terça-feira, 29 de setembro de 2026

O segundo dia em Busan

Nesse segundo dia, programamos fazer as coisas mais próximas da região onde ficava o hotel, e por isso tomamos um ônibus para a vila tradicional Gamcheon. Como se tornaria a tônica de Busan, os ônibus sempre cheios e muitas vezes fomos obrigados a viajar em pé. A história dessa vila se conecta à guerra da Coréia. Os refugiados norte-coreanos se estabeleceram nestas montanhas e criaram suas casas aqui, com o tempo a região teve a infraestrutura melhorada e atualmente é um ponto turístico. O que me parece é que a vila é o resultado da melhoria de uma favela.

A vista de cima

O que se vê atualmente são casas coloridas, murais desenhados por diversos muros e um sem número de lojas, café e restaurantes. Além, é claro, de um enorme número de turistas ávidos por comprar souvenirs, comer doces e tomar cafés. 

Aqui é Gamcheon

Para manter a temática do dia, visitamos outra vila tradicional, agora uma localizada numa ilha conectada à terra por uma ponte. Essa outra vila se localizava numa encosta e era basicamente uma reta com uma rua de mão dupla para carros e outra pavimentada e com um muro de ponta a ponta para pedestres. Os dois caminhos eram separados por lojas, restaurantes e cafés. 

A rua à beira do mar

Detalhe da mureta

Encontramos um café chamado de Cafeteira Lisboa. Vimos algo que se parecia muito a um pastel de nata, pedimos um para cada e um café. Depois da primeira mordida, a decepção. O nome em inglês que se dá a isso é egg tart, e de fato o que comemos foi uma torta de ovos e não um pastel de natas. 


Torta de ovos

A Pri tinha agendado um tratamento do couro cabeludo numa clínica chamada Ecojardin, então, dali nos encaminhamos para o bairro em que ficava a clínica. Tínhamos de pegar dois transportes, um ônibus e depois um metrô. Quando saltamos do ônibus estávamos em frente a um shopping bem perto do hotel. Como ainda havia tempo, a Pri passou no shopping enquanto eu fui lavar a roupa. 

Isso não levou nem uma hora, tanto porque a lavagem foi rápida quanto porque o shopping estava fechado por conta do feriado de Chuseok, o maior da Coréia do Sul. Este é o feriado da colheita que ocorre no Outono, quando a lua cheia está brilhando mais.

Marcamos de nos encontrarmos e seguimos para o bairro da clínica. Nosso plano era buscar o famoso macarrão gelado de Busan. O primeiro restaurante que tentamos estava fechado, por sorte o segundo esteva aberto. Além de sopa gelada, também havia uma opção de macarrão apimentado. Adicionamos um prato de gyoza e este foi o nosso almoço, logo antes da visita ao salão-clínica.

A sopa gelada vem até com gelo

O macarrão apimentado

Ficamos cerca de três hora no salão. Analisaram o couro cabeludo da Pri com uma câmera, depois ela passou por dezoito etapas nesse processo de limpeza. Os destaques destas dezoito etapas foram: uma massagem no trapézio, uma massagem capilar, uma toca de máquina com fumaça gelada, uma cachoeira de água e diversas lavagens. No final ela ainda cortou o cabelo e só faltou sair com os olhos puxados.

Tentamos achar uma cervejaria pela região, mas como era feriado, a que eu havia marcado no mapa estava fechada. Pegamos o metrô e chegamos à área perto do hotel, chamada de BIFF, para Busan International Film Festival. Nessa área há várias vendas de comida e a Pri comprou uma massa frita recheada de castanhas e sementes doces. Antes de comer este doce ainda rodamos um pouco pelas lojas da Fashion Street, que também fica ali perto.

Pouco óleo

A entrada do Busan Internacional Film Festival


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O primero dia em Busan


Como estávamos um pouco cansados, dormimos um pouco mais do que o habitual. Em vez de tomarmos café pela região em que nos hospedamos, decidimos já ir para a região que visitaríamos, por isso pegamos uma hora de ônibus para Haeundae.

Calmamente fomos buscar um café para tomar, no caminho de um estabelecimento que a Pri havia marcado no mapa, havia uma padaria com fila vendendo apenas um produto, pão de sal. Esse pão é muito comum aqui, e neste lugar a única opção de compra era um conjunto de quatro pães que vinham numa sacola bem bonita.

