terça-feira, 27 de outubro de 2026

O quinto dia em Seul

Que gostoso acordar às quatro da manhã, nas férias, para acompanhar um ritual de reza matinal de monges! Assim que acordamos, logo tivemos de descer para nos encontrar com o nosso coordenador. Este era o coordenador que já havia começado a nos acompanhar ontem no final da tarde, foi ele quem nos orientou na meditação e quem já havia tentado preparar chá (numa tentativa frustrada na qual acabamos tomando várias xícaras de água quente com leve sabor de chá) no dia anterior para a gente.

Fomos andando para o templo, entramos pelo canto e ficamos em lugares reservados, à esquerda, próximo à parte da frente. Os monges já estavam rezando com fervor, e não estavam sós. Havia muitos devotos acordados e realizando o ritual de se curvar no chão a cada orientação do monge que conduzia os trabalhos. 

O local das preces matinais

Eu achava que rezar às 6:40 da manhã na escola era muito cedo, agora já estou achando que era tarde. Assistimos à reza talvez por trinta ou quarenta minutos. Saímos de lá e voltamos ao salão. Os monges e outros fiéis continuaram por lá rezando. 

A próxima atividade programada (ou exercício matinal) seria realizar cento e oito prostrações, ou seja, cento e oito movimentos de se curvar e agradecer ao que tínhamos na vida. O mais interessante não era o movimento extenuante, que deixei de lado, já que fiquei sentado enquanto um coordenador entusiasmado guiava os demais visitantes, e sim o texto que traduzia cada uma das preces. Havia muita coisa interessante e cada frase merecia ser analisada sob o prisma filosófico.

Depois desse exercício, fomos tomar o café da manhã, que se parecia muito com o jantar, e que eu aposto, deve ser igual ao almoço. O budismo prega, dentre outras coisas, uma vida comedida, sem grandes emoções e a alimentação deles reflete isso. Há uma proibição de uso de ervas e temperos "pungentes": alho, cebola, alho-poró, cebolinha e outra que eu nunca ouvi falar, chamada asa-fétida. Essa proibição segue essa ideia. Além de outras crenças como os potenciais problemas que tais ervas podem trazer. É uma espécie de comida vegana com mais restrições ainda, que entusiasmante, êêê.

Café da manhã, almoço ou janta?

Depois do café da manhã tivemos tempo livre até a atividade seguinte. Aproveitamos e fomos à entrada do templo, vimos o templo de fora, já havia muita gente esperando que a lojinha de itens que ficava logo na entrada abrisse. A Pri queria ver o que se vendia na lojinha, por isso estávamos por lá. Não demorou muito, a lojinha abriu e logo encheu de gente. As pessoas chegam a toda hora no templo, inclusive de madrugada. De manhã não foi diferente, elas entraram na loja, compraram itens de devoção e oferendas, e seguiram sua manhã religiosa.

A cozinha antiga era assim, não sabia que com uma cozinha moderna à disposição ainda a utilizavam

Nós encontramos com o nosso coordenador que perguntou se não queríamos dar uma volta pela floresta do templo. Demos uma bela volta por toda a mata que ficava na colina que circundava as principais edificações do complexo, mas ainda dentro da área do templo. Era um caminho que muitas pessoas utilizam com o intuito de fazer exercício, havia até algumas senhoras fazendo o percurso.

Terminada a volta, fomos procurar um café porque a Pri gosta de tomar café pela manhã. Primeiro fomos a uma loja dentro do templo que estava por abrir. Ao entrar, ela notou que só chá era vendido. Seguimos passeando um pouco mais pelo templo, vendo algumas construções e nos deparamos com uma loja temporária, bem perto do prédio em que estávamos hospedados. Havia café, porém, só aceitavam dinheiro e não tínhamos espécie. O café teria de ficar para mais tarde.

A última atividade que constava na agenda durante nossa estadia seria uma conversa com um monge, ou melhor, iríamos tomar chá com o monge e ainda conversar com ele. Essa foi uma conversa curiosa, porque o grupo era bastante heterogêneo, a começar pelo monge. A primeira pergunta que fizeram não foi respondida diretamente, o monge começou a brincar com a menina que havia feito a pergunta sobre como ajudar um amigo que estava sem propósito na vida. No final ele disse que era muito difícil ajudar uma pessoa sem conhecê-la.

Depois foi a vez da Pri de perguntar. De acordo com ele, a pergunta havia sido muito pessoal: "O que levou o monge a ser um monge?" E a resposta que ele deu foi surpreendente. Em resumo, os pais dele brigavam muito em casa e ele não era um estudante exemplar, a vida no templo foi uma solução perfeita para sair de casa sem ter de passar necessidade. Acho que isso já quebrou completamente o gelo, já que todos esperavam uma decisão bem ponderada após uma reflexão sobre o mundo, o estado das coisas na modernidade, ou qualquer coisa nesse sentido.

