sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O sexto dia em Seul

Alguns dias atrás recebi por e-mail um aviso de que nosso segundo voo havia sido cancelado e que eu deveria entrar em contato com a empresa aérea para verificar alternativas. No mesmo momento verifiquei algumas passagens e vi que ainda havia como chegar na Europa, porém não fizemos nada naquele momento. Sabíamos que tínhamos de lidar com essa questão, mas com a programação tão intensa, acabamos postergando a solução em um ou dois dias.

Hoje tínhamos uma visita ao jardim secreto do palácio Changdeokgung, um dos cinco palácios em Seul. Antes, no entanto, tínhamos de tomar café da manhã, e mais uma vez fomos buscar algo na região da vila Hanok que ficava próxima ao hotel. Desta vez encontramos um café muito bem decorado que servia pão de sal também. Vários destes estabelecimentos nesta região tem a arquitetura bem diferente, este tinha um moinho de água, outro tinha um trilho de trem, e num outro ainda, entrávamos e íamos andando num caminho que só nos permitia avançar, nunca voltar. 

Um dos restaurantes na Vila Hanok contava com um trilho como decoração

Não demoramos muito no café e como estávamos relativamente perto, fomos andando o percurso todo até chegarmos ao palácio. Tendo chegado um pouco antes, pudemos visitar parte dele antes do início de nosso passeio. Dentre os locais visitados neste momento, havia um recinto que havia sido aberto há não muito tempo, eram os aposentos de estudos do príncipe. Como de costume pela Ásia, a mesa de estudos era baixa, já que as pessoas sentavam no chão. Essa parte do palácio era bem bonita, tinha dois andares e era agradável ficar sentado à beira da janela, já que corria um ventinho muito gostoso.

O edifício no qual ficava o quarto de estudos

O quarto de estudos do príncipe

Quando chegou o horário do passeio, fomos para a fila que já estava enorme. Resolvemos fazer o passeio com a guia, que nos contou um pouco da história do local e de cada uma das paradas que fizemos ao longo do percurso.

Nossa primeira parada foi num lago artificial (Buyonji), cujo formato quadrado representava a terra, enquanto que a ilha redonda ao centro representava o céu. Numa colina bem próxima ao lago ficava a biblioteca real, onde o rei estudava com outras pessoas. O portão que dava acesso à biblioteca tinha três partes distintas, a porta central, exclusiva de uso do rei, e as portas laterais. Ele era chamado de portão água-peixes, um simbolismo para harmonia, já que essa devia refletir a conexão entre o rei e seus oficiais.

O lago artificial Buyonji, com sua ilha central, o pavilhão de literatura à esquerda e a biblioteca à direita

Perto do lago havia uma pavilhão que tinha o formato de flor de lótus. Lá o rei promovia encontros literários, muitas vezes em forma de jogos. O rei poderia começar recitando um poema e então os seus convidados oficiais deveriam terminá-la. Quem não completasse a tarefa a contento era isolado temporariamente na ilha central.

Passamos por um segundo lago onde paramos para ter mais explicações sobre o jardim. Um rei admirava muito as flores de lótus que desabrochavam ali, já que as flores eram lindas, mesmo brotando de águas turvas e lamacentas. Seguindo este lago, passamos por uma área onde havia dois pavilhões. Um com dois telhados que tinha o formato de um coreto, em seu teto havia uma estrutura geométrica hexagonal muito detalhada. Um pouco mais adiante se encontrava o segundo pavilhão, este no formato de um leque. Gostamos tanto que tiramos algumas fotos em ambos.

O lago e as lótus

O pavilhão com telhado duplo

Detalhe geométrico dentro do pavilhão com telhado duplo

O pavilhão em formato de leque

O próximo lugar por onde passeamos foi a residência da família real dentro do jardim. A entrada do lugar era bem simples e aparentemente essa foi uma escolha deliberada de um rei que queria se sentir mais como seus súditos. Dentre as coisas mais curiosas desta residência, destaco a biblioteca pessoal da família real, que além de ter o telhado protegido por telhas retas e verdes, também tinha protetores móveis contra o sol, para impedir que raios de sol atingissem os livros diretamente. Além disso, lembro-me de uma curiosidade: havia entradas separadas para homens e mulheres, e, como as mulheres deviam servir os convidados do rei sem se dirigir a ele, a técnica utilizada para saber o número de convidados era contar o número de calçados no lado de fora da entrada. Isso me pareceu um exagero de protocolo e formalidade.

Demos duas voltas neste jardim, a primeira acompanhada da guia, mas com tanta gente que era difícil tirar fotos sem ninguém. A segunda volta foi bem mais tranquila, pudemos revisitar todos os lugares que gostamos calmamente. E como o jardim não era tão grande, o passeio nem tomou muito mais tempo.

Enquanto íamos para a saída, aproveitamos para visitar ainda outras partes do palácio que ainda não havíamos visto, dentre elas uma construção que tinha telhas reluzentes verdes, bem diferente das demais que eram sempre pretas.

