Alguns dias atrás recebi por e-mail um aviso de que nosso segundo voo havia sido cancelado e que eu deveria entrar em contato com a empresa aérea para verificar alternativas. No mesmo momento verifiquei algumas passagens e vi que ainda havia como chegar na Europa, porém não fizemos nada naquele momento. Sabíamos que tínhamos de lidar com essa questão, mas com a programação tão intensa, acabamos postergando a solução em um ou dois dias.
Hoje tínhamos uma visita ao jardim secreto do palácio Changdeokgung, um dos cinco palácios em Seul. Antes, no entanto, tínhamos de tomar café da manhã, e mais uma vez fomos buscar algo na região da vila Hanok que ficava próxima ao hotel. Desta vez encontramos um café muito bem decorado que servia pão de sal também. Vários destes estabelecimentos nesta região tem a arquitetura bem diferente, este tinha um moinho de água, outro tinha um trilho de trem, e num outro ainda, entrávamos e íamos andando num caminho que só nos permitia avançar, nunca voltar.
Não demoramos muito no café e como estávamos relativamente perto, fomos andando o percurso todo até chegarmos ao palácio. Tendo chegado um pouco antes, pudemos visitar parte dele antes do início de nosso passeio. Dentre os locais visitados neste momento, havia um recinto que havia sido aberto há não muito tempo, eram os aposentos de estudos do príncipe. Como de costume pela Ásia, a mesa de estudos era baixa, já que as pessoas sentavam no chão. Essa parte do palácio era bem bonita, tinha dois andares e era agradável ficar sentado à beira da janela, já que corria um ventinho muito gostoso.
Quando chegou o horário do passeio, fomos para a fila que já estava enorme. Resolvemos fazer o passeio com a guia, que nos contou um pouco da história do local e de cada uma das paradas que fizemos ao longo do percurso.
Nossa primeira parada foi num lago artificial (Buyonji), cujo formato quadrado representava a terra, enquanto que a ilha redonda ao centro representava o céu. Numa colina bem próxima ao lago ficava a biblioteca real, onde o rei estudava com outras pessoas. O portão que dava acesso à biblioteca tinha três partes distintas, a porta central, exclusiva de uso do rei, e as portas laterais. Ele era chamado de portão água-peixes, um simbolismo para harmonia, já que essa devia refletir a conexão entre o rei e seus oficiais.
Perto do lago havia uma pavilhão que tinha o formato de flor de lótus. Lá o rei promovia encontros literários, muitas vezes em forma de jogos. O rei poderia começar recitando um poema e então os seus convidados oficiais deveriam terminá-la. Quem não completasse a tarefa a contento era isolado temporariamente na ilha central.
Passamos por um segundo lago onde paramos para ter mais explicações sobre o jardim. Um rei admirava muito as flores de lótus que desabrochavam ali, já que as flores eram lindas, mesmo brotando de águas turvas e lamacentas. Seguindo este lago, passamos por uma área onde havia dois pavilhões. Um com dois telhados que tinha o formato de um coreto, em seu teto havia uma estrutura geométrica hexagonal muito detalhada. Um pouco mais adiante se encontrava o segundo pavilhão, este no formato de um leque. Gostamos tanto que tiramos algumas fotos em ambos.
O próximo lugar por onde passeamos foi a residência da família real dentro do jardim. A entrada do lugar era bem simples e aparentemente essa foi uma escolha deliberada de um rei que queria se sentir mais como seus súditos. Dentre as coisas mais curiosas desta residência, destaco a biblioteca pessoal da família real, que além de ter o telhado protegido por telhas retas e verdes, também tinha protetores móveis contra o sol, para impedir que raios de sol atingissem os livros diretamente. Além disso, lembro-me de uma curiosidade: havia entradas separadas para homens e mulheres, e, como as mulheres deviam servir os convidados do rei sem se dirigir a ele, a técnica utilizada para saber o número de convidados era contar o número de calçados no lado de fora da entrada. Isso me pareceu um exagero de protocolo e formalidade.
Demos duas voltas neste jardim, a primeira acompanhada da guia, mas com tanta gente que era difícil tirar fotos sem ninguém. A segunda volta foi bem mais tranquila, pudemos revisitar todos os lugares que gostamos calmamente. E como o jardim não era tão grande, o passeio nem tomou muito mais tempo.
Enquanto íamos para a saída, aproveitamos para visitar ainda outras partes do palácio que ainda não havíamos visto, dentre elas uma construção que tinha telhas reluzentes verdes, bem diferente das demais que eram sempre pretas.
