas vamos descansar um pouco mais. Porém, antes jantamos e acertamos o frango frito!

O restaurante parecia uma sala de casa

Duas versões: tradicional e picante

Talvez o restaurante se pareça com várias casas