O detalhe de telhas verdes

Dentro de um edifício havia a famosa pintura que já havia visto no muro em Insadong

Bem próximo à saída havia a lojinha de souvenirs do palácio, quando chegamos vimos um par de xícaras lindas, resolvemos comprá-las e agora, na volta, efetuamos de fato a compra. Elas tem as cores azul e vermelho, em formato geométrico, ambas com detalhes em dourado.

As canecas que compramos

Saímos dali e fomos buscar algo para almoçar. Já faz alguns dias que estou procurando uma sopa de frango com ginseng, eu vi o anúncio deste prato na vila Hanok, então voltamos para lá para procurar a sopa. Eu já havia tentado encontrar o restaurante no dia anterior sem sucesso. Desta vez conseguimos encontrá-lo, mas decidimos por comer churrasco. Escolhemos um restaurante que usava uma chapa para a cocção dos alimentos, recebemos o auxílio de uma garçonete e escolhemos também comer uma peça de carne bovina além do corte de porco.

Churrasco não tem erro, o almoço estava gostoso, ainda pedimos um arroz com queijo e kimchi que acompanhou a comida, além de alho e do famoso cogumelo gigante. Tudo devidamente cozinhado na chapa, como deve ser neste tipo de restaurante.

O churrasco de tudo

Quando terminamos o almoço, ali mesmo no restaurante, ligamos para a companhia aérea e tentamos buscar uma solução para o nosso problema, as opções dadas não pareciam promissoras. As mais próximas em data iam para longe, como Roma, por exemplo, as mais próximas geograficamente, como Chipre ou Grécia, nos exigiriam ficar mais uma semana fora antes de voltamos. Ambas eram ruins. Pagamos a conta e fomos para um café tentar resolver a situação. 

Acho que ficamos entre três e quatro horas dedicados à resolução do problema, a solução pela qual optamos foi voltar por Roma, passar uma noite na cidade para pegar o voo na manhã do dia seguinte. Isso permitiria à Pri chegar em tempo para um evento pré-casamento da irmã, sem sacrificar uma longa estadia no aeroporto. Isso também nos permitiria sair de Seul, que é um lugar difícil de encontrar hotel a preços razoáveis e já nos levaria para mais perto do nosso fuso-horário.

Terminados os trâmites de troca de passagens, reserva de passagem independente desde Roma e escolha de hotel para o pernoite, ainda tínhamos um objetivo a cumprir, um que havia sido iniciado no dia de nossa chegada à Coréia. No primeiro dia visitamos uma cervejaria chamada Euljiro Brewery, a Pri, conversando com a atendente do bar, descobriu que havia um desafio, se coletássemos quatro carimbos numa espécie de cartão postal, poderíamos ganhar uma tulipa de vidro com a marca deles. Para isso seria necessário visitar quatro filiais espalhadas pela cidade, duas eram muito próximas e numa região bastante central, as demais eram mais longe.

Caminhamos até a primeira cervejaria, para isso fomos a uma região na qual já havíamos estado, perto da feira em que comemos frutos do mar frito. Ali entramos numa casa Hanok e tomamos uma cerveja. A casa era bem diferente das demais, sentamos numa espécie de bancada, ao estilo oriental, com uma almofada no lugar de cada assento e uma mesa ligeiramente acima do nível de onde sentávamos. O atendente carimbou nossos cartões postais e agora faltava apenas um. 

No primeiro bar da noite da Euljiro

Agradecemos e fomos andando para a última cervejaria. No caminho passamos pelo principal palácio de Seul, Gyeongbokgung, onde pudemos escutar um show que acontecia dentro dele. 

A entrada do palácio Gyeongbokgung

Depois passamos pela principal praça da cidade, Gwanghwamun. Como hoje também foi um feriado, havia muitos shows pela cidade, particularmente, numa parte desta praça principal havia um show intimista acontecendo. A música era tradicional, mas tocada tanto com instrumentos modernos quanto tradicionais. Ficamos ali alguns bons minutos, já que a mistura parecia muito boa. Essa banda inovou bastante e os números variavam de ritmo e estilo. 

Uma música do grupo

Outra música do grupo

Caminhamos um pouco mais e finalmente chegamos na última loja da cervejaria. Lá tomamos ainda outra cerveja, uma ginger ale, pegamos os carimbos finais, ganhamos as tulipas e ainda tiramos fotos felizes da vida. Mais uma conta de mídia social na Coréia na qual vamos aparecer.

No último bar da Euljiro

Uma cerveja e um ginger ale

Tentamos novamente comer frango frito numa loja que havíamos visto no nosso caminho de manhã, dessa vez não era uma cadeia, mas uma loja familiar. O frango estava longe de se parecer com as outras cadeias, mas não estava de todo ruim. Amanhã é nosso último dia em Seul, temos de aproveitar para fechar tudo que não fizemos ainda.