Como o monge já havia classificado essa pergunta como muito íntima, ele disse que não nos conhecia tão bem e com isso pediu que nos apresentássemos. Foi isso o que fizemos. A Pri ainda fez uma segunda pergunta, como era o dia a dia dele. 

Eu que havia pensado em fazer a mesma pergunta que a Pri, tive de pensar em outra coisa. Perguntei o motivo pelo qual uma religião estrangeira, como o budismo, se estabeleceu e se espalhou na Coréia. Ele disse que culturalmente é fácil para um coreano aceitar uma divindade de origem nobre, diferentemente de outras religiões em que a divindade vem das camadas populares. Além disso, ele também citou outros fatores culturais que se alinhavam.

Entre os visitantes havia uma chinesa que parecia mais interessada em ensinar coisas do que em aprender, uma latino-americana que estava lá somente para acompanhar uma amiga e um holandês que buscava respostas existenciais tendo sido encorajado pela mãe a fazer essa viagem de auto-descobrimento.

As respostas do monge eram tão corriqueiras e prolixas que eu imediatamente me senti como numa conversa de bar, porém, tomando chá. Foi uma experiência para lá de diferente, já que a expectativa que eu tinha era alguém que havia lido bastante filosofia e conseguiria traçar comentários elevados sobre os mais diversos temas mundanos e espirituais. Foi uma quebra de expectativa e tanto, que me fez lembrar que no final das contas, todos somos seres humanos, até os mais estudados são capazes de falar coisas simples, sem importância e que isso acontece em todos os cantos do mundo com todo o tipo de gente. 

Aliás, é fenômeno conhecido com os ganhadores do prêmio Nobel. Em áreas do conhecimento que não são do seu estudo, dão opiniões completamente absurdas, erradas e sem cabimento. Ou seja, é possível você ser extremamente conhecedor e competente numa área e ser completamente ignorante, até mais do que pessoas sem  nenhuma formação acadêmica. Pode ser que isso reforce minha ojeriza à autoridade e aos títulos como classificadores de opiniões. Eu gosto de ver os fatos e de discutir tópicos. Nunca generalidades, nunca abstrações.

Finda essa conversa, voltamos ao quarto para nos arrumar, trocar de roupa, devolver a roupa de cama e seguir nossa viagem. Voltamos à civilização e nosso primeiro ato foi tomar um café. 

Depois de degustarmos um café e um doce, tomamos um ônibus de volta ao nosso hotel, pegamos nossas malas, fomos para o outro hotel, fizemos o check-in, deixamos as malas, nos arrumamos e fomos para a região de Seongsu. 

Essa é uma região que outrora abrigava diversas fábricas e foi uma das últimas a mudarem de propósito. Ainda é possível ver os diversos galpões, agora convertidos em lojas de marca, cafés e restaurantes. As ruas ficam abarrotadas de gente, como era final de semana, tivemos a impressão que famílias percorriam a região como atividade de passeio. 

Essa loja de tênis tinha uma entrada um pouco diferente

Esse nem era o trecho mais cheio de gente. A rua não estava fechada para o trânsito e de vez em quando um carro ou moto passavam pelo meio da turba

A gente visitou diversas lojas, fomos à loja da Miffy, que é um personagem holandês de quadrinhos, bem cotado por aqui. A loja era legal, não compramos nada. Entramos em outras lojas, cujas fachadas eram bem interessantes. Com o espaço disponível, a criatividade tinha como ser ousada e havia coisas bem diferentes. Visitamos uma loja de produtos de cabelo que se parecia com um grande banheiro. Havia uma parte que era a ducha e outra que era a banheira.

Já essa loja reproduzia um banheiro

Uma entrada antiga ainda intocada

Depois buscamos um outro café, chamado de Onion. O lugar era enorme, composto por diversos espaços divididos, que antigamente deviam ser estações de trabalho. A decoração era bem rústica, mas o que chamava a atenção eram os cafés incríveis e uma seleção acima da média de doces e salgados. A gente apenas tomou café, mas também comprou um café torrado deles para trazer. 

Fachada do café Onion

E seu interior

Soda, café, Pri e Dani

Havia ainda um prato da culinária sino-coreano que nos faltava provar, era o Jjajamyeon, que é um macarrão com um molho espesso à base de soja preta fermentada. Encontramos este prato num restaurante perto do café, aproveitamos e pedimos porco frito, que eram os dois carros chefe da casa. Aliás, eram tão famosos no restaurante que contavam com a versão inteira e a versão meio a meio. A comida estava boa, um pouco doce até, mas novamente, esse não é um prato espetacular.

Jjajamyeon e porco frito com molho

Caminhamos mais por uma outra seção do bairro, a Pri avistou uma loja de artigos de escrita, e como ela sabe que eu adoro este tipo de coisa, insistiu para que ficássemos na fila para visitar a loja. Eram três andares de diversos materiais, variando de canetas tinteiro a cartões de aniversário. Os artigos vendidos na loja me interessavam muito, são as coisas que eu adoro ver, mas não faço questão de comprar. Como não encontrei nenhuma caneta ou lapiseira que tivesse gostado, saí de mãos abanando. Já a Pri encontrou uns cartões que acabou comprando.

