segunda-feira, 19 de outubro de 2026

A ida para Jeonju

Acordamos cedo, mas nem tanto, já que havíamos mudado nossa passagem. Isso nos permitiu ir tranquilamente para o ponto pegar o ônibus que nos levaria à estação de trem. Ainda havia tempo e então tomamos o café da manhã na estação mesmo. Esse foi o maior deslocamento terrestre que fizemos, já que além de longo, tivemos de mudar de trem.

À espera do trem em Gyeonkju

Ao chegar na estação, em Jeonju (lê-se cheon-ju) tivemos de pegar um ônibus para ir para o centro histórico e no caminho vimos muitos senhores e senhoras, sentados na rua, vendendo produtos agrícolas. Como já comentei, uma coisa que acabou chamando minha atenção é que apesar dos números, ainda há pobreza na Coréia, não sei mensurar, mas ela é visível. Tanto na rua vimos gente mais velha vendendo produtos quanto nos mercados há senhoras vendendo comidas em tendas no meio dos corredores.

Aqui vemos algumas barraquinhas onde produtos são vendidos e o carrinho usado para transportar mercadorias

Nossa hospedagem foi numa vila Hanok, que ficava no centro da cidade. Finalmente seria nossa oportunidade de dormir numa casa como faziam os coreanos há não muito tempo atrás. As casas nessa vila eram lindas, os telhados pontudos típicos e muitas delas com jardim interno. 

Descansando no jardim da casa tradicional

A casa tradicional em que nos hospedamos, vista de fora

Estas pousadas têm uma administração moderna, o contato é sempre feito por internet, os gerentes dos estabelecimentos não ficam disponíveis in loco o tempo todo. Qualquer coisa deve ser feita pelos canais de comunicação que eles disponibilizam.

Algumas coisas nos chamaram atenção logo que tivemos acesso ao quarto. O primeiro era que o colchão, que era fino, ia direto no chão duro. Muito diferente da nossa expectativa, que foi setada a partir da nossa experiência no Ryokan que ficamos no Japão.

Segundo, o banheiro era novamente do tipo molhado, sem divisão alguma entre o local para tomar banho e o resto do banheiro. A porta era bem fininha e tanto som quanto luz entravam no quarto. Pelo lado positivo, o jardim era bonito e a casa era muito bem localizada.

Assim que deixamos nossas coisas fomos buscar um lugar para almoçar, e encontramos um restaurante que servia o bibimbap original, que foi inventado nessa cidade. Novamente, esse prato é uma espécie de mexidão que deve ser finalizado pelo cliente na mesa, ele vem com arroz, carne e vegetais, além de molhos para misturar. A casa em que ficava o restaurante também era bem bonita.

Detalhe do restaurante onde comemos, essa era uma área interna

Dois bibimbaps

Como o bibimbap vem, antes de o misturarmos

Nesse restaurante algo curioso aconteceu, depois que chegamos e pedimos, uma família composta por dois hippies e uma filha, suponho eu que franceses porque esse era o idioma que falavam, chegou. Por algum motivo o perfume natural axilar com notas lembrando o resultado de uma semana de cura sem sabão cortava pelo ar e chegava a mim, agredindo meu nariz. 

Por sorte, cinco minutos depois de sofrer com o miasma, o dono da fragrância pediu ao dono do estabelecimento para desligar o ventilador e minha penúria teve fim. Voltei a sentir o sabor do prato. 

Depois de sair do restaurante, revigorados por termos nos alimentados, e eu em especial por voltar a respirar tranquilamente, fomos em direção ao centro histórico. 

Caminhamos por ruas com aspecto mais moderno, vimos lojas vendendo caixinhas para guardar jóias decoradas com madre-pérola, diversos produtos de papel, como por exemplo leques, cúpulas de abajures, desenhos para enquadrar, etc... 

Caixinhas decoradas. Tenho lembranças da minha infância, já que minha mãe adorava este tipo de item e nossa casa era cheia deles

Fomos caminhando, nos afastando dessa área para visitar outros pontos que havíamos marcados no mapa, um deles era o portão Pungnammun, que se localiza no sul e é o único remanescente dos quatro portões originais. O portão atualmente fica numa rotatória e em volta dela há todo o tipo de comércio, além de um mercado de comida noturno, cujo funcionamento se dá nos finais de semana. 