No caminho para o hotel vimos este portão

Aquele rio rebaixado que vimos em outros momentos

O jantar no restaurante familiar


terça-feira, 27 de outubro de 2026

O quinto dia em Seul

Que gostoso acordar às quatro da manhã, nas férias, para acompanhar um ritual de reza matinal de monges! Assim que acordamos, logo tivemos de descer para nos encontrar com o nosso coordenador. Este era o coordenador que já havia começado a nos acompanhar ontem no final da tarde, foi ele quem nos orientou na meditação e quem já havia tentado preparar chá (numa tentativa frustrada na qual acabamos tomando várias xícaras de água quente com leve sabor de chá) no dia anterior para a gente.

Fomos andando para o templo, entramos pelo canto e ficamos em lugares reservados, à esquerda, próximo à parte da frente. Os monges já estavam rezando com fervor, e não estavam sós. Havia muitos devotos acordados e realizando o ritual de se curvar no chão a cada orientação do monge que conduzia os trabalhos. 

O local das preces matinais

Eu achava que rezar às 6:40 da manhã na escola era muito cedo, agora já estou achando que era tarde. Assistimos à reza talvez por trinta ou quarenta minutos. Saímos de lá e voltamos ao salão. Os monges e outros fiéis continuaram por lá rezando. 

A próxima atividade programada (ou exercício matinal) seria realizar cento e oito prostrações, ou seja, cento e oito movimentos de se curvar e agradecer ao que tínhamos na vida. O mais interessante não era o movimento extenuante, que deixei de lado, já que fiquei sentado enquanto um coordenador entusiasmado guiava os demais visitantes, e sim o texto que traduzia cada uma das preces. Havia muita coisa interessante e cada frase merecia ser analisada sob o prisma filosófico.

Depois desse exercício, fomos tomar o café da manhã, que se parecia muito com o jantar, e que eu aposto, deve ser igual ao almoço. O budismo prega, dentre outras coisas, uma vida comedida, sem grandes emoções e a alimentação deles reflete isso. Há uma proibição de uso de ervas e temperos "pungentes": alho, cebola, alho-poró, cebolinha e outra que eu nunca ouvi falar, chamada asa-fétida. Essa proibição segue essa ideia. Além de outras crenças como os potenciais problemas que tais ervas podem trazer. É uma espécie de comida vegana com mais restrições ainda, que entusiasmante, êêê.

Café da manhã, almoço ou janta?

Depois do café da manhã tivemos tempo livre até a atividade seguinte. Aproveitamos e fomos à entrada do templo, vimos o templo de fora, já havia muita gente esperando que a lojinha de itens que ficava logo na entrada abrisse. A Pri queria ver o que se vendia na lojinha, por isso estávamos por lá. Não demorou muito, a lojinha abriu e logo encheu de gente. As pessoas chegam a toda hora no templo, inclusive de madrugada. De manhã não foi diferente, elas entraram na loja, compraram itens de devoção e oferendas, e seguiram sua manhã religiosa.

A cozinha antiga era assim, não sabia que com uma cozinha moderna à disposição ainda a utilizavam

Nós encontramos com o nosso coordenador que perguntou se não queríamos dar uma volta pela floresta do templo. Demos uma bela volta por toda a mata que ficava na colina que circundava as principais edificações do complexo, mas ainda dentro da área do templo. Era um caminho que muitas pessoas utilizam com o intuito de fazer exercício, havia até algumas senhoras fazendo o percurso.

Terminada a volta, fomos procurar um café porque a Pri gosta de tomar café pela manhã. Primeiro fomos a uma loja dentro do templo que estava por abrir. Ao entrar, ela notou que só chá era vendido. Seguimos passeando um pouco mais pelo templo, vendo algumas construções e nos deparamos com uma loja temporária, bem perto do prédio em que estávamos hospedados. Havia café, porém, só aceitavam dinheiro e não tínhamos espécie. O café teria de ficar para mais tarde.

A última atividade que constava na agenda durante nossa estadia seria uma conversa com um monge, ou melhor, iríamos tomar chá com o monge e ainda conversar com ele. Essa foi uma conversa curiosa, porque o grupo era bastante heterogêneo, a começar pelo monge. A primeira pergunta que fizeram não foi respondida diretamente, o monge começou a brincar com a menina que havia feito a pergunta sobre como ajudar um amigo que estava sem propósito na vida. No final ele disse que era muito difícil ajudar uma pessoa sem conhecê-la.

Depois foi a vez da Pri de perguntar. De acordo com ele, a pergunta havia sido muito pessoal: "O que levou o monge a ser um monge?" E a resposta que ele deu foi surpreendente. Em resumo, os pais dele brigavam muito em casa e ele não era um estudante exemplar, a vida no templo foi uma solução perfeita para sair de casa sem ter de passar necessidade. Acho que isso já quebrou completamente o gelo, já que todos esperavam uma decisão bem ponderada após uma reflexão sobre o mundo, o estado das coisas na modernidade, ou qualquer coisa nesse sentido.