Venda de artigos de papel

Itens interessantes de ver, mas não de ter

Este bairro era muito grande e ficava perto de um parque igualmente grande. Resolvemos caminhar em direção ao parque para ver como os coreanos se divertiam em dias livres. 

Ainda assim, no caminho havia muitas lojas, embora elas começassem a ficar menores, contudo, ainda mantendo bastante personalidade. Paramos numa loja para comer um doce com recheio de maçã, a Pri trocou algumas palavras com um coreano que nos havia perguntado se o doce estava bom. Ele ficou contando a história para a família e amigos dele, pelo menos é isso que imaginamos já que ele repetia a frase em inglês que a Pri havia utilizado para classificar a torta de maçã.

Um chafariz no meio do parque/floresta

A vista para edifícios enormes

O parque estava lotado, porém, tudo era bem organizado, o público ordeiro e o elevado número de pessoas não parecia causar o caos que esperaríamos de um lugar com tanta gente. Já era o final da tarde e ainda havia mais o que fazer, Seul tem muitas atividades. Então, saíamos do parque para pegar um ônibus, para então depois pegar um trem que nos levaria a uma região próxima ao rio Han. Daquele ponto, caminharíamos até chegar a um parque colado à ponte em que ocorreria um show de água. A ponte no qual o show ocorreria estava fechada e havia barraquinhas de comida por grande parte de sua extensão. 

Acho que boa parte da população da cidade teve essa mesma ideia e resolveu fazer o mesmo programa. Para chegar ao parque do lado da ponte, tentamos ir pelo lado da rua em que o metrô havia nos deixado, mas havia tanta gente que o caminho se estreitou quando chegamos a uma ponte prévia que levava ao local em que queríamos chegar.

Resolvemos voltar, atravessar a rua e ir pelo outro lado. O fluxo estava menor neste lado da rua, mas quando nos aproximamos do parque, era necessário pegar uma escada para chegar ao nível dele, que era mais baixo do que o nível em que estávamos. Aí pegamos uma fila de muitas pessoas, mas pelo menos essa fila andava.

O show de água

Aqui, visto a partir da ponte

Finalmente chegamos no parque que estava lotado, famílias estavam com toalhas de piquenique estendidas por todos os lados, a pequena arquibancada estava tomada por gente. Por sorte encontramos um espaço para sentar. Já acomodado notei uma coisa curiosa, os coreanos tiravam os sapatos para pisarem nas toalhas, assim como fazem em casa. 

O magnífico show de mangueiras, ops, de jatos d'água

Esperamos por volta de quarenta minutos para o início do show. Quando o show começou, nenhuma música era conhecida e uns canhões de água jorravam-na no rio Han. Em pouco mais de dez minutos de show saímos, passamos pela ponte na direção oposta pela qual chegamos, não conseguimos comer nada por conta das filas, mas pelo menos pudemos ver o show desde a ponte. 

Algumas construções iluminadas na região da ponte

A saída do show não foi menos demorada. Caminhamos outros trinta minutos para tentar pegar um ônibus longe da multidão. Não encontramos ônibus algum, as primeiras gotas que anunciavam uma chuva começaram a cair. Decidimos chamar um taxi pelo aplicativo, enquanto procurávamos um lugar com boa referência, avistamos uma loja de conveniência, decidimos comprar alguns quitutes, chamamos o táxi pelo aplicativo e fomos para uma loja de cadeia de frango fritos.

Desenhos como esse adornavam a ponte em alguns trechos

A loja escolhida ficava perto do nosso hotel, e foi esse o motivo da escolha da localização do restaurante. O caminho estava livre, o que muito nos animou. Essa cadeia de restaurantes se chamava BHC. Pedimos um primeiro frango que veio num pó que lembrava o tempero de Doritos. Não era bom, muito artificial. Depois pedimos outro frango, esse sim melhor. Mas por incrível que pareça, o melhor frango até o momento foi o que comemos em Busan, no restaurante que parecia um filme do Tarantino.

Frango frito envolto em pó de Doritos

Frango frito realmente crocante

Saímos do restaurante e ainda chovia, entramos na rua principal e passamos por um bar subterrâneo que tocava Oh My Love do John Lennon, fiquei gravando o som por esta saída e a Pri correu para se abrigar na entrada de um prédio. Ao chegar e trocar algumas palavras com ela, o senhor que estava ao lado dela começou a conversar conosco em português! Era um brasileiro de traços orientais que morava em Seul. Essas coincidências da vida.

A música saindo do sub-solo

Corremos pelas ruas molhadas, nos abrigando da chuva quando possível, até chegar ao nosso hotel. Mais um dia lotado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O quarto dia em Seul

Em cada viagem tentamos fazer algo diferente, nesta decidimos ter um dia de estadia num templo budista. Havia várias opções em muitas partes do país, aparentemente isso se tornou algo comum na Coréia e dá aos participantes a possibilidade de ver como é a vida de um monge.