O portão Pungnammun

Nessa região foi a primeira vez que notei um cheiro típico que comecei a sentir ao longo da viagem, era uma espécie de cheiro de chá, tanto doce quanto levemente ácido, tinha algo de canela, mas parecia uma mistura de outras coisas. Eu não consegui identificar o que era, cogitamos ser um chá medicinal ou o resultado da cocção de diversas coisas e este ser o resultado olfativo desta mistura de vapores.

Curiosamente, perto dali, havia a catedral da cidade, num estilo europeu que fazia parecer que aquilo não estava situado no lugar certo. Nessa cidade fica a maior vila tradicional Hanok da Coréia do Sul e toda loja e negócio no centro fica numa destas construções. 

Já estávamos andando há um bom tempo e havia outra padaria com docinhos tradicionais que queríamos visitar para provar as iguarias. Saímos um pouco da área para buscá-la. Novamente, em termos de doces, uma nova decepção. Os doces alardeados como sendo imperdíveis eram insossos, com ingredientes de baixa qualidade que não nos deixou feliz. Eu deixei minha parte depois de uma única mordida. Por sorte, em termos de cafeterias, a Coréia vai muito bem e encontramos um lugar bem legal para tomar o café da tarde.

Voltamos a caminhar em direção ao centro histórico, e, ao chegar nele, notamos que as ruas eram muito arrumadas, extremamente limpas, as calçadas ainda contavam com um pequeno córrego, pequenas árvores e outras plantas. Poucas vezes vi um centro histórico tão bonito e arrumado.

As ruas no centro histórico tinham muitas vezes este formato

Como os canais surgiam

Há todo o tipo de lojas nesta região, mas elas são, em sua grande maioria, para atender ao público de turistas. Notamos que essa cidade tem um centro histórico bem peculiar e a cidade ao redor é moderna. Aqui, a vila Hanok é tão grande, que ela se mescla com ruas e prédios mais modernos em diversos pontos, dando a impressão de que não sabemos onde começa ou termina a parte histórica.

Detalhe do canal correndo ao longo da rua

O muro do templo/complexo administrativo e uma rua no centro histórico

Havia um lugar legal dentro do centro histórico que ficava um pouco mais alto e que parecia ter uma boa vista para a vila, subimos já que era fim de tarde e aproveitamos para ver o pôr do sol desse ponto. Depois de o sol ter sumido, saímos pelo outro lado do monte para ainda visitar uma construção histórica em cima de uma ponte. Caminhamos pelo outro lado do rio Jeonjucheon.

A vila Hanok vista de cima

O sol se pondo atrás das montanhas, em primeiro plano, a vila Hanok

Já estava escuro e, como se tornou hábito nesta viagem, ao fim de um dia de andarilho, nada melhor do que uma cerveja. No caminho para a cervejaria que eu havia marcado no mapa, havia um conjunto de edifícios tradicionais aberto à visitação. Aproveitamos a oportunidade para ver do que se tratava. Era o complexo Jeolla Gamyeong, sede administrativa da região durante o reino da dinastia Joseon (cho-san). O lugar era enorme e visitamos diversas partes do enorme complexo. 

O complexo Jeolla Gamyeong ficava numa área enorme

Estávamos tão perto da cervejaria que fomos andando. Notamos que ela ficava numa rua com diversas lojas e restaurantes, pareceu ser uma região muito legal. Bem perto do destino, antes de chegarmos, notamos um prédio com um relógio enorme, parecia ser um café. Confirmamos e o mapa nos disse que de fato era um café. 

Café Geumseongdang, seu relógio visto a partir do portão de casa mal assombrada

Café Geumseongdang 

Finalmente entramos na cervejaria, que além de tudo era muito bonita por fora. Tomei algumas cervejas, a Pri comeu a pipoca que eles ofereciam de graça, além de também termos pedido outras coisas para tomar e comer. Logo que entrei notei uma coisa, o casal hippie de antes estava dentro do bar, resolvi manter a distância regulamentar para não ter de sofrer novamente.