Como o monge já havia classificado essa pergunta como muito íntima, ele disse que não nos conhecia tão bem e com isso pediu que nos apresentássemos. Foi isso o que fizemos. A Pri ainda fez uma segunda pergunta, como era o dia a dia dele. 

Eu que havia pensado em fazer a mesma pergunta que a Pri, tive de pensar em outra coisa. Perguntei o motivo pelo qual uma religião estrangeira, como o budismo, se estabeleceu e se espalhou na Coréia. Ele disse que culturalmente é fácil para um coreano aceitar uma divindade de origem nobre, diferentemente de outras religiões em que a divindade vem das camadas populares. Além disso, ele também citou outros fatores culturais que se alinhavam.

Entre os visitantes havia uma chinesa que parecia mais interessada em ensinar coisas do que em aprender, uma latino-americana que estava lá somente para acompanhar uma amiga e um holandês que buscava respostas existenciais tendo sido encorajado pela mãe a fazer essa viagem de auto-descobrimento.

As respostas do monge eram tão corriqueiras e prolixas que eu imediatamente me senti como numa conversa de bar, porém, tomando chá. Foi uma experiência para lá de diferente, já que a expectativa que eu tinha era alguém que havia lido bastante filosofia e conseguiria traçar comentários elevados sobre os mais diversos temas mundanos e espirituais. Foi uma quebra de expectativa e tanto, que me fez lembrar que no final das contas, todos somos seres humanos, até os mais estudados são capazes de falar coisas simples, sem importância e que isso acontece em todos os cantos do mundo com todo o tipo de gente. 

Aliás, é fenômeno conhecido com os ganhadores do prêmio Nobel. Em áreas do conhecimento que não são do seu estudo, dão opiniões completamente absurdas, erradas e sem cabimento. Ou seja, é possível você ser extremamente conhecedor e competente numa área e ser completamente ignorante, até mais do que pessoas sem  nenhuma formação acadêmica. Pode ser que isso reforce minha ojeriza à autoridade e aos títulos como classificadores de opiniões. Eu gosto de ver os fatos e de discutir tópicos. Nunca generalidades, nunca abstrações.

Finda essa conversa, voltamos ao quarto para nos arrumar, trocar de roupa, devolver a roupa de cama e seguir nossa viagem. Voltamos à civilização e nosso primeiro ato foi tomar um café. 

Depois de degustarmos um café e um doce, tomamos um ônibus de volta ao nosso hotel, pegamos nossas malas, fomos para o outro hotel, fizemos o check-in, deixamos as malas, nos arrumamos e fomos para a região de Seongsu. 

Essa é uma região que outrora abrigava diversas fábricas e foi uma das últimas a mudarem de propósito. Ainda é possível ver os diversos galpões, agora convertidos em lojas de marca, cafés e restaurantes. As ruas ficam abarrotadas de gente, como era final de semana, tivemos a impressão que famílias percorriam a região como atividade de passeio. 

Essa loja de tênis tinha uma entrada um pouco diferente

Esse nem era o trecho mais cheio de gente. A rua não estava fechada para o trânsito e de vez em quando um carro ou moto passavam pelo meio da turba

A gente visitou diversas lojas, fomos à loja da Miffy, que é um personagem holandês de quadrinhos, bem cotado por aqui. A loja era legal, não compramos nada. Entramos em outras lojas, cujas fachadas eram bem interessantes. Com o espaço disponível, a criatividade tinha como ser ousada e havia coisas bem diferentes. Visitamos uma loja de produtos de cabelo que se parecia com um grande banheiro. Havia uma parte que era a ducha e outra que era a banheira.

Já essa loja reproduzia um banheiro

Uma entrada antiga ainda intocada

Depois buscamos um outro café, chamado de Onion. O lugar era enorme, composto por diversos espaços divididos, que antigamente deviam ser estações de trabalho. A decoração era bem rústica, mas o que chamava a atenção eram os cafés incríveis e uma seleção acima da média de doces e salgados. A gente apenas tomou café, mas também comprou um café torrado deles para trazer. 

Fachada do café Onion

E seu interior

Soda, café, Pri e Dani

Havia ainda um prato da culinária sino-coreano que nos faltava provar, era o Jjajamyeon, que é um macarrão com um molho espesso à base de soja preta fermentada. Encontramos este prato num restaurante perto do café, aproveitamos e pedimos porco frito, que eram os dois carros chefe da casa. Aliás, eram tão famosos no restaurante que contavam com a versão inteira e a versão meio a meio. A comida estava boa, um pouco doce até, mas novamente, esse não é um prato espetacular.

Jjajamyeon e porco frito com molho

Caminhamos mais por uma outra seção do bairro, a Pri avistou uma loja de artigos de escrita, e como ela sabe que eu adoro este tipo de coisa, insistiu para que ficássemos na fila para visitar a loja. Eram três andares de diversos materiais, variando de canetas tinteiro a cartões de aniversário. Os artigos vendidos na loja me interessavam muito, são as coisas que eu adoro ver, mas não faço questão de comprar. Como não encontrei nenhuma caneta ou lapiseira que tivesse gostado, saí de mãos abanando. Já a Pri encontrou uns cartões que acabou comprando.