Ainda não era a hora de chegar ao templo, que seria perto de duas da tarde, então aproveitamos a manhã para explorar algumas coisas que ficavam perto de nosso hotel, mas que ainda não tivéramos a oportunidade de visitar. Mas antes, deixamos nossas malas na recepção, armazenadas no corredor. Como estamos na Coréia e tudo no hotel é filmado, não vimos grandes problemas. Além do mais, andar pela cidade com malas para uma noite de estadia seria demasiado.

Bom, a região que visitamos era uma que era conhecida pela oferta de itens manufaturados, em inglês essa categoria é chamada de craft, em português ficaria incompleto chamar de artesanato, porque é mais do que coisinhas feitas à mão.

O muro na entrada de Insadong reproduzia a famosa pintura Irworobongdo, com a lua (branca) à esquerda e o sol (vermelho) à direita, além de cinco picos, que representam um palácio mítico. 

Ao chegar no bairro, caminhamos um pouco pela rua principal, notamos que a maioria das lojas ainda estava fechada e decidimos procurar um café. Encontramos um numa rua mais para dentro. O estabelecimento tinha uma entrada normal, mas ao entrar, algumas casas do estilo Hanok formavam um pátio interno agradável. 

Fizemos o pedido, eram dois tipos de café, um deles o especial da casa. A Pri tinha na mochila um croissant especial que havia comprado na noite anterior e esse acompanhou nossas bebidas.

Café Kotton

Insadong, o nome dessa região, tem uma variedade enorme de lojas, por exemplo, algumas comercializando itens tradicionais, como as caixinhas decoradas com madre-pérola que são comuns por toda a Coréia, papéis especiais, engrenagens de papelão e madeira (imagino que mais por ser legal do que por ter alguma utilidade prática), cerâmicas para todos os gostos, tinta de escrita, tecidos e roupas tradicionais, outras vendendo pincéis de escrita, aliás, isso vale um comentário. 

Só descobriríamos isso depois, no final da rua, por conta de um monumento que era um pincel gigante metálico marcando a região. Embora houvesse várias lojas dedicadas a este utensílio de todos os tamanhos e formatos, eu ainda não havia me dado conta de isso aqui ser um centro deste tipo de item.

Uma loja especializada em pincéis

Uma bela construção em Insadong

Já escrevendo estas palavras, fui ler mais sobre exatamente isto e o que descobri é que essa área é conhecida por vender os ditos quatro amigos dos estudos: papel, tinta, pincel e pedra de tinta. Como a tinta é sólida, faz-se necessário misturá-la com água numa pedra para formar o que nós imaginamos quando falamos em tinta. 

O monumento representando um pincel

O mesmo distrito também abriga lojas de chá e produtos comestíveis tradicionais. Como já falei, embora grande parte das lojas estivéssem fechadas, deu para ter uma boa ideia do que há na região e, numa possível próxima visita, já saberíamos o que e onde comprar qualquer coisa que nos houvesse interessado.

Vitrine da loja de engrenagens

Já se aproximava das dez horas e um prédio cheio de lojas legais estava abrindo, entramos e começamos a explorar o local. Havia uma rampa que nos conduzia pelos quatro andares do edifício. O que fizemos foi começar do térreo e ir subindo. Já no segundo andar encontramos uma loja bem interessante com produtos com decoração de madre-pérola. A Pri gostou de uma caixinha e resolvemos comprá-la, a loja também oferecia curso de como fazer itens com madre-pérola. Se tivéssemos um pouco mais de tempo disponível, este seria um curso que ela teria feito.

Ssamziegil, o centro de lojas de artesanatos e bens manufaturados

Detalhe do corredor

Entramos em outras lojas, como uma em que era possível personalizar com decalques itens como estojos de pano, carregadores de mala, etc. Vimos lojas de lenços, todos bem bonitos, bolsas feitas com tecidos tradicionais e até uma loja vendendo perfume sólido. A Pri agora é dona de um perfume em barra.

Antes de entrar neste edifício, havíamos visto um restaurante com um vidro enorme na frente mostrando o interior onde três pessoas estavam fazendo gyozas com as mãos. Vale aqui uma explicação, na Ásia, este tipo de massa recheada é muito comum, mas se pararmos para pensar, isso é algo que existe no mundo inteiro e pelo que já li a respeito, se espalhou justamente a partir do extremo Oriente.

Japão, China e Coréia possuem cada uma sua própria versão, em geral, cozidas no vapor, embora também possam ser fritos. A Índia tem uma variedade frita chamada de samosa, os demais países do sudeste asiático também têm interpretações do prato, sendo que nestes países o tamanho seja um pouco maior e o formato mais parecido com o de um pão ou mini-pão. 