Bela fachada, uma cervejaria de classe

Do outro lado da rua ficava a fábrica da cervejaria

Pri tomando uma ginger ale (refrigerante) e eu tomando uma ale (cerveja)

Na hora de escolher onde jantar, vi no mapa um restaurante de churrasco que estava muito bem avaliado. Embora fosse noite, resolvemos encarar o desafio. Fomos andando pela rua, vendo diversos restaurantes interessantes e, inclusive, passamos por uma rua com decoração chinesa, provavelmente onde ficavam restaurantes e lojas dessa comunidade. 

A seleção de cortes para escolhermos

O detalhe das carnes, cogumelo, pimenta e molho sendo devidamente cozinhados

Dá para ver no centro a folha de perila, que é usada para fazer os sanduíches que é como eles comem churrasco aqui

Que boa decisão ter escolhido este restaurante, além de atendimento exemplar, a comida estava muito boa. Pudemos escolher os cortes de carne que queríamos, pedimos também uma sopa de tofu com kimchi e eu ainda peguei uma cerveja diferente que ainda não havia tomado. Como de hábito, nos deram um avental para evitar que nos sujássemos e a carne foi assada por um dos garçons. Acho que eles conhecem os locais e não deixam o turista à sorte, evitando assim arruinar a comida e a reputação. 

Agora sim, o dia havia encerrado e podíamos voltar para casa com sensação de dever cumprido.

domingo, 18 de outubro de 2026

O segundo dia em Gyeongju

O plano para hoje era ir para o templo Bulguksa, que ficava um pouco afastado e devia ser alcançado de ônibus. Novamente, o ônibus estava cheio e demorava cerca de uma hora para chegar.

O templo é bonito, mas diferentemente do Japão em que há dois tipos de templos, aqui os templos sempre são budistas. Isso os torna uma música de uma nota só, o que acaba variando é a localização e algum detalhe. 

O principal complexo do templo

Em detalhe a entrada que estava fechada

O que parecia ser o pátio principal do complexo

De todos os modos, visitamos o templo e foi lá que provei um suco de leite com ginseng. Vou falar que eu gostei muito, o ginseng deixa um gosto ardente na garganta. 

Detalhe da porta

O pátio principal visto de ângulo com vantagem

Voltamos para a cidade e buscamos um restaurante que servisse Ssam-bap. O nome do restaurante era Jeong-rok Ssam-bap, em alusão ao seu prato principal. Basicamente, esse prato é basicamente folhas que são usadas para embrulhar diversos recheios, por isso, novamente, recebemos muitos pratinhos com comidas distintas. Dessa vez havia muita coisa e comemos bastante.

Ssam-bap, a variedade de recheios era enorme

Depois de terminar, como estávamos perto das tumbas, demos outra volta por lá, andamos novamente pelos campos floridos e chegamos à vila Hanok, caminhamos e passeamos até escolhermos um café para sentar e tomar algo.

Campo de lavanda, além de bonito, tinha um aroma gostoso

No quintal da casa em que ficava o café

Dentro do café, ou dentro de uma casa em estilo Hanok

Uma coisa que notamos aqui é que, como no Japão, a imagem é importante e muitos negócios anunciam o que vendem de maneira visual. Mas aqui, em geral, é uma televisão que exibe os produtos. Vi pratos sendo preparados, gente dirigindo kart, artesãos trabalhando em suas criações. 

Como já estava de noite, demos uma volta pela ponte, que fica incrível com a iluminação noturna. Passeamos um pouco pela ponte, fomos para o centro da cidade e fizemos um jantar leve, gyoza.

A ponte Woljeonggyo

Detalhe da entrada da ponte Woljeonggyo

A ponte Woljeonggyo, foto tirada do meio do rio

Voltamos para o hotel e fomos comprar alguns utensílios domésticos, dentre eles compramos pinças com garras na ponta, grades para descansar carne pronta e tesouras para cortar alimentos.

Uma tumba com efeito de luz, à noite

Gyoza, ou mandu em coreano

Ontem havíamos notado que o horário de viagem para Jeonju era muito cedo, seis da manhã, e isso nos faria acordar muito cedo nos dando quase que dois dias inteiros nessa cidade. Depois de verificarmos onde ficava a estação de trem e o que havia para visitar em Jeonju concluímos que era cedo demais sem motivo.

