quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A Ilha de Jeju

No sul da península da Coréia há uma ilha bem grande chamada Jeju e ela é o nosso próximo destino. Como houve alteração em nosso vôo de ida para a Coréia, tivemos um dia extra em Seul, mas o plano inicial era começar nossa visita por esta ilha.

Depois de chegar ao aeroporto, pegamos o carro e fomos ao centro da cidade de Jeju, a maior na ilha e com o mesmo nome, para comermos um prato cujo principal ingrediente era carne de porco preto. Este é um porco com pêlos pretos, que dão origem ao nome. Os entendidos notam diferença na carne, não sei se por conta da espécie ou da criação.

O restaurante ficava na rua do porco preto

Fomos a um restaurante que servia apenas dois cortes de porco, barriga e pescoço. Ambos preparados numa bandeja de ferro fundido que era aquecida em cima de um fogareiro, individual por mesa. Como entrada nos serviram uma parte bem macia do porco fatiada com pequena espessura. De acompanhamento havia muita coisa, alho, kimchi (conserva temperada de repolho), nabo, acelga, salada de macarrão com maionese, óleo de gergelim temperado, um preparado de peixe que tem a consistência ligeiramente esponjosa, ovos preparados como omelete em água, sopa de vegetais com tofu, molho de anchova, salada de broto de feijão, além das versões do kimchi e da salada de broto de feijão que vão na chapa.

O churrasco de barriga de porco

A carne principal, em si, é muito gordurosa. Um pouco dela e já temos a sensação de saciedade. Isso foi o mesmo que sentimos quando comemos o bife de Hida, wagyu, no Japão. Talvez, se além de um pouco de barriga também fosse servido outro corte menos gorduroso, tivéssemos gostado mais. Não foi ruim, mas a comida foi tão pesada que não nos despertou a vontade de comê-la novamente.

Passeamos um pouco pelo centro da cidade e a Pri me arrastou para fazer uma caricatura. Isso antes de nos dirigirmos ao nosso próximo destino que exigiria uma viagem pela estrada na ilha. Começamos pelo norte da ilha e nos deslocamos para o sudoeste. 

Parecidos?

Como toda minha educação é brasileira, aprendi pouco sobre a história ou geografia do extremo Oriente, e por isso sugiro que confiram o mapa da Coréia e apreciem a sua posição em relação à China e ao Japão. A posição geográfica de um país determina várias coisas, a mais óbvia é o clima, que por sua vez dita o que pode ser cultivado naquele lugar. A proximidade, em geral, mas nem sempre, determina o tipo de solo, fauna e flora. E por fim, a geografia aproxima culturas e gostos. Falei tudo isso por conta do chá verde, que é produzido em regiões específicas de três países: Uji, no Japão, Jeju, na Coréia do Sul e Zhejiang, na China. Na China ele não se limita a essa região.

No Museu de chá Osulloc

E como dito, estamos na região produtora na Coréia, e portanto aproveitamos para visitar o museu de chá verde da marca Osulloc. Neste pouco tempo em que estivemos na Coréia já notamos que esta marca aparece em vários lugares, especialmente em lojas próprias vendendo chá e outras bebidas baseadas nele. A caminho do museu já vimos as plantações de chá se estendendo por vastas áreas.

Tudo de matcha: matcha latte, sorvete de matcha e sorvete de matcha com bolo de rolo

A fábrica fica num pequeno monte e abrigava uma loja enorme, além de contar um pouco da história do início da plantação e desenvolvimento do cultivo. Também há uma loja vendendo produtos e um café vendendo bebidas e doces, além de contar com um restaurante com pratos salgados também desenvolvidos utilizando o chá verde como temática. Também há uma loja de outra marca compartilhando o mesmo espaço, além de uma plantação a qual tivemos acesso.

Plantação de chá verde

Depois da visita, que gostei bastante, fomos a uma fábrica de cerveja que leva o nome da própria ilha. A fábrica era enorme, o bar da fábrica também. Eu fiquei na dúvida do que pedir, para começar não tinha IPA, depoiis, pedi cerveja da torneira e o atendente me disse que eles estavam com um problema fiscal e por isso não podia me vencer. No entanto, disse-me que se eu comprasse um set com duas cervejas ele podia me vender. 

Jeju beber company

Comprei e ainda ganhei uma cerveja sem álcool, mas com grau de amargor alto. Essa foi uma surpresa positiva. A outra cerveja, uma wit, levava tangerina, que é um produto local muito famoso. As cerveja estavam boas.

Tonéis caracterizados

Fomos tentar pegar o pôr do sol na praia de Hyeopjae, no oeste, para ver o sol descendo na água. Tivemos de andar para chegar num ponto legal. Na caminhada passamos por uma orla cheia de estátuas e muitas casas de estilo mais rústico. Foi interessante porque havia algumas pessoas pescando no porto.

Buscando o pôr do sol em Hyeopjae

Essas estátuas estavam por toda a ilha

De noite penamos para encontrar um restaurante, visitamos três até conseguirmos jantar no quarto restaurante. A busca valeu a pena, paramos num restaurante muito bom com um cardápio fechado. Comemos sashimi de peixe branco, abalone, sopa de frutos de mar, vegetais em conserva, e outros quitutes. O restaurante nos pareceu ser familiar e o atendente era muito simpático. A família parecia trabalhar duro e isso sempre me comove, sempre penso em como nossos problemas sempre parecem pequenos perto dos problemas dos outros. Ao pagar, o atendente nos pediu que escrevêssemos uma mensagem em português para ficar no quadro, o que fizemos. Ao chegar no carro, a Pri lembrou que não havia tirado foto da mensagem e ainda sugeriu dar uma gorjeta, que não é costume aqui. Voltei ao restaurante e fiz os dois. Foi um excelente fim de dia.

Quase noite

Abalones em chamas








2 comentários:

Anônimo disse...

Maaaravilhoso filho, como você escreve bem!
Parece que estou viajando com vocês...
Posso até sentir o gosto dos quitutes!
Coreia do Sul..
Em algum momento da sua vida você achou que ia conhecer este país?
Muito interessante!
Aproveitem muuuuito!!!
Beijo

Anônimo disse...

Dani, tem um programa na CNN Brasil que se chama Viagem & Gastronomia e eu adoro! A sua narrativa é muito saborosa e desperta até as papilas gustativas tentando imaginar os sabores dos pratos que você descreve. Estava empolgada com o porco negro até você dizer que não curtiu muito! 😂
Já viajei pra muitos lugares e, no final, o que mais me recordo são as experiências gastronômicas!
A caricatura parece sim com vcs! Beijo