Venda de artigos de papel

Itens interessantes de ver, mas não de ter

Este bairro era muito grande e ficava perto de um parque igualmente grande. Resolvemos caminhar em direção ao parque para ver como os coreanos se divertiam em dias livres. 

Ainda assim, no caminho havia muitas lojas, embora elas começassem a ficar menores, contudo, ainda mantendo bastante personalidade. Paramos numa loja para comer um doce com recheio de maçã, a Pri trocou algumas palavras com um coreano que nos havia perguntado se o doce estava bom. Ele ficou contando a história para a família e amigos dele, pelo menos é isso que imaginamos já que ele repetia a frase em inglês que a Pri havia utilizado para classificar a torta de maçã.

Um chafariz no meio do parque/floresta

A vista para edifícios enormes

O parque estava lotado, porém, tudo era bem organizado, o público ordeiro e o elevado número de pessoas não parecia causar o caos que esperaríamos de um lugar com tanta gente. Já era o final da tarde e ainda havia mais o que fazer, Seul tem muitas atividades. Então, saíamos do parque para pegar um ônibus, para então depois pegar um trem que nos levaria a uma região próxima ao rio Han. Daquele ponto, caminharíamos até chegar a um parque colado à ponte em que ocorreria um show de água. A ponte no qual o show ocorreria estava fechada e havia barraquinhas de comida por grande parte de sua extensão. 

Acho que boa parte da população da cidade teve essa mesma ideia e resolveu fazer o mesmo programa. Para chegar ao parque do lado da ponte, tentamos ir pelo lado da rua em que o metrô havia nos deixado, mas havia tanta gente que o caminho se estreitou quando chegamos a uma ponte prévia que levava ao local em que queríamos chegar.

Resolvemos voltar, atravessar a rua e ir pelo outro lado. O fluxo estava menor neste lado da rua, mas quando nos aproximamos do parque, era necessário pegar uma escada para chegar ao nível dele, que era mais baixo do que o nível em que estávamos. Aí pegamos uma fila de muitas pessoas, mas pelo menos essa fila andava.

O show de água

Aqui, visto a partir da ponte

Finalmente chegamos no parque que estava lotado, famílias estavam com toalhas de piquenique estendidas por todos os lados, a pequena arquibancada estava tomada por gente. Por sorte encontramos um espaço para sentar. Já acomodado notei uma coisa curiosa, os coreanos tiravam os sapatos para pisarem nas toalhas, assim como fazem em casa. 

O magnífico show de mangueiras, ops, de jatos d'água

Esperamos por volta de quarenta minutos para o início do show. Quando o show começou, nenhuma música era conhecida e uns canhões de água jorravam-na no rio Han. Em pouco mais de dez minutos de show saímos, passamos pela ponte na direção oposta pela qual chegamos, não conseguimos comer nada por conta das filas, mas pelo menos pudemos ver o show desde a ponte. 

Algumas construções iluminadas na região da ponte

A saída do show não foi menos demorada. Caminhamos outros trinta minutos para tentar pegar um ônibus longe da multidão. Não encontramos ônibus algum, as primeiras gotas que anunciavam uma chuva começaram a cair. Decidimos chamar um taxi pelo aplicativo, enquanto procurávamos um lugar com boa referência, avistamos uma loja de conveniência, decidimos comprar alguns quitutes, chamamos o táxi pelo aplicativo e fomos para uma loja de cadeia de frango fritos.

Desenhos como esse adornavam a ponte em alguns trechos

A loja escolhida ficava perto do nosso hotel, e foi esse o motivo da escolha da localização do restaurante. O caminho estava livre, o que muito nos animou. Essa cadeia de restaurantes se chamava BHC. Pedimos um primeiro frango que veio num pó que lembrava o tempero de Doritos. Não era bom, muito artificial. Depois pedimos outro frango, esse sim melhor. Mas por incrível que pareça, o melhor frango até o momento foi o que comemos em Busan, no restaurante que parecia um filme do Tarantino.

Frango frito envolto em pó de Doritos

Frango frito realmente crocante

Saímos do restaurante e ainda chovia, entramos na rua principal e passamos por um bar subterrâneo que tocava Oh My Love do John Lennon, fiquei gravando o som por esta saída e a Pri correu para se abrigar na entrada de um prédio. Ao chegar e trocar algumas palavras com ela, o senhor que estava ao lado dela começou a conversar conosco em português! Era um brasileiro de traços orientais que morava em Seul. Essas coincidências da vida.

A música saindo do sub-solo

Corremos pelas ruas molhadas, nos abrigando da chuva quando possível, até chegar ao nosso hotel. Mais um dia lotado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O quarto dia em Seul

Em cada viagem tentamos fazer algo diferente, nesta decidimos ter um dia de estadia num templo budista. Havia várias opções em muitas partes do país, aparentemente isso se tornou algo comum na Coréia e dá aos participantes a possibilidade de ver como é a vida de um monge.