Decidimos que poderíamos comprar outra passagem e pedir o reembolso da original. Foi isso o que fizemos, conseguimos realizar a operação e agora já estávamos tranquilos pela mudança. Com a tranquilidade de quem não precisaria acordar excessivamente cedo, fomos dormir.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A ida para Gyeongju

A gente pegou diversos feriados nesta visita à Coréia do Sul. Para nós, intrépidos viajantes, o significado do feriado é que as coisas podem fechar e pode haver muito trânsito e indisponibilidade de passagens de transporte público.

Em Busan (que lemos Pu-san) não percebemos muitas coisas fechadas, mas como escrevi anteriormente, o mercado Jagalchi estava fechado. Em nossas pesquisas, já sabíamos que em Seoul os palácios tinham as entradas gratuitas. Mas, em termos práticos, pela escolha que fizemos de itinerário (baseado na melhor logística de movimentação), o problema poderia ser o deslocamento para Gyeongju (novamente aqui, lemos ki-eong-dju).

Como a viagem era curta, tínhamos a esperança de não ter problemas comprando as passagens, que só abririam para quem não mora na Coréia um mês antes da data da viagem no trecho. Dito e feito, conseguimos comprar as passagens. 

A viagem de trem foi bem tranquila, porém, a estação em Gyeongju ficava um pouco afastada do centro da cidade. Para chegar ao hotel tivemos de pegar um ônibus que nos adicionou mais uns 30 minutos de deslocamento, praticamente o mesmo que o tempo de viagem entre Busan e Gyeongju. O hotel era bom, fizemos o check-in, redistribuímos as coisas entre as malas, pegamos uma muda de roupa para trocar e deixamos as malas guardadas na recepção.

Enquanto eu esperava a Pri trocar de roupa no banheiro, um cara se aproximou de mim e começou a falar em hebraico, perguntando se éramos israelenses. Respondi que era brasileiro e que por acaso falava hebraico. Ele pareceu meio confuso. Como estamos no feriado de Sucot, ele me ofereceu um lulav (uma planta cuja forma lembra uma folha de palmeira fechada, pontiaguda e longa) que havia ganhado de um emissário do Chabad (este é um grupo de judeus ortodoxos hassídicos, de origem européia que tem como missão levar o judaísmo alegre a todos os judeus do mundo) de Seul. 

Eu agradeci e falei que não queria a planta. Só quando ele foi embora depois de conversar que notei que ele tinha o lulav dentro da mochila, em riste como uma antena de comunicação, como teria um soldado responsável pela comunicação em décadas anteriores.

Uma pequena explicação, na festividade de Sucot, que relembra o período em que o povo judeu esteve morando em cabanas no deserto (e que marca o fim da estação da colheita, sendo essa a origem que me parece mais provável), é costume utilizar quatro espécies de plantas distintas para realizar bençãos. 

Há diversas interpretações a utilização de quatro espécies. Uma delas diz que cada uma das espécies representa um tipo de personalidade que há em comunidades, outra é que elas representam partes do corpo humano, mas independentemente das interpretações, a conclusão é que se faz necessário haver unidade e que as partes funcionam corretamente em conjunto. Voltando...

A Pri chegou e seguimos nossa viagem. Nossa primeira parada foi uma padaria que era especializada em apenas uma única coisa, doce recheados de pasta de feijão doce (Hwangnam-ppang). A linha de montagem deles era organizada e era possível ver do salão o que se passava na cozinha, que era aberta e ficava logo atrás do balcão. Há montanhas de pasta de feijão e diversas estações de trabalho onde os funcionários preenchem os bolinhos antes de irem para o forno assar.

A padaria que servia Hwangnam-ppang

Montanhas de pasta de feijão doce

Novamente, esse é mais um exemplo de que as sobremesas que provamos no extremo oriente não fazem o meu gosto. A Pri até gosta destas coisas, mas para mim não dá, não é o que eu gosto. 

O docinho

Estávamos a caminho dos grandes montes de terra (voltaremos a eles em detalhes) que são a marca característica de Gyeongju, quando vimos um ponto de ônibus muito bonito e uma estrutura de madeira protegendo um sino, destes que normalmente vemos em templos. Lendo um pouco, a Pri notou que em poucos minutos se daria uma cerimônia, esperamos e logo a seguir vieram algumas pessoas para tocar o sino. Um era o responsável pelo cuidado do local, percebemos isso porque ele tinha uma chave, além dele, uma família o acompanhava. 