Bem próximo à saída havia a lojinha de souvenirs do palácio, quando chegamos vimos um par de xícaras lindas, resolvemos comprá-las e agora, na volta, efetuamos de fato a compra. Elas tem as cores azul e vermelho, em formato geométrico, ambas com detalhes em dourado.
Saímos dali e fomos buscar algo para almoçar. Já faz alguns dias que estou procurando uma sopa de frango com ginseng, eu vi o anúncio deste prato na vila Hanok, então voltamos para lá para procurar a sopa. Eu já havia tentado encontrar o restaurante no dia anterior sem sucesso. Desta vez conseguimos encontrá-lo, mas decidimos por comer churrasco. Escolhemos um restaurante que usava uma chapa para a cocção dos alimentos, recebemos o auxílio de uma garçonete e escolhemos também comer uma peça de carne bovina além do corte de porco.
Churrasco não tem erro, o almoço estava gostoso, ainda pedimos um arroz com queijo e kimchi que acompanhou a comida, além de alho e do famoso cogumelo gigante. Tudo devidamente cozinhado na chapa, como deve ser neste tipo de restaurante.
Quando terminamos o almoço, ali mesmo no restaurante, ligamos para a companhia aérea e tentamos buscar uma solução para o nosso problema, as opções dadas não pareciam promissoras. As mais próximas em data iam para longe, como Roma, por exemplo, as mais próximas geograficamente, como Chipre ou Grécia, nos exigiriam ficar mais uma semana fora antes de voltamos. Ambas eram ruins. Pagamos a conta e fomos para um café tentar resolver a situação.
Acho que ficamos entre três e quatro horas dedicados à resolução do problema, a solução pela qual optamos foi voltar por Roma, passar uma noite na cidade para pegar o voo na manhã do dia seguinte. Isso permitiria à Pri chegar em tempo para um evento pré-casamento da irmã, sem sacrificar uma longa estadia no aeroporto. Isso também nos permitiria sair de Seul, que é um lugar difícil de encontrar hotel a preços razoáveis e já nos levaria para mais perto do nosso fuso-horário.
Terminados os trâmites de troca de passagens, reserva de passagem independente desde Roma e escolha de hotel para o pernoite, ainda tínhamos um objetivo a cumprir, um que havia sido iniciado no dia de nossa chegada à Coréia. No primeiro dia visitamos uma cervejaria chamada Euljiro Brewery, a Pri, conversando com a atendente do bar, descobriu que havia um desafio, se coletássemos quatro carimbos numa espécie de cartão postal, poderíamos ganhar uma tulipa de vidro com a marca deles. Para isso seria necessário visitar quatro filiais espalhadas pela cidade, duas eram muito próximas e numa região bastante central, as demais eram mais longe.
Caminhamos até a primeira cervejaria, para isso fomos a uma região na qual já havíamos estado, perto da feira em que comemos frutos do mar frito. Ali entramos numa casa Hanok e tomamos uma cerveja. A casa era bem diferente das demais, sentamos numa espécie de bancada, ao estilo oriental, com uma almofada no lugar de cada assento e uma mesa ligeiramente acima do nível de onde sentávamos. O atendente carimbou nossos cartões postais e agora faltava apenas um.
Agradecemos e fomos andando para a última cervejaria. No caminho passamos pelo principal palácio de Seul, Gyeongbokgung, onde pudemos escutar um show que acontecia dentro dele.
Depois passamos pela principal praça da cidade, Gwanghwamun. Como hoje também foi um feriado, havia muitos shows pela cidade, particularmente, numa parte desta praça principal havia um show intimista acontecendo. A música era tradicional, mas tocada tanto com instrumentos modernos quanto tradicionais. Ficamos ali alguns bons minutos, já que a mistura parecia muito boa. Essa banda inovou bastante e os números variavam de ritmo e estilo.
Caminhamos um pouco mais e finalmente chegamos na última loja da cervejaria. Lá tomamos ainda outra cerveja, uma ginger ale, pegamos os carimbos finais, ganhamos as tulipas e ainda tiramos fotos felizes da vida. Mais uma conta de mídia social na Coréia na qual vamos aparecer.
Tentamos novamente comer frango frito numa loja que havíamos visto no nosso caminho de manhã, dessa vez não era uma cadeia, mas uma loja familiar. O frango estava longe de se parecer com as outras cadeias, mas não estava de todo ruim. Amanhã é nosso último dia em Seul, temos de aproveitar para fechar tudo que não fizemos ainda.




























































