Acordamos às 8 muito bem dispostos, como dormir numa cama faz diferença. Como houve uma série de mudanças nos voos devido a problemas com a empresa com a qual viajamos, chegamos um dia antes na Coréia do que o planejado. Decidimos fazer o primeiro dia de visitações planejado para Seul se acordássemos bem dispostos, como foi o caso.
Fomos caminhando para o primeiro ponto de visitação, que é o principal palácio da dinastia Joseon (lê-se Chossan. Mais sobre a diferença entre a grafia e os fonemas depois). No caminho encontramos uma loja vendendo pão com alho e recheios, escolhemos um.
Logo ao lado havia um café, também pegamos um. O pão tinha um sabor bem marcado de alho, eu gostei. A Pri, por outro lado, achou muito forte. Ainda encontramos o que chamam aqui de pão de sal. É o nosso pão francês, só que bem amanteigado e com sal grosso em cima.
Pão com alho e recheio
Depois de comermos isso chegamos ao palácio Gyongbokgung (lê-se Kion bok kung) e significa "O Palácio muito abençoado pelos céus, terminado de ser construído em 1395. Quanta presunção, sobretudo depois que aprendemos que o palácio foi destruído duas vezes pelos japoneses: uma na invasão de 1592-98 e outra no período colonial de 1910-45, isso depois da reconstrução geminada em 1867.
A entrada do Palácio Gyongbokgung
A entrada do Palácio Gyongbokgung
Chegamos em tempo de assistir à cerimônia de troca de guarda, uma encenação de como acontecia no século XV. Uma coisa que me chamou muito a atenção foi o uso de um instrumento de sopro cujo som lembrava muito uma gaita de fole escocesa. Além disso, fiquei pensando como estas cerimônias seriam sem instrumentos musicais, seria bem estranho, até mesmo bobo.
Troca de guarda
Depois de uma primeira volta, fizemos o passeio guiado de uma hora de duração. Visitamos diversos edifícios, dentre eles o principal edifício onde o rei trabalhava, os aposentos reais, os aposentos da rainha e por conta própria a biblioteca, já mais recente.
Pavilhão Gyeonghoeru
Nosso guia deu ótimas informações. A que mais chamou minha atenção foi a agenda do rei, que tinha três horários separados para o estudo de confucionismo. O guia falou que os estudos são uma das características mais marcantes dos coreanos. Logo pensei que em 1950 o PIB per capta da Coréia era o mesmo que o do Brasil, atualmente os níveis deles são bem maiores.
Além disso, a agenda diária do rei começava às cinco da manhã e só terminava a meia-noite. Muitas vezes vemos esse padrão se repetir com monarcas. Como os presidentes numa república podem se desviar tanto disso, não?
Outra coisa muito interessante é que a língua oficial de registro histórico dos acontecimentos era o mandarim. Os debates administrativos eram conduzidos em coreano, mas registrados por dois historiadores em mandarim. Estes registro eram vedados de leitura ao rei, isso para que os registros fossem fidedignos sem alterações ou edições.
Pavilhão Hyangwonjeong
Um detalhe que notamos nas edificações eram figuras que pareciam todas irem em direção a um monge, isso, acreditava-se, trazia sorte. Segundo nosso guia estas figuras representam a jornada de um monge ao oeste para chegar ao local de origem do budismo.
A representação da peregrinação. Quanto maior o número de imagens, mais importante o edifício.
Saímos pelo leste e chegamos a um parque que tinham duas áreas com reproduções de casas de dois períodos. Um do século XIX, com casas com cobertura de palha e outra representando os anos 1980.
Dali fomos a um bairro com casas no estilo tradicional chamado Hanok. No caminho vimos uma loja da Kodak, aqui na Coréia a marca foi licenciada e vende roupa. Não resistimos e entramos, é pura nostalgia! Ainda me lembro dos filmes de fotos e das revelações que vinham num envelope bem bonito.
Resgataram a marca Kodak
Já no bairro, comemos num quiosque a comida rápida tradicional: tebbokki, salsicha de arroz e gyoza. Depois tomamos um sorvete de matcha e fomos andando para uma loja de produtos de beleza chamada Olive Young.
A venda, ...
... a mercadoria,
... e a vista!
Após a primeira rodada de compras de produto de beleza, visitamos o templo budista Jogyesa. Dali fomos à praça Gwanghwamum, que fica de frente à entrada do Palácio Gyongbokgung, que visitamos de manhã. Esta parece ser a praça principal de Seul, nela ficam as estátuas do rei Sejong, que inventou o alfabeto coreano (hangul) e do almirante Yi Sun-Shin, que liderou diversas batalhas contra os japoneses durante a invasão de 1592-1598.
O rei Seojong
O almirante Yi Sun-Shin
Da praça ainda fomos visitar um riacho no meio da cidade, chamado Cheonggyecheong. A história desse riacho eu já havia escutado, há algum tempo o governo derrubou um viaduto e no espaço criou uma área de convivência bem tranquila. Como a área está abaixo da altura dos carros, é mais silenciosa, cada trecho tem alguma coisa diferente. Vimos muitas pessoas lendo em cadeiras especialmente lá dispostas, noutra área as crianças e adultos colocavam os pés na água e ainda em outro trecho vimos projeções de luz no riacho.
Um trecho do riacho com leitores
Passamos numa loja de departamento enorme para pegar uma espécie de cartão que podemos carregar com dinheiro para usar no transporte e em lojas de conveniência, depois visitamos algumas outras lojas.
Outro trecho do riacho com projeções
Já estava de noite e eu queria ir a uma cervejaria que já havia pesquisado, chamada Euljiro Brewery, que tem um logo bem peculiar. Provei uma IPA, uma stout e uma sour. De lá fomos buscar algo para comer, encontramos uma porção de gyoza. As ruas e bares estavam lotados. Não encontramos nada que nos apetecesse e terminamos comendo algo rápido na loja de conveniência. Amanhã temos um voo cedo para a Ilha Jeju, no sul da península.
O bar ficava em um dos diversos becos
Um logo bem particular
