A estrutura que abrigava o sino

Ele subiu as escadas e abriu uma portinha que dava acesso ao sino. A família o acompanhava, ele deu algumas instruções para a família e, se revezando, as crianças tocaram o sino ao seu comando. Outras pessoas se juntaram para ver o que estava acontecendo e começaram a filmar também.

O sino

Um lindo ponto de ônibus

Caminhamos um pouco e chegamos no museu que explicava o que era toda essa área cheia de montes, entramos. O museu, acho que por conta do feriado ainda, oferecia entrada gratuita. Lá aprendemos o que eram estes montes de terra que salpicavam toda a região turística em que estávamos. 

Um monte ou uma tumba?

Estes montes na verdade são tumbas onde os reis do Reino de Silla (de I AEC a X EC) eram enterrados. O museu detalhou a construção destas tumbas, começando com a escavação de uma área retangular onde uma espécie de armação de madeira com divisórias era repousada. Esta servia como divisória para a disposição do corpo, objetos pessoais e animais também. Depois disso, diversas camadas de pedras, terra, mais pedras, barro, argila, e finalmente grama eram despejados.

Vista da estrutura interna

O posicionamento do túmulo

O resultado são os diversos montes que vemos por todo o centro histórico. Até hoje ainda se investigam estes montes, que foram classificados pelos japoneses como algo menor.

Aliás, os japoneses, durante a ocupação entre 1910 e 1945, já haviam se deparado com alguns elementos encontrados por crianças retirados destas regiões. Eles chegaram a criar uma empresa para explorar o local, mas acabaram por não dar muita importância ao que ali havia, por sorte eles não entenderam do que se tratava e assim muita coisa foi preservada. 

Em vez de entrar diretamente no parque onde havia uma grande parte destas tumbas, fomos à principal rua de comércio na região turística. Essa rua é extensa, cheia de restaurantes e lojas de diversos tipos. Além dessa rua principal, há ruas secundárias que se espalham em torno dela, aumentando a área para exploração. Vimos lojas de soju, roupas, lembranças turísticas, artesanatos, artigos de meditação e até uma loja de um personagem de quadrinhos holandês que parece fazer muito sucesso aqui: Miffy.

As lojas na rua tinha todas esse aspecto

Depois de uma pequena volta nessa rua, voltamos para o parque com as tumbas para dar uma volta e ver mais de perto. O que mais impressiona é a dimensão de cada uma delas, e além disso, se pararmos para pensar, a ideia destas tumbas lembra muito as pirâmides egípcias, ambas sendo o local de repouso de governantes, construídas com esforço público e que serviam como monumentos. No caso destas tumbas aqui, uma cerimônia acontecia no evento representando o enterro.

Paisagismo na área em que ficavam as tumbas

Outra tumba importante

Seguindo mais adiante no centro histórico, avistamos a torre de observação astronômica, tida como a mais antiga na Ásia, ou pelo menos no extremo oriente. A torre em si não é muito impressionante como construção, o que mais impressiona é a vontade de observar o céu de maneira ordenada. O local onde a torre ficava era um descampado, onde perto havia campos de diversas flores, como lavanda, por exemplo.

A torre astronômica

A torre astronômica e seus arredores

Já com fome, resolvemos procurar algo para comer. Nossa primeira opção era muito longe de onde estávamos, então partimos para a segunda opção, um restaurante na vila Hanok. Por toda a Coréia do Sul há vilas Hanok, que é o estilo de construção tradicional deles, com telhados pontudos, telhas escuras e com arquitetura peculiar. 

O letreiro do restaurante de 300 anos de Gyochon

O nome do restaurante escolhido é "A 300 years restaurant of Gyochon". Algumas curiosidades, primeiro, tudo na Coréia que vem do inglês é traduzido com artigo definido, o que indica que essa deve ser uma característica da língua deles. O número de anos é uma alusão à história da família Choi, dona da mansão em que fica o restaurante e representante da tradição de generosidade, e, finalmente, Gyochon é a localidade onde fica a vila tradicional.