A padaria

A padaria trabalha numa linha de produção, a fila do caixa tem até aquela divisória que vemos em bancos no Brasil, ela desemboca numa máquina onde a opção única é exibida. As únicas escolhas que podemos fazer é sobre o idioma da tela e a forma de pagamento.

O pão de sal

Logo depois de pagar, nos movemos e recebemos nossa sacola com os pães. Atrás vemos a produção onde os pães são feitos e embalados. O negócio me pareceu muito bom, a escolha única nos obriga a comprar quatro unidades. Além de facilitar a logística, ainda garante um mínimo de vendas.

O local onde ficava o café era muito próximo ao mar

Seguimos nosso caminho e encontramos o café que estava marcado no mapa. Um pouco difícil de encontrar, já que ele ficava no segundo andar de um prédio localizado numa ladeira. Além de uma vista muito bonita, o lugar era muito bem decorado e o café espetacular.

Estética minimalista

Cenário de filme

Um capuccino e um latte

Saindo do café fomos para uma linha de trem que faz um curto trecho margeando a costa. Além do trem, há um outro meio de transporte suspenso para duas ou quatro pessoas. O nome deste é Sky Capsule, mas esgota muito rapidamente. Já havíamos visto mesmo antes de chegar na Coréia que não conseguiríamos ir num destes. O que não esperávamos era que o trem fosse lotar e o horário disponível ficasse para 14:30 da tarde. Agora, este horário fixo não fez muito sentido para a gente, sobretudo porque é possível sair em diversas estações no caminho e voltar a embarcar. 

Visto que estávamos com esse horário mínimo para iniciar esse trecho da visita, resolvemos fazer o resto que tínhamos para esse dia. Primeiro subimos a uma enorme torre de 416 m de altura, chamada de Busan X The Sky. O elevador levou por volta de 48 s para chegar ao centésimo andar, e de lá pudemos ver boa parte da cidade do alto. Busan é muito espalhada e do alto isso fica nítido, há diversas montanhas cortando a cidade, além de rios e praias que tornam a cidade tão acidentada como o Rio. Além da vista para diversas regiões, lá há uma ponte de vidro que nos permite passar de um lado a outro apreciando a enorme altura que nos separa da terra.

Esse elevador faz poucas paradas

As três torres de dia

A vista lá de cima

Ainda com tempo para pegar o trem costeiro, fomos a uma feira de comida de rua. Estas feiras são uma boa oportunidade para provar os acepipes locais sem nos comprometermos com uma porção muito grande. Ali provamos gyoza de kimchi no vapor, bolo de peixe, que é uma folha feita de peixe e alguma farinha para dar a consistência necessária para cortar e enviar no palito, provamos também makgeolli, o vinho coreano de arroz.



Uma loja vendendo quitutes de polvo

É comum ver estas panelas para demonstrar as comidas disponíveis para venda

Nosso horário já se aproximava e voltamos para o parque onde ficava a primeira estação do trem costeiro. Embarcamos e, dentre os possíveis locais para desembarque escolhemos dois, o primeiro foi uma vila de pescadores chamada Cheongsapo. A coisa mais marcante da vila eram dois faróis, um branco e outro vermelho. Além de diversos restaurantes, havia um pier, um porto e o ponto final da cápsula que eu havia comentado antes. Ficamos pouco menos de uma hora e embarcamos novamente no trem.

Os dois faróis de Cheongsapo

Os dois faróis de Cheongsapo e nós

A passagem de um bondinho e uma cápsula pelo cruzamento

Nossa segunda parada foi numa estrutura metálica elevada, muito acima do nível do mar, com piso de vidro. Ela avançava mar adentro e o piso translúcido nos deixava ver o mar abaixo. Era interessante, mas nada do outro mundo.

O apêndice de vidro

Pegamos o trem novamente e dessa vez fomos até a última parada. Dali pegamos um táxi e fomos ao templo Haedong Younggungsa. Antes de começar a visita ao templo, comemos algo que tem bastante por aqui, corndog. Isso basicamente é uma salsicha com uma massa em volta. O que é melhor nessa iguaria são os molhos que podemos adicionar. 

O templo se vendia como o mais bonito da Coréia, porém um título apropriado seria o templo mais cheio da Coréia. Ele de fato era bonito porque ficava à beira do mar, mas já vimos outros no mesmo estilo no Japão.

O templo Younggungsa, o sinal não significa dinheiro!