Na Europa, especialmente no leste europeu, não é diferente. Na Polônia estes pastéis são chamados de pierogi, e em vez de cozidos no vapor ou fritos, são feitos na água. Eu já tive o privilégio de comer diversos destes em 2008. Na Ucrânia são conhecidos como varenyky ou krepli, na Rússia são também chamados de vareniki. O nome varia de acordo com o recheio. Curiosamente, em Yiddish chamamos estes pastéis de vareniki e krepalach, também de acordo com o recheio.

Pois bem, depois dessa volta linguística, falemos do restaurante. Ele ficava ao lado de um local bem arborizado com algumas galerias de arte, numa rua lateral, ou seja, não era fácil encontrar já que não ficava a vista de todos. 

A entrada do jardim com as galerias

Detalhe dentro do jardim das galerias

Quando voltamos, já na hora do almoço, havia fila. Resolvemos esperar, o que não tomou muito tempo, já que pela quantidade de placas Michelin que havia na porta, algo bom o restaurante devia servir.

A confecção dos mandus

Pedimos dois pratos feitos com os mandus, como chamam a gyoza em coreano. O primeiro prato era um caldo no qual os pastéis de kimchi vinham cozidos no vapor (ou no próprio caldo), já o segundo era um conjunto com seis mandus de três sabores diferentes: cogumelo, carne de porco e kimchi.

Mandus e sopa de mandu

Todos estavam bons, mas na nossa humilde opinião, não justificavam nem a fila nem as plaquinhas Michelin. Eu estou começando a desconfiar que os critérios de julgamento para se obter uma menção nesta famosa lista, já que aqui não se tratava de estrelas, não são os mesmo critérios que eu julgo para classificar um restaurante bom. Aliás, a Pri tem um critério bem peculiar para saber se um restaurante é bom, ela se pergunta se voltaria ao restaurante? Eu proponho um refinamento deste critério, para trazer maior dramaticidade, digamos que você tenha tempo restrito, está no último dia de uma viagem e não voltará à localidade tão cedo ou digamos que haja qualquer outra restrição severa de tempo, você voltaria para ter mais uma refeição?

Nesta viagem poucos lugares atenderam a este critério, aliás, em geral, isso é o que acontece. Agora, de todas as nossas viagens, Japão e Itália tiveram mais restaurantes que entraram nesta categoria. Há diversas refeições com as quais ainda sonhamos, ou, pelo menos, que gostaríamos de repetir.

Já era hora e tínhamos de ir para o templo. Como nos planejamos para isso, cada um tinha apenas uma pequena mochila/sacola consigo. O templo ficava no bairro de Gangnam, o mesmo que visitamos para ir à clínica de beleza. Não deixa de ser um contraste notável que um templo budista, refúgio da introspecção, meditação e pensamento esteja no meio de um dos bairros mais luxuosos da cidade. Isso é mais uma coincidência do que algo feito premeditadamente. Essa área de cidade ficava mais afastada e foi somente com a expansão da cidade que esse contraste se fez notar.

Parando para pensar, este tipo de ambiente, urbano e consumista, é o que mais carece de um refúgio espiritual, já que as pessoas podem facilmente se perder em buscas por coisas temporárias e inócuas, e o templo é uma boa âncora da realidade.

Chegando lá, nos informamos na entrada aonde tínhamos de ir para realizar os trâmites iniciais. Fomos direcionados para um edifício específico dentro do complexo, recebemos nossas roupas, uma pequena orientação sobre os quartos e sobre qual seria o próximo passo.

A construção em que nos hospedamos era formada por três partes retangulares que se conectavam como num quadrado sem um dos lados. Cada uma destas hastes desse quadrado tinha o formato retangular. Podemos chamar este formato de "U". A entrada de cada edifício se dava pelo pátio interno que se formava pelas paredes de cada haste.

Os quartos de hospedagem ficavam no segundo andar do edifício do meio, oposto ao lado sem a haste. No andar térreo dessa construção ficava o salão principal e a escada que levava ao segundo andar.

No edifício da direita ficava o salão do chá, que contava com uma enorme mesa, e uma pequena copa. Esta ficava bem perto da escada que levava ao segundo andar. À esquerda ficavam alguns escritórios em que os coordenadores deixavam alguns itens.

A construção para estadia no templo. O prédio que vemos ao centro é o principal, com dois andares, correspondente à base do "U". À esquerda os escritórios, à direita o salão do chá. (Onde está Wally?)

Subimos pela escada para conhecer o quarto, trocar de roupa e deixar nossas coisas. Recebemos cada um uma calça enorme e um colete. Esperamos dar a hora de descer, que havia sido informada pelo organizador de eventos do dia.

O corredor com os quartos, no segundo andar

O salão de eventos

Descemos, recebemos outras instruções sobre como nos comportar no templo, por exemplo, sempre caminhar em silêncio e em fila, sempre tirar os sapatos para entrar nos locais, não fazer barulho, etc.