Ainda não era a hora de chegar ao templo, que seria perto de duas da tarde, então aproveitamos a manhã para explorar algumas coisas que ficavam perto de nosso hotel, mas que ainda não tivéramos a oportunidade de visitar. Mas antes, deixamos nossas malas na recepção, armazenadas no corredor. Como estamos na Coréia e tudo no hotel é filmado, não vimos grandes problemas. Além do mais, andar pela cidade com malas para uma noite de estadia seria demasiado.

Bom, a região que visitamos era uma que era conhecida pela oferta de itens manufaturados, em inglês essa categoria é chamada de craft, em português ficaria incompleto chamar de artesanato, porque é mais do que coisinhas feitas à mão.

O muro na entrada de Insadong reproduzia a famosa pintura Irworobongdo, com a lua (branca) à esquerda e o sol (vermelho) à direita, além de cinco picos, que representam um palácio mítico. 

Ao chegar no bairro, caminhamos um pouco pela rua principal, notamos que a maioria das lojas ainda estava fechada e decidimos procurar um café. Encontramos um numa rua mais para dentro. O estabelecimento tinha uma entrada normal, mas ao entrar, algumas casas do estilo Hanok formavam um pátio interno agradável. 

Fizemos o pedido, eram dois tipos de café, um deles o especial da casa. A Pri tinha na mochila um croissant especial que havia comprado na noite anterior e esse acompanhou nossas bebidas.

Café Kotton

Insadong, o nome dessa região, tem uma variedade enorme de lojas, por exemplo, algumas comercializando itens tradicionais, como as caixinhas decoradas com madre-pérola que são comuns por toda a Coréia, papéis especiais, engrenagens de papelão e madeira (imagino que mais por ser legal do que por ter alguma utilidade prática), cerâmicas para todos os gostos, tinta de escrita, tecidos e roupas tradicionais, outras vendendo pincéis de escrita, aliás, isso vale um comentário. 

Só descobriríamos isso depois, no final da rua, por conta de um monumento que era um pincel gigante metálico marcando a região. Embora houvesse várias lojas dedicadas a este utensílio de todos os tamanhos e formatos, eu ainda não havia me dado conta de isso aqui ser um centro deste tipo de item.

Uma loja especializada em pincéis

Uma bela construção em Insadong

Já escrevendo estas palavras, fui ler mais sobre exatamente isto e o que descobri é que essa área é conhecida por vender os ditos quatro amigos dos estudos: papel, tinta, pincel e pedra de tinta. Como a tinta é sólida, faz-se necessário misturá-la com água numa pedra para formar o que nós imaginamos quando falamos em tinta. 

O monumento representando um pincel

O mesmo distrito também abriga lojas de chá e produtos comestíveis tradicionais. Como já falei, embora grande parte das lojas estivéssem fechadas, deu para ter uma boa ideia do que há na região e, numa possível próxima visita, já saberíamos o que e onde comprar qualquer coisa que nos houvesse interessado.

Vitrine da loja de engrenagens

Já se aproximava das dez horas e um prédio cheio de lojas legais estava abrindo, entramos e começamos a explorar o local. Havia uma rampa que nos conduzia pelos quatro andares do edifício. O que fizemos foi começar do térreo e ir subindo. Já no segundo andar encontramos uma loja bem interessante com produtos com decoração de madre-pérola. A Pri gostou de uma caixinha e resolvemos comprá-la, a loja também oferecia curso de como fazer itens com madre-pérola. Se tivéssemos um pouco mais de tempo disponível, este seria um curso que ela teria feito.

Ssamziegil, o centro de lojas de artesanatos e bens manufaturados

Detalhe do corredor

Entramos em outras lojas, como uma em que era possível personalizar com decalques itens como estojos de pano, carregadores de mala, etc. Vimos lojas de lenços, todos bem bonitos, bolsas feitas com tecidos tradicionais e até uma loja vendendo perfume sólido. A Pri agora é dona de um perfume em barra.

Antes de entrar neste edifício, havíamos visto um restaurante com um vidro enorme na frente mostrando o interior onde três pessoas estavam fazendo gyozas com as mãos. Vale aqui uma explicação, na Ásia, este tipo de massa recheada é muito comum, mas se pararmos para pensar, isso é algo que existe no mundo inteiro e pelo que já li a respeito, se espalhou justamente a partir do extremo Oriente.

Japão, China e Coréia possuem cada uma sua própria versão, em geral, cozidas no vapor, embora também possam ser fritos. A Índia tem uma variedade frita chamada de samosa, os demais países do sudeste asiático também têm interpretações do prato, sendo que nestes países o tamanho seja um pouco maior e o formato mais parecido com o de um pão ou mini-pão. 

Na Europa, especialmente no leste europeu, não é diferente. Na Polônia estes pastéis são chamados de pierogi, e em vez de cozidos no vapor ou fritos, são feitos na água. Eu já tive o privilégio de comer diversos destes em 2008. Na Ucrânia são conhecidos como varenyky ou krepli, na Rússia são também chamados de vareniki. O nome varia de acordo com o recheio. Curiosamente, em Yiddish chamamos estes pastéis de vareniki e krepalach, também de acordo com o recheio.