Depois da visita voltamos de ônibus até a estação final do trem turístico e quando embarcamos, depois de meia hora de espera, já era noite. Desembarcamos no local de origem do passeio, caminhamos pela orla até a região do mercado. Ainda na orla entramos numa cervejaria e depois, já próximo ao mercado, onde também havia muitas lojas e restaurantes, visitamos um segundo bar. Aqui provei duas cervejas e fiquei surpreso com o sabor.

Já se aproximava o horário da janta e encontramos um restaurante servido a tradicional sopa de porco coreana, dwaeji-gukbap. A sopa é quase insossa são os temperos que a acompanham que dão gosto e, devemos adicioná-los de acordo com nosso gosto. Ainda pedimos uma bandeja de carne e salsicha tradicional coreana para acompanhar. Aliás, essa linguiça é uma surpresa, já que o recheio é feito de sangue e macarrão de arroz, deixando a consistência muito diferente das linguiça que conhecemos. Na volta, passamos mais uma hora no ônibus até chegarmos ao nosso hotel.

A base da sopa

O prato de proteínas




domingo, 27 de setembro de 2026

O quarto dia em Jeju

Como ontem perdemos a subida ao Seongsan Ilchulbong, decidimos fazê-lo bem cedo para dar tempo de voltar ao hotel e tomar um banho antes de seguir o dia. Isso parecia especialmente importante já que teríamos um voo para Busan de noite.

Seongsan Ilchulbong

A subida não era tão difícil, mas novamente havia muitos degraus. A manhã nos poupou do sol, o que amenizou o calor, mesmo assim foi inevitável suar. No topo nos aguardava uma incrível formação geológica em formato de cone, a forma era muito nítida e me impressionou bastante. 

A vista de cima

Depois da subida, voltamos ao hotel para tomar banho e seguimos viagem para o norte, parando para visitar duas praias no caminho. A primeira praia que visitamos se chamava Woljeong, tinha areia bem branca e um pier grande. Algumas pessoas estavam surfando e quase ninguém estava na areia.

O sinal da praia

A segunda praia se chamava Hamdeok e nos pareceu muito bem desenvolvida. Era bem bonita e tinha muita gente por toda a sua extensão. Passeamos um pouco, toquei no mar e fizemos o resto dela de carro. 

O mar era cristalino

E a praia estava vazia


Antes de devolver o carro passamos no mercado da cidade de Jeju. Além de olhar os produtos locais comemos alguns quitutes, tais como um rolinho de carne de porco, uma bola de arroz com salmão e um espetinho de carne de porco com molho de soja que parecia teriaki.

Rolinho de porco

Notei que as distâncias dentro da ilha não são tão grandes, mas os limites de velocidade são tão baixos que tudo demora muito. Especialmente perto das zonas escolares, aí o limite cai para 30 Km/h, tudo passa a parecer um filme. Os carros ultrapassam uns aos outros muito lentamente, e além disso, os locais já sabem exatamente onde estão as câmeras, então se você estiver lento antes da hora alguns chegam a buzinar. Há regiões em que a média da velocidade é contabilizada e aí não há muito o que fazer, nem mesmo os locais.

Outra coisa que achei muito estranha aqui é que não há box nos banheiros, todo banho molha tudo. Pesquisando descobrimos que isso se chama banheiro molhado. Além disso, as toalhas são todas do tamanho de toalha de rosto, o que torna cada banho uma missão.

Devolvemos o carro com muita facilidade e pegamos o voo para Busan pela Korean Air. Chegamos tarde no hotel, amanhã tem muito o que fazer, mas vamos descansar um pouco mais. Porém, antes jantamos e acertamos o frango frito!

O restaurante parecia uma sala de casa

Duas versões: tradicional e picante

Talvez o restaurante se pareça com várias casas



O terceiro dia em Jeju

O dia hoje prometia, nossa primeira atividade era subir o monte Hallassan, localizado no centro da ilha. Ele foi o principal vulcão que deu origem à ilha. Do hotel até a entrada desta trilha demoramos cerca de uma hora, no caminho já podíamos sentir o ar esfriar. Aliás, o caminho era lindo, arborizado e a estrada boa de dirigir.

A caminho do monte Hallassan

Há diversas trilhas que podem ser feitas, queríamos uma que pudéssemos fazer num período razoável com uma vista bonita. Escolhemos a trilha Eoseungsaengak, que nos levaria a uma caldeira desativada com vista para o pico mais alto. A trilha era muito bem sinalizada, parte com degraus de madeira e outra parte com piso de madeira. Ao longo da trilha havia equipamento de comunicação, informações, deve ter sido a trilha mais organizada em que estive. A caminhada não foi difícil, mas era bem íngrime, então demoramos uns 40 minutos até o topo, que ficava 1169 m acima do nível do mar.