A casa que abrigava o restaurante

Experimentamos dois pratos feitos à moda de Gyeongju: bibimbap e bulgogi. O primeiro é um mexidão, mas que não chega à mesa misturado, você é que precisa misturar os ingredientes. Os elementos variam, mas em geral tem arroz, carne, vegetais, no caso aqui broto de feijão, cenoura, algas, dentre outras coisas. O segundo é um prato que consiste de fatias marinadas, levemente adocicadas, e grelhadas de carne. Mais uma vez a mesa vem recheada de entradinhas.

À esquerda, Bibimbap, ao centro, Bulgogi

Uma curiosidade é que na maior parte das mesas há essa gaveta com os talheres

Do restaurante fomos caminhando em direção ao Museu Nacional de Gyeongju, mas para isso, deveríamos atravessar o rio Mancheon através da linda ponte Woljeonggyo. Essa é uma ponte reconstruída, como muitas coisas na Coréia, toda de madeira e cheia de detalhes. Do outro lado ficava o museu.

A ponte Woljeonggyo

O Museu Nacional de Gyeongju tem porte médio, ele é composto por alguns edifícios, mas o edifício principal tem apenas um andar e formato quadrado. Dentro deles há a história de povoamento da região desde o período paleolítico, passando por instrumentos de pedra lascada, indo ao neolítico com instrumentos de pedra fundida, depois começamos a ver instrumentos de bronze, ferro e a evolução dos reinos na região.

Adagas de bronze e pedra polida

Vasos de cerâmica

Há diversos artefatos bem interessantes representando as diversas épocas e com diversas utilizações, como potes de cerâmica, espadas, coroas de ouro, elementos de ornamentação. Outro edifício tratava da religião budista e de sua chegada à Coréia.

Coroa de ouro e ornamentos

Ornamento de coroa

Chaleira com formato de animal

Ornamentos diversos

Depois da visita ao museu, nos encaminhamos para o Palácio Donggung onde ficava o lago artificial Wolji. No caminho vimos uma plantação que se repetia muito, de cor verde intensa, eram campos de arroz.

Campos de arroz

Como chegamos no final da tarde, pudemos ver o palácio de dia e também o acendimento das luzes e o efeito que elas causavam tanto nas construções quanto no lago artificial. Aqui, como em outros lugares, sempre notamos um relevo no piso e alguns círculos, que marcam locais de futuras construções. O governo da Coréia vem reconstruindo diversos palácios e monumentos pelo país. O que é mais interessante é que isso é feito com base nos projetos originais! Imaginem só, o governo dos diversos reinos sempre mantiveram registros de tudo o que acontecia e não é diferente com os projetos das construções pelo país inteiro.

Palácio Donggung e lago Wolji

Detalhe dentro do palácio Donggung

Dali buscamos uma cervejaria local onde provei uma IPA e uma porter. Antes de sentarmos, a Pri resolveu comprar uma batata doce frita. Qual não foi a nossa surpresa ao morder a primeira "batata" e perceber que o que quer que fosse, aquilo era borrachudo e com um gosto diferente de batata. Somente depois de pesquisar descobrimos que era lula preparada para ficar no formato de palito e depois frita com algum pó em volta para dar sabor.

A "batata" e uma cerveja

Ainda tínhamos de jantar antes de ir para o show da torre astronômica. A cidade de noite fica bem bonita já que várias partes da cidade são iluminadas.

Tumbas de noite

Torre de observação astronômica de noite

Após busca e deliberação, escolhemos comer no restaurante Hwangnam galbi, que servia como principal prato galbi. Este é um cozido de carne em caldo aromático. Como muitas vezes, quem finaliza o cozimento na mesa somos nós, ou, como somos turistas, quem o faz é um dos atendentes. 

As entradas que acompanhavam o galbi

Galbi de costela de boi

Esse prato era feito com costela de boi, como sempre, diversas outras coisas acompanhavam o prato, inclusive uma sopa de kimchi e tofu, famosa por aqui. Além disto tudo, pedimos também macarrão para acompanhar. Novamente pudemos ver o uso de tesoura para cortar a carne e um fogareiro para manter o calor e cozinhar o prato.

Já estava perto da hora do segundo show noturno, então voltamos para a torre de observação astronômica que tinha uma apresentação de luzes. Ela foi bonita, mas não acrescentou muito em termos de conhecimento. 

Destaque do show noturno

Outra projeção

O dia hoje foi muito cheio, mas teve muita coisa interessante por toda a cidade. Amanhã deve ser um pouco mais calmo.