Pois bem, depois dessa volta linguística, falemos do restaurante. Ele ficava ao lado de um local bem arborizado com algumas galerias de arte, numa rua lateral, ou seja, não era fácil encontrar já que não ficava a vista de todos. 

A entrada do jardim com as galerias

Detalhe dentro do jardim das galerias

Quando voltamos, já na hora do almoço, havia fila. Resolvemos esperar, o que não tomou muito tempo, já que pela quantidade de placas Michelin que havia na porta, algo bom o restaurante devia servir.

A confecção dos mandus

Pedimos dois pratos feitos com os mandus, como chamam a gyoza em coreano. O primeiro prato era um caldo no qual os pastéis de kimchi vinham cozidos no vapor (ou no próprio caldo), já o segundo era um conjunto com seis mandus de três sabores diferentes: cogumelo, carne de porco e kimchi.

Mandus e sopa de mandu

Todos estavam bons, mas na nossa humilde opinião, não justificavam nem a fila nem as plaquinhas Michelin. Eu estou começando a desconfiar que os critérios de julgamento para se obter uma menção nesta famosa lista, já que aqui não se tratava de estrelas, não são os mesmo critérios que eu julgo para classificar um restaurante bom. Aliás, a Pri tem um critério bem peculiar para saber se um restaurante é bom, ela se pergunta se voltaria ao restaurante? Eu proponho um refinamento deste critério, para trazer maior dramaticidade, digamos que você tenha tempo restrito, está no último dia de uma viagem e não voltará à localidade tão cedo ou digamos que haja qualquer outra restrição severa de tempo, você voltaria para ter mais uma refeição?

Nesta viagem poucos lugares atenderam a este critério, aliás, em geral, isso é o que acontece. Agora, de todas as nossas viagens, Japão e Itália tiveram mais restaurantes que entraram nesta categoria. Há diversas refeições com as quais ainda sonhamos, ou, pelo menos, que gostaríamos de repetir.

Já era hora e tínhamos de ir para o templo. Como nos planejamos para isso, cada um tinha apenas uma pequena mochila/sacola consigo. O templo ficava no bairro de Gangnam, o mesmo que visitamos para ir à clínica de beleza. Não deixa de ser um contraste notável que um templo budista, refúgio da introspecção, meditação e pensamento esteja no meio de um dos bairros mais luxuosos da cidade. Isso é mais uma coincidência do que algo feito premeditadamente. Essa área de cidade ficava mais afastada e foi somente com a expansão da cidade que esse contraste se fez notar.

Parando para pensar, este tipo de ambiente, urbano e consumista, é o que mais carece de um refúgio espiritual, já que as pessoas podem facilmente se perder em buscas por coisas temporárias e inócuas, e o templo é uma boa âncora da realidade.

Chegando lá, nos informamos na entrada aonde tínhamos de ir para realizar os trâmites iniciais. Fomos direcionados para um edifício específico dentro do complexo, recebemos nossas roupas, uma pequena orientação sobre os quartos e sobre qual seria o próximo passo.

A construção em que nos hospedamos era formada por três partes retangulares que se conectavam como num quadrado sem um dos lados. Cada uma destas hastes desse quadrado tinha o formato retangular. Podemos chamar este formato de "U". A entrada de cada edifício se dava pelo pátio interno que se formava pelas paredes de cada haste.

Os quartos de hospedagem ficavam no segundo andar do edifício do meio, oposto ao lado sem a haste. No andar térreo dessa construção ficava o salão principal e a escada que levava ao segundo andar.

No edifício da direita ficava o salão do chá, que contava com uma enorme mesa, e uma pequena copa. Esta ficava bem perto da escada que levava ao segundo andar. À esquerda ficavam alguns escritórios em que os coordenadores deixavam alguns itens.

A construção para estadia no templo. O prédio que vemos ao centro é o principal, com dois andares, correspondente à base do "U". À esquerda os escritórios, à direita o salão do chá. (Onde está Wally?)

Subimos pela escada para conhecer o quarto, trocar de roupa e deixar nossas coisas. Recebemos cada um uma calça enorme e um colete. Esperamos dar a hora de descer, que havia sido informada pelo organizador de eventos do dia.

O corredor com os quartos, no segundo andar

O salão de eventos

Descemos, recebemos outras instruções sobre como nos comportar no templo, por exemplo, sempre caminhar em silêncio e em fila, sempre tirar os sapatos para entrar nos locais, não fazer barulho, etc.

A primeira atividade de fato que tivemos foi um passeio guiado pelo centro. Coincidentemente, quem nos guiou na visita fora o mesmo senhor para o qual pedimos informações ao entrarmos no complexo. Esse cara era uma figura, toda vez que alguém respondia ou fazia uma pergunta, ele dava uma pulseira do templo como recompensa. Chegou um momento em que um camarada da Holanda tinha o braço repleto de pulseiras e um pouco de vergonha de continuar fazendo as perguntas porque já tinha pulseiras demais.