O início da trilha

De lá, a vista era muito bonita. Com os binóculos instalados pudemos ver o ponto mais alto da ilha, o aeroporto no norte e outros pontos de interesse. A volta foi mais rápida. Embora a descida exija menos fôlego e menos perna, ela é mais dura com os joelhos, que é o que atualmente mais me incomoda.

Uma vista panorâmica

Quando terminamos a trilha, tínhamos de decidir entre ir direto para a região do Seongsan Ilchulbong, que é outra montanha com origem vulcânica, onde se daria o show das pescadores Haenyeo ou visitar a vila folclórica Seongeup. Fizemos as contas e conseguimos encaixar a visita à vila. Está é habitada há 600 anos, o que é impressionante pelo tipo de lugar que é. As casas são todas construídas com rochas vulcânicas, porém nem todas têm o mesmo acabamento, algumas sendo bem modernas.

A entrada da vila

Bonequinhos tradicionais

Além das casas habitadas, há também edificações conservadas para a manutenção da história. Infelizmente não tivemos acesso ao edifício do ferreiro, e além disso o laguinho não tinha água, mas alguns outros edifícios estavam abertos à visitação.

Uma casa com ares modernos

Eu particularmente fiquei bem interessado nessa vila, sempre fico impressionado com a engenhosidade da nossa espécie. Esse não é o primeiro exemplo de construção em pedra que eu visito e sempre fico admirado de como faz tanto tempo que já desenvolvemos a engenharia civil.

Telhado de palha e mureta de pedra vulcânica


Saímos da vila em direção ao local do show das pescadores haenyeo, estas são senhoras atualmente na faixa de 70 a 80 anos que mantêm a tradição de pesca e coleta de frutos do mar. A necessidade é a mãe da inovação, e esse é mais um exemplo. Numa época de necessidades, as mulheres se viram obrigadas a buscar no mar o sustento de suas famílias, e daí surge essa tradição. Ventava muito nesse dia e o mar estava agitado, foi isso o que fez com que o show fosse cancelado neste dia. A Pri queria muito assistí-lo e ficou bem chateada de não poder fazê-lo.

Como o cancelamento abriu espaço no nosso dia, tínhamos algumas opções, antes de decidir resolvemos almoçar. A Pri escolheu uma sopa de frutos do mar, que dentre outras coisas tinha abalone, camarão, polvo, siri e mexilhões. Eu escolhi uma sopa gelada de macarrão de trigo sarraceno, que para manter a temperatura vem com gelo dentro. De entrada, pedimos uma panqueca de cebolinha e frutos do mar. Essa panqueca foi a minha parte preferida do almoço.

Panqueca de frutos do mar

Sopa fria com macarrão de trigo sarraceno

Sopa de frutos do mar

Uma coisa interessante é que embora os abalones raramente produzam pérolas, seus  interiores têm as cores metálicas iridescentes que os moluscos produtores de pérola possuem. Aliás, a madre-pérola vem daí, são as mães das pérolas.

Ao vivo as cores são mais vívidas

Depois de avaliar as opções resolvemos ir visitar o complexo geológico chamado de tubo de lava Manjanggul. A extrusão de lava se dá diversas vezes, a primeira acaba se solidificando e criando uma espécie de parede externa, à medida que mais lava é expelida, a nova lava vai arrancando material das paredes e do teto, além de escorrer pelo piso. Esse fenômeno vai alargando a caverna. Às vezes a lava entra por outros pontos e forma estalactites e estalagmites. Essa caverna se estendia por mais de 7 km, porém a área de visitação era de apenas 1 km. Além disso, a caverna só foi descoberta porque a parede da entrada colapsou.

A entrada do passeio

A caverna

Mais caverna

Na volta paramos num café com uma vista linda. Ficamos lá um pouco antes de seguir viagem.

Café com leite com mais café que leite, expresso e torta

A vista privilegiada

Estávamos um pouco longe de nosso hotel, que era bem próximo de onde haveria o show que fora cancelado. Voltamos para a região do show para tentar subir o Seongsan Ilchulbong. Por um minuto perdemos a entrada. Fizemos o check-in no hotel e fomos procurar algo para comer. Depois de visitar um bar tentamos comer frango frito. Aqui a falta de comunicação nos fez jantar nuggets! O frango frito vai ficar para a próxima.

O pôr do sol na região de Songsan Ilchulbong

Ventando bastante