A primeira atividade de fato que tivemos foi um passeio guiado pelo centro. Coincidentemente, quem nos guiou na visita fora o mesmo senhor para o qual pedimos informações ao entrarmos no complexo. Esse cara era uma figura, toda vez que alguém respondia ou fazia uma pergunta, ele dava uma pulseira do templo como recompensa. Chegou um momento em que um camarada da Holanda tinha o braço repleto de pulseiras e um pouco de vergonha de continuar fazendo as perguntas porque já tinha pulseiras demais.

Nestes templos, todas as edificações são de madeiras, tudo é pintado e tudo tem um significado. Os menores detalhes são pensados e trazem toda a estética que nos fazem identificar este tipo de religião. Como o budismo veio da Índia, imagino que estas regras de cores que acaba por determinar a estética destes edifícios não seja originária daqui.

No passeio aprendemos que o primeiro buda fora um príncipe indiano de nome Siddhartha. A lenda diz que seu pai havia sido alertado que o príncipe, seu filho, seria alguém importante do ponto de vista religioso. O pai, com medo de não ter herdeiros e de que seu filho não seguisse seus passos, o isolou no palácio numa vida luxuosa e confortável, isolada dos problemas do mundo. 

O filho só tinha contato com pessoas jovens, nunca via ninguém doente, achava que a vida era bastante controlada. Surge nele a ânsia de conhecer o mundo real e ele foge do palácio com seu motorista (ou melhor, condutor de charretes) e acaba por descobrir o mundo caótico, bem diferente daquele em que até então vivia.

Ocorrem quatro episódios que mudam radicalmente sua visão da vida. Ele vê um idoso, um doente, um cadáver e um monge. Cada um destes encontros com uma realidade mundana traz um desconforto e o expõe a um aspecto da realidade que o leva à reflexão. Ele então renuncia aos luxos e à sua vida anterior e se dedica à meditação. Essa é a origem do budismo de acordo com a lenda. 

Pinturas contando esta história apareciam numa das edificações do templo, na parte de fora. Depois desse tempo passeando pelo templo e conhecendo as partes que o compõem, voltamos para o local onde ficava o dormitório, mas fomos para o salão no primeiro andar.

Lá fizemos uma aula de caligrafia com pincel. Pudemos copiar um trecho em coreano cada um, com um pincel e uma tinta dourada. A tinta precisava ser mexida cada vez que queríamos escrever, porque o dourado decantava. Além disso, o pincel acumulava muita tinta, então antes de escrever era necessário retirar o excesso. Outra coisa que notei é que pincel é muito suscetível à pressão. Eu achei dificílimo escrever com este instrumento, a Pri já parecia fazê-lo há anos e o papel que ela fez parecia o resultado do trabalho de um escriba. 

Cada vez que íamos começar a escrever numa nova linha, a instrutora batia num instrumento que parecia com uma cumbuca e que fazia um som que se espalhava pelo ar. 

A tinta dourada precisava ser misturada

A minha caligrafia não é boa com lápis ou caneta no alfabeto latino, imaginem com pincel e usando o hangul, alfabeto coreano

O jantar seria servido à 17:00, um pouco cedo, mas como estávamos sem comer desde pouco antes do meio dia, fome não era problema. Saímos do salão e fomos para o refeitório, andando em fila indiana atrás do coordenador do programa. Entramos numa outra edificação bem afastada do local em que estamos hospedados. 

O refeitório ao qual tivemos acesso era pequeno em relação ao refeitório principal dos monges, que apenas vimos no caminho. A comida era completamente vegetariana, imagino que até vegana, já que não comemos nada feito de leite ou ovos. As comidas tinham todas o gosto bem parecido. 

Comida de templo

Assim que saímos do jantar fomos assistir a um monge tocar os instrumentos do templo. O ritual teve início no tambor enorme que ficava numa estrutura com cobertura. O ritual até que demora um pouco, o monge tocando o tambor utilizou toda a pele do enorme tambor bem como a madeira que a prende ao corpo do instrumento. 

O monge "músico"

Logo depois de tocar o tambor, o monge foi tocar um sino igualmente enorme. Uma garota que não fazia parte do programa viu as pessoas se dirigindo para tocar o sino e entrou no meio, o monge ainda tentou explicar que não estava aberto ao público, mas já era tarde, a menina insistiu e tocou o sino mesmo assim. Cada um dos participantes tocou o sino em dupla, com o auxílio do monge.

Então, fomos levados ao salão num dos três edifícios que compunham o complexo de recepção de quem fica no templo. Lá nos instruíram sobre o budismo e participamos de uma aula instrutiva de meditação. Não foi a primeira vez que tive aulas disso, não é algo fácil de se fazer. Manter-se sentado numa posição confortável por muito tempo respirando de maneira sincronizada demanda muito.

Tentativa de meditação, roupa de templo, ou de guarda de trânsito

Deram-nos tempo livre até a hora de dormir, aproveitamos para passar pelo templo. Visitamos diversas partes dele, como por exemplo, o buda gigante, edificações mais afastadas, além de partes menos interessantes. 