Nestes templos, todas as edificações são de madeiras, tudo é pintado e tudo tem um significado. Os menores detalhes são pensados e trazem toda a estética que nos fazem identificar este tipo de religião. Como o budismo veio da Índia, imagino que estas regras de cores que acaba por determinar a estética destes edifícios não seja originária daqui.

No passeio aprendemos que o primeiro buda fora um príncipe indiano de nome Siddhartha. A lenda diz que seu pai havia sido alertado que o príncipe, seu filho, seria alguém importante do ponto de vista religioso. O pai, com medo de não ter herdeiros e de que seu filho não seguisse seus passos, o isolou no palácio numa vida luxuosa e confortável, isolada dos problemas do mundo. 

O filho só tinha contato com pessoas jovens, nunca via ninguém doente, achava que a vida era bastante controlada. Surge nele a ânsia de conhecer o mundo real e ele foge do palácio com seu motorista (ou melhor, condutor de charretes) e acaba por descobrir o mundo caótico, bem diferente daquele em que até então vivia.

Ocorrem quatro episódios que mudam radicalmente sua visão da vida. Ele vê um idoso, um doente, um cadáver e um monge. Cada um destes encontros com uma realidade mundana traz um desconforto e o expõe a um aspecto da realidade que o leva à reflexão. Ele então renuncia aos luxos e à sua vida anterior e se dedica à meditação. Essa é a origem do budismo de acordo com a lenda. 

Pinturas contando esta história apareciam numa das edificações do templo, na parte de fora. Depois desse tempo passeando pelo templo e conhecendo as partes que o compõem, voltamos para o local onde ficava o dormitório, mas fomos para o salão no primeiro andar.

Lá fizemos uma aula de caligrafia com pincel. Pudemos copiar um trecho em coreano cada um, com um pincel e uma tinta dourada. A tinta precisava ser mexida cada vez que queríamos escrever, porque o dourado decantava. Além disso, o pincel acumulava muita tinta, então antes de escrever era necessário retirar o excesso. Outra coisa que notei é que pincel é muito suscetível à pressão. Eu achei dificílimo escrever com este instrumento, a Pri já parecia fazê-lo há anos e o papel que ela fez parecia o resultado do trabalho de um escriba. 

Cada vez que íamos começar a escrever numa nova linha, a instrutora batia num instrumento que parecia com uma cumbuca e que fazia um som que se espalhava pelo ar. 

A tinta dourada precisava ser misturada

A minha caligrafia não é boa com lápis ou caneta no alfabeto latino, imaginem com pincel e usando o hangul, alfabeto coreano

O jantar seria servido à 17:00, um pouco cedo, mas como estávamos sem comer desde pouco antes do meio dia, fome não era problema. Saímos do salão e fomos para o refeitório, andando em fila indiana atrás do coordenador do programa. Entramos numa outra edificação bem afastada do local em que estamos hospedados. 

O refeitório ao qual tivemos acesso era pequeno em relação ao refeitório principal dos monges, que apenas vimos no caminho. A comida era completamente vegetariana, imagino que até vegana, já que não comemos nada feito de leite ou ovos. As comidas tinham todas o gosto bem parecido. 

Comida de templo

Assim que saímos do jantar fomos assistir a um monge tocar os instrumentos do templo. O ritual teve início no tambor enorme que ficava numa estrutura com cobertura. O ritual até que demora um pouco, o monge tocando o tambor utilizou toda a pele do enorme tambor bem como a madeira que a prende ao corpo do instrumento. 

O monge "músico"

Logo depois de tocar o tambor, o monge foi tocar um sino igualmente enorme. Uma garota que não fazia parte do programa viu as pessoas se dirigindo para tocar o sino e entrou no meio, o monge ainda tentou explicar que não estava aberto ao público, mas já era tarde, a menina insistiu e tocou o sino mesmo assim. Cada um dos participantes tocou o sino em dupla, com o auxílio do monge.

Então, fomos levados ao salão num dos três edifícios que compunham o complexo de recepção de quem fica no templo. Lá nos instruíram sobre o budismo e participamos de uma aula instrutiva de meditação. Não foi a primeira vez que tive aulas disso, não é algo fácil de se fazer. Manter-se sentado numa posição confortável por muito tempo respirando de maneira sincronizada demanda muito.

Tentativa de meditação, roupa de templo, ou de guarda de trânsito

Deram-nos tempo livre até a hora de dormir, aproveitamos para passar pelo templo. Visitamos diversas partes dele, como por exemplo, o buda gigante, edificações mais afastadas, além de partes menos interessantes. 

O pôr do sol no templo

A estátua de noite

Voltamos para o edifício e fomos dormir, já que às quatro da manhã teríamos de acordar para ir à cerimônia às 4:15. Voltaremos amanhã deste ponto.