O pôr do sol no templo

A estátua de noite

Voltamos para o edifício e fomos dormir, já que às quatro da manhã teríamos de acordar para ir à cerimônia às 4:15. Voltaremos amanhã deste ponto.




domingo, 25 de outubro de 2026

O terceiro dia em Seul

A cidade de Seul é enorme, atravessar a cidade de um lado a outro pode tomar uma hora ou mais de metrô, e por isso é necessário explorá-la em partes. Reservamos a manhã de hoje para visitar o bairro de Hongdae, que fica na direção da cidade de Incheon, onde fica o aeroporto internacional, a oeste do centro da cidade. 

Este bairro fica perto de uma universidade e é onde há uma cena mais independente, com lojas de estilistas começando a carreira, locais para apresentações impromptu e outras diversas coisas que acontecem devido tanto ao público quanto gente para ser o protagonista de cada uma destas iniciativas.

Começamos indo tomar café na vila Hanok próxima ao hotel. Esta é uma das áreas que mais gostamos quando pensamos em Coréia tradicional. De noite o local ferve com restaurantes e bares, de manhã parece que inverte um pouco e há muitos cafés e um pouco mais tarde, diversas lojas abrem para o público.

A casa que abrigava o café na Vila Hanok

A Pri achou um café que servia bagel de todos os tipos, recheados com doces, salgados, sem nada, com a massa diferente. Além, é claro, de uma excelente variedade de cafés. Entramos e escolhemos dois tipos de bagel além de cafés. Além de boa comida, o lugar era bem bonito, com uma decoração legal e até uma árvore dentro.

A árvore no interior do café

Sentamos na beira da janela

Pegamos o metrô e em torno de trinta minutos chegamos ao bairro Hongdae. Uma das principais ruas do lugar era um pouco sinuosa, serpenteando em vez de traçar uma linha reta. Vimos muitas coisas já pelas ruas, construções diferentes, estátuas modernas, lojas também com arquitetura diferente (e duvidosa). 

No início de uma das principais ruas de comércio em Hongdae tinha esse banheiro

Arquitetura duvidosa

Caminhamos por essa rua até o que parecia ser o final dela. A rua desembocava numa praça que parecia estar arrumada para alguma coisa. Mais perto descobrimos que era um show de culinária, talvez um concurso. Havia várias estações de trabalho já arrumadas para os participantes, um palco adiante e diversas cadeiras para a audiência.

Tudo pronto para a competição culinária

Além disso havia diversas tendas com a exposição de produtos. Fomos chamados para participar de uma brincadeira de jogar um pequeno saco de areia por uma abertura. Se conseguíssemos, ganharíamos um brinde. 

Eu tentei uma vez e não consegui acertar. A Pri tentou e acertou! Ela ganhou um brinde deles e ainda tiramos uma foto com o que ela ganhou, provavelmente agora somos astros na rede social da marca deles.

Andamos mais pela região, entramos em algumas lojas, a Pri comprou algumas coisinhas. Vimos a universidade, lojas de souvenirs, restaurante de comida brasileira e lojas de marcas. A hora do almoço se aproximava e decidimos que comeríamos um ramen. Revisitamos alguns que já tínhamos visto no nosso passeio, mas nada nos apeteceu, até que a Pri viu um que parecia ser bem diferente, ramen com um toque coreano.

Antes de decidir por ele, a Pri entrou e deu uma olhada, o restaurante lhe pareceu bom. Ela voltou para me chamar, entramos, fizemos o nosso pedido numa máquina e fomos sentar numa mesa enorme ao centro do salão. 

O interior do restaurante Salt Noodle Lab

Eu escolhi um ramen apimentado e cítrico e a Pri um não apimentado e cítrico, além, é claro, de gyoza. Curiosamente este restaurante dava refil de macarrão e caldo, mas não foi necessário utilizar a oferta. 

Meu prato era apimentado e cítrico

Usando avental para não nos sujarmos

Alimentados, tomamos o caminho de volta para o centro de Seul, nosso destino era o Dongdameun Design Plaza. Este é um edifício moderno, projetado por uma arquiteta badalada. Como toda obra de arquitetura moderna, esta também era muito incômoda por dentro. Eu já havia tido a experiência de trabalhar numa obra em construção do Niemeyer. Por dentro o pé direito era ruim, não havia número suficiente de banheiros, tudo parecia lindo por fora e nada prático por dentro. 

Dongdameun Design Plaza, um grande feijão metálico retorcido

Então, quando eu falo incômodo por dentro, quero dizer que as distâncias das coisas eram grandes, havia muito espaço vazio, as coisas não eram práticas, era difícil se encontrar. Claro que há como melhorar isso, planejar uma melhor distribuição de banheiros, escadas, elevadores, salas menores; colocar indicadores de direção, mais placas de informação, etc, mas tudo isso apenas tenta melhorar o que, na minha opinião, é um projeto ruim, pouco feito para quem vai utilizá-lo, em vez disso, estas obras são construídas para a admiração de outros arquitetos.

Mais detalhes da construção futurista

Não obstante, este tipo de arquitetura fornece boas fotos. Além, é claro, de longas caminhadas tentando encontrar as coisas dentro. Foi o que nos aconteceu tentando encontrar o parque histórico e cultural, e depois nossa tentativa de achar uma exposição lá dentro. Falhamos nas duas coisas.

O interior me lembrou uma foto do álbum The Beatles, de 1962

Havia mais o que ver no bairro, mas como estávamos um pouco cansados de tanto procurar as coisas neste enorme complexo, fomos num shopping nas proximidades, assim poderíamos refrescar num ambiente climatizado, poderíamos buscar um café para tomar e descansar um pouco sentado. 

Bom, eu descansei, a Pri foi visitar a Uniqlo e buscar casacos para comprar. Eu a acompanhei um pouco até encontrar uns bancos para sentar. Junto comigo havia outras pessoas aguardando os seus companheiros. Sempre há nestas lojas enormes o espaço dos "esperantes", aqueles que pacientemente aguardam que alguém com quem estão terminem as compras.

Finda a busca por casacos e roupas, fomos tomar café num outro shopping. Curiosamente neste havia diversas lojas vendendo souvenirs, tentamos encontrar algo legal para comprar, embora houvesse coisas legais, como as caixinhas de madre pérola, não levamos nada. 

As famosas caixinhas de madre-pérola

Detalhe das caixinhas

Subimos mais neste segundo shopping, encontramos uma loja de café com uma bela vista, pedimos um café cada e sentamos para degustar as bebidas. Descansados, descemos e seguimos. 

Do café era possível ver a construção como um todo

Neste bairro ficava um dos oito portões originais de Seul, chamado de Heunginjimunm, também conhecido como portão Dongdaemun ou Grande Portão do Leste. Curiosamente este é o tesouro governamental número um. Aqui na Coréia, cada construção ou localização com significado histórico tem um número nesta lista de tesouros, este, como falei, foi o primeiro na lista.

O portão em Dongdaemun

Detalhes da construção

Enquanto tirávamos fotos, um francês mais velho se aproximou e começou a ficar de papo. Como somos dois cariocas, quando o cara não cortou o papo e seguiu a vida, começamos a desconfiar. No final das contas, o cara apenas era chato, talvez sozinho, nos alugou por uns bons quarenta minutos, até que conseguimos seguir nosso caminho. Ele ainda veio atrás enquanto subimos a colina para tirar uma foto do muro que ficava bem próximo ao portão. 

A cidade vista a partir da colina

O muro que contornava essa região da cidade

Mas como ele puxava papo com todo mundo, acho que ele percebeu que não queríamos mais falar e o deixamos lá falando com um fotógrafo que utilizava uma máquina que parecia um lambe-lambe.

Dali ainda havia coisas para fazer, resolvemos ir ao mercado Dongdameun, que ficava no bairro em que estávamos, já que leva o mesmo nome por isso. Pegamos um trecho do rio que havíamos visitado no primeiro dia na Coréia, já que por ali o passeio era mais agradável. 

Voltamos ao rio localizado onde ficava um viaduto

A entrada do mercado Dongdameun

Subimos na entrada do mercado, entramos e notamos que novamente havia os mesmos tipos de comida que vemos nas ruas, com uma quantidade enorme de turistas. Passeamos e encontramos uma loja vendendo toalhinhas com desenhos. Compramos duas e seguimos o passeio ainda pelo mesmo bairro.

Barraquinhas de comida

Produtos à venda

Passamos por uma parte mais antiga da cidade, notava-se especialmente pelos edifícios que vendiam peças mecânicas e eletrônicas. Havia um corredor lotado de pequenas lojas vendendo artigos eletrônicos, fossem produtos finais ou componentes, tais como uma loja que vendia equipamentos de áudio, amplificadores e caixas de som, e outra que vendia de tudo, inclusive válvulas. Nos arredores, canteiros de obras nos indicavam que esta região está prestes a se transformar e não haverá mais este tipo de comércio na região logo logo.

O edifício antigo, uma parte da cidade que está sendo substituída

Em seu interior, corredores de pequenas lojas

Fomos na direção do hotel, encontramos novamente a vila Hanok na qual estivéramos de manha, mas dessa vez, no lugar de café buscamos uma cervejaria. Esta tinha até boas cervejas, mas todo pedido devia ser buscado no bar, a louça nós devíamos levar de volta, enfim, menos cômodo do que outros lugares.

Sistemas de som antigos

Para quem nunca viu uma válvula, é esse trambolho que um transistor substituiu. Depois vieram os circuitos integrados que construíram os transistores diretamente na placa

A Pri não estava se sentindo muito bem para ir a um restaurante, passamos numa loja de conveniência, pegamos algumas coisas para comer e voltamos para o quarto. Jantamos no quarto